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Senta aqui, precisamos conversar: O que eu escondia debaixo da mesa

Sabe, tem dias em que o passado mexe na maçaneta da porta e entra sem pedir licença. E, recentemente, me peguei fazendo uma viagem dolorosa de volta à minha infância, adolescência e juventude. Sabe o que eu descobri olha...

16/05/2026 Ponto de Graça Sara 211 leitura(s)
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Publicado em
16/05/2026 03:40
Blog
Ponto de Graça
Autor
Sara
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Senta aqui, precisamos conversar: O que eu escondia debaixo da mesa

Sabe, tem dias em que o passado mexe na maçaneta da porta e entra sem pedir licença. E, recentemente, me peguei fazendo uma viagem dolorosa de volta à minha infância, adolescência e juventude. Sabe o que eu descobri olhando para trás com os olhos de hoje? Que eu já estava doente muito antes de qualquer médico me dar um diagnóstico na vida adulta. Eu vivia no escuro, tateando a minha própria dor, sem que ninguém ao meu redor percebesse.

Deixa eu te contar como era...

Quando eu era apenas uma menininha, eu chorava. Chorava do nada, com um aperto no peito que não cabia em mim e sem nenhum motivo aparente. Sabe qual era o meu único refúgio? O isolamento. Eu corria para me esconder debaixo da mesa, atrás das portas, debaixo da cama... Era ali, no aperto e no silêncio, que eu tentava me proteger de um mundo que eu não entendia. Eu sentia uma vontade avassaladora de fugir, de sair correndo sem rumo. E o pior não era a dor; era a solidão de não ser compreendida. Como eu não conseguia explicar o turbilhão aqui dentro, me taxavam de "frescura", diziam que era "besteira". Eu me calei. Tinha um pavor paralisante de fazer perguntas, de falar e ser mal interpretada de novo. Então, eu engoli o choro e me escondi.

Se você acha que passou na adolescência, não passou. O roteiro continuou o mesmo, só mudou de cenário. Por fora, eu vestia uma máscara e fingia que estava tudo bem, mas o meu interior estava completamente adoecido. Eu tentava me encaixar, tive vários namoradinhos, mas não conseguia fincar raízes: antes de completar uma semana, eu terminava. Vinha um enjoo inexplicável, uma vergonha horrorosa, um nojo que me afastava. Eu não sabia o que queria. Eu não tinha certeza de absolutamente nada.

Aí a juventude chegou, e com ela, o golpe de misericórdia. Sofri uma decepção tão devastadora na minha vida que as minhas pernas simplesmente não aguentaram o peso. Eu desabei. Cheguei ao ponto mais sombrio que um ser humano pode chegar: eu me via tirando a própria vida. O impulso de tentar acabar com tudo martelava a minha mente, e eu chorava a cada segundo.

Foi quando a minha alma, cansada de gritar em silêncio, fez o meu corpo adoecer de vez. O sofrimento virou físico. Desenvolvi crises de enxaqueca terríveis, uma ansiedade que me esganava e uma bronquite asmática que roubava o meu ar. Eu virei refém de uma bombinha de asma; toda vez que o pânico vinha e a ansiedade me travava, era ela quem me segurava no mundo. Havia noites em que o sono passava longe. Eu ficava deitada, sentindo meu coração acelerado quase saindo pela boca, meu ar sumindo, meu corpo tremendo sem parar... e a minha mente? A minha mente não desligava. Era uma tortura de pensamentos que eu não conseguia parar.

O choque da realidade: Eu não era a única

Olhando para trás, a gente tende a achar que o nosso sofrimento é um defeito de fabricação só nosso. Mas não é. Sabe o que a ciência diz hoje sobre aquela menina escondida debaixo da mesa? Que ela era o retrato de uma estatística dolorosa.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a depressão infantil explodiu: na última década, a taxa entre crianças de 6 a 12 anos saltou de 4,5% para 8%. Quase dobrou! Além disso, 1 em cada 7 jovens no mundo convive com algum transtorno mental. A psicologia explica perfeitamente o que aconteceu comigo: crianças e adolescentes não expressam a depressão como os adultos. Adultos dizem "estou triste"; crianças se isolam, ficam irritadas ou manifestam os chamados sintomas somáticos. As minhas crises de asma, a insônia, as dores de cabeça... era o meu corpo assumindo o controle e gritando o que a minha boca não conseguia verbalizar.

O resgate pela Psicologia e o abraço da Fé

A psicologia me ensinou que olhar para o passado não é para se lamentar, é para curar. Hoje, eu consigo olhar para aquela menina assustada debaixo da mesa e dizer: "Você não era frescura. O que você sentia não era besteira. Você só estava sofrendo e ninguém soube te acolher". Validar a nossa história é o primeiro passo para arrancar a culpa do peito.

E quando a mente parece que vai explodir, é a espiritualidade que traz o chão de volta. Sabe, naquelas noites em que meu coração acelerava e o ar sumia, o que eu precisava era do que está escrito lá em Filipenses 4:6-7:

"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos..."

Essa promessa mexe muito comigo porque ela fala de "guardar os pensamentos e o coração". É exatamente disso que a gente precisa quando a ansiedade tenta nos roubar de nós mesmos: uma paz que a lógica humana não consegue explicar, mas que acalma o tremor do corpo.

O que eu queria que você levasse daqui...

Se você aguentou ouvir o meu relato até aqui, deixa eu te dizer uma coisa: se hoje você se esconde atrás de portas emocionais, se você chora sem saber o motivo ou passa as noites com a mente em um turbilhão, no fundo, você sabe que não é culpado. O seu sofrimento é legítimo. Mas ele não é o seu fim.

Eu saí de debaixo da mesa. Eu sobrevivi às noites sem ar. Falar cura, buscar psicoterapia salva vidas, e a fé nos mantém de pé quando não temos forças. Não passe por isso em silêncio. Existe um lugar seguro aqui fora para você também.


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Sara
Sobre o autor
Sara
saragitirana@gmail.com
Colorado do Oeste - RO
Membro desde 02/2026

🌸 Quem sou eu?
Olá! Sou a Sara Gitirana, uma mulher de muitas fases e um só propósito: viver a Graça de Deus nos detalhes.

🎓 A Formação: Sou pedagoga com pós-graduações em Psicopedagogia Institucional, Letramento e Gestão Empresarial. Embora os diplomas estejam guardados, o olhar de educadora me acompanha em tudo.

🧵 A Atuação: Hoje, troquei o giz pelas linhas! No meu ateliê de costura, faço ajustes e consertos, acreditando que cada peça de roupa tem uma história que merece ser renovada.

🏠 O Coração: Sou esposa do Igor, mãe de uma menina linda e gestora do meu lar. Cristã convicta, busco transformar a rotina de casa e do trabalho em um ato de adoração.

✨ O Propósito: No blog Ponto de Graça, compartilho como é possível "alinhavar" a vida real com bom humor, técnica e muita fé.

"Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor." (Colossenses 3:23)

Comentarios

Ponto de Graça
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17/05/2026 22:47
muito bom
Sobre este blog
Bem-vindos ao meu "Caos Organizado"!
Olá! Eu sou a Sara Gitirana , e se você espera encontrar uma biografia linear, senta que lá vem história! Sou Cristã, filha do Rei e eterna aprendiz da graça. No dia a dia, desempenho o papel de esposa do Igor (meu maior incentivador) e mãe de uma menina linda que é, sem dúvida, meu projeto pedagógico mais desafiador e apaixonante.

Minha vida é um belo "mix" acadêmico e prático:
Sou formada em Pedagogia, com pós-graduações em Psicopedagogia Institucional, Letramento Infantil e, para não perder o costume de organizar tudo, Gestão Empresarial. Ou seja: eu tenho a teoria para educar, a técnica para entender a mente e a estratégia para gerir uma empresa... mas, por enquanto, decidi aplicar todo esse conhecimento na "Gestão do Lar" e na arte de não deixar a máquina de costura dar nó!

Atualmente, troquei (temporariamente) os livros de alfabetização pelas linhas e agulhas. No meu ateliê de ajustes e consertos, eu não apenas conserto roupas; eu devolvo a dignidade àquela calça favorita e faço milagres em zíperes rebeldes. Não exerço a profissão no quadro negro, mas sigo "costurando" histórias e "remendando" a vida com muito bom humor.

Aqui no blog, você vai encontrar um pouco de tudo: vida real, maternidade, empreendedorismo doméstico e as agulhadas (literais e figuradas) que a rotina nos dá.
"Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens." (Colossenses 3:23)

Às vezes, a gente acha que só serve a Deus quando está em grandes cargos ou exercendo diplomas importantes. Mas aprendi que o Reino de Deus também se manifesta no capricho de uma bainha bem feita, no almoço quentinho para a família e na paciência de ensinar as primeiras letras para uma criança. Onde quer que você esteja, sua dedicação é um ato de adoração.

Sinta-se em casa, a casa é nossa! 🧵✨
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