Vem cá, senta aqui comigo. Deixa eu te fazer uma pergunta de amiga, com toda a honestidade do mundo: quando foi a última vez que você olhou no espelho e não foi só para conferir se tinha feijão no dente ou se as olheiras tinham ganhado um novo tom de roxo?
Pois é. Esses dias olhei para o lado e o cenário era o seguinte: a casa clamando por uma arrumação, o atelier com linhas e tecidos querendo criar vida própria de tão bagunçados, e eu… bem, eu estava apenas a própria "縫" (linha) do cansaço. Faz tanto tempo que não sei o que é ver uma manicure ou dar um trato no cabelo que, se bobear, meus fios já estão clamando por uma intervenção divina.
Percebi que passei os últimos tempos fazendo por mim apenas o básico. Aquele kit de sobrevivência: banho, escovar os dentes e seguir o baile. Mas o básico já não está dando conta do recado.
O pior são as nossas famosas metas diárias, né? De manhã, a gente acorda com a energia de quem vai dominar o mundo. Fazemos planos mirabolantes, listamos vinte tarefas e pensamos: "Hoje vai!". Chega às nove da noite e a gente não conseguiu entregar nem a metade. A frustração bate e a gente vai dormir se sentindo a pior das mortais.
A psicologia explica muito bem esse nosso "nó" mental. Nós sofremos da famosa ilusão do controle e da sobrecarga cognitiva. Achamos que organizar o exterior vai anestesiar o caos de dentro. Mas a verdade é que a bagunça da casa e o desleixo com a gente mesma são só o reflexo de uma mente que está operando no modo "bateria fraca". A gente projeta no ambiente a pressa que está na alma.
E já que o assunto é alma, a teologia também dá um puxão de orelha amoroso na gente. Sabe aquela máxima de "amar ao próximo como a ti mesmo"? Pois é, a gente decora a primeira parte e esquece completamente do "como a ti mesmo". Como é que a gente quer cuidar bem dos nossos projetos, da nossa família e do nosso trabalho se o nosso próprio "templo" está com as estruturas abaladas e as unhas por fazer? Cuidar de si não é vaidade ou egoísmo; é um ato de mordomia, de zelo pelo presente que fomos recebidas para administrar: a nossa própria vida.
Eu decidi que cansei de me deixar na última linha da agenda (com o perdão do trocadilho!).
Sei que não vou costurar todos os retalhos da minha rotina e colocar a casa em ordem num único final de semana. A vida não vem com zíper invisível para a gente fechar os problemas num estalo. Mas o primeiro passo é reconhecer que eu preciso parar de me exigir a perfeição e começar a me oferecer graça.
Hoje, a minha única meta real é aceitar que não preciso dar conta de tudo. Se a casa ficar um pouquinho bagunçada, tudo bem. O importante é eu não me perder de mim.
E por aí, como está o mutirão? Faxina na casa, no atelier ou uma pausa necessária para remendar a alma? Me conta aqui nos comentários!