Uma das tendências mais persistentes do pensamento cristão contemporâneo consiste em avaliar a realidade espiritual pela experiência religiosa. Quando a oração parece não receber resposta, muitos concluem que Deus se afastou, que a comunhão foi interrompida ou que a fé se enfraqueceu. Essa conclusão, entretanto, não decorre da Escritura. Ela nasce de uma epistemologia equivocada.
O cristianismo não fundamenta seu conhecimento de Deus na percepção subjetiva, mas na revelação objetiva. O conhecimento cristão depende daquilo que Deus declarou, e não daquilo que o homem consegue sentir. Se a verdade pudesse ser determinada pela experiência, então ela variaria conforme o estado psicológico de cada indivíduo. A Escritura, porém, nunca concede à experiência essa autoridade.
Surge, então, uma questão inevitável: o que significa quando Deus não oferece qualquer resposta perceptível à oração? A resposta mais segura é reconhecer aquilo que não sabemos. A Escritura não fornece um princípio universal pelo qual possamos interpretar cada silêncio divino. Algumas orações são respondidas imediatamente; outras, depois de muitos anos; outras recebem uma negativa; e há situações em que nenhuma explicação é concedida ao homem.
A ausência de explicação, entretanto, não autoriza a conclusão de que Deus esteja ausente.
Essa distinção é essencial. O silêncio pertence ao modo como Deus governa sua criação; a ausência contradiz seu próprio caráter revelado. Confundir ambas as coisas significa permitir que a experiência corrija a doutrina.
O crente sabe que Deus habita nele não porque experimenta continuamente essa presença, mas porque Deus assim o prometeu. A doutrina da união com Cristo não depende da intensidade das emoções nem da frequência de respostas perceptíveis às orações. Ela depende exclusivamente da fidelidade daquele que não pode mentir.
Essa conclusão pode parecer insatisfatória para uma geração acostumada a buscar confirmações constantes. Contudo, a função da fé nunca foi produzir novas evidências, mas descansar na Palavra já revelada.
Nesse sentido, o silêncio de Deus constitui um teste da própria natureza da fé. Se a confiança permanece apenas enquanto existem respostas visíveis, então o objeto da confiança deixou de ser Deus para tornar-se a experiência religiosa. A verdadeira fé permanece porque seu fundamento é uma proposição divina, não um estado emocional.
A Escritura jamais ensina que Deus deve explicar todas as suas ações. Ela ensina que Deus é verdadeiro. Essa diferença é suficiente para resolver a questão. Não conhecemos todas as razões da providência, mas conhecemos Aquele que a governa.
Portanto, quando nenhuma resposta é percebida, o problema não é a insuficiência de Deus, mas a limitação do homem. A revelação continua sendo suficiente, ainda que a providência permaneça silenciosa. O cristão não possui todas as respostas, mas possui aquilo que é incomparavelmente mais importante: o próprio Deus, conhecido por meio de sua Palavra e unido ao seu povo em Cristo.