Aliados de Trump avaliam novas sanções contra Moraes após revelações do caso Vorcaro, dizem relatos
Aliados de Donald Trump avaliam o impacto de uma eventual nova pressão dos EUA contra Alexandre de Moraes após as revelações do caso Vorcaro. Eduardo Bolsonaro confirmou que pediu a retomada de sanções, mas a Casa Branca ainda não anunciou nova medida
As novas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já ultrapassaram as fronteiras brasileiras. Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltaram a discutir medidas contra o magistrado e passaram a avaliar como uma eventual nova rodada de pressão de Washington poderia repercutir politicamente no Brasil às vésperas das eleições.
A movimentação ocorre depois da divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e atribuídas a contatos mantidos com Moraes.
Segundo informações publicadas pela imprensa, integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro levaram as novas revelações ao conhecimento de interlocutores nos Estados Unidos e passaram a defender a retomada de medidas contra o ministro brasileiro.
Eduardo Bolsonaro confirma pedido por novas sanções
Uma parte importante dessa movimentação foi confirmada publicamente por Eduardo Bolsonaro.
O ex-deputado afirmou que ele e aliados solicitaram ao governo americano a retomada de sanções contra Alexandre de Moraes depois que vieram a público novos elementos relacionados ao caso Banco Master.
O grupo voltou a mencionar a utilização da Lei Magnitsky, instrumento da legislação americana que permite a imposição de sanções contra estrangeiros em determinadas circunstâncias.
A existência do pedido, entretanto, não significa que o governo Trump tenha decidido atendê-lo.
Até o momento, não há anúncio oficial da Casa Branca confirmando uma nova rodada de sanções contra Moraes.
Pesquisa mede efeito de eventual pressão americana
Outro movimento chama atenção.
Aliados de Donald Trump encomendaram uma pesquisa de opinião no Brasil para avaliar como uma eventual intensificação da pressão dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes poderia afetar a eleição presidencial.
O levantamento ouviu cerca de 2 mil brasileiros.
Entre as questões analisadas está justamente o possível impacto político de novas medidas americanas e se uma ofensiva contra Moraes poderia favorecer eleitoralmente Lula ou Flávio Bolsonaro.
A realização do levantamento indica preocupação com as consequências políticas de uma eventual decisão americana em um momento particularmente sensível para o Brasil.
Caso Vorcaro reacendeu pressão sobre Moraes
A nova movimentação internacional acontece depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O material revelou mensagens que a PF relacionou a Alexandre de Moraes.
Entre os registros divulgados estão contatos realizados pelo banqueiro durante o período em que o Banco Master enfrentava problemas e investigações.
Um dos episódios que provocaram maior repercussão ocorreu poucos dias antes da prisão de Vorcaro, quando o ex-banqueiro perguntou ao interlocutor identificado pela PF como Moraes se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.
Vorcaro acabou preso dois dias depois, quando se preparava para embarcar em um avião particular com destino a Malta.
As respostas de Moraes a determinadas mensagens não foram recuperadas, e o conteúdo conhecido até agora não permite concluir, isoladamente, que o ministro tenha avisado Vorcaro sobre sua prisão ou cometido alguma irregularidade.
Repercussão chegou à imprensa internacional
A crise também ganhou espaço fora do Brasil.
Veículos internacionais passaram a repercutir as mensagens e os questionamentos envolvendo Moraes e Vorcaro.
O episódio ocorre em um momento especialmente delicado porque faltam poucas semanas para a eleição presidencial brasileira.
Qualquer nova medida adotada por Washington contra uma autoridade brasileira poderia imediatamente entrar no debate eleitoral.
Por que aliados de Trump querem medir a reação dos brasileiros?
Esse é justamente um dos pontos mais interessantes da nova movimentação.
Sanções internacionais contra uma autoridade brasileira podem produzir efeitos políticos diferentes daqueles pretendidos por seus defensores.
Uma parcela dos eleitores pode interpretar uma eventual medida como pressão legítima contra Moraes.
Outra parcela pode enxergá-la como interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros.
É nesse contexto que ganha importância a pesquisa encomendada por aliados de Trump.
O levantamento pode ajudar interlocutores americanos a compreender se novas medidas teriam potencial para fortalecer a oposição brasileira ou, ao contrário, produzir uma reação nacionalista capaz de beneficiar Lula eleitoralmente.
Pressão acontece no pior momento para Moraes
A movimentação americana ocorre enquanto Alexandre de Moraes enfrenta crescente pressão dentro do próprio Brasil.
As mensagens de Vorcaro desencadearam uma crise no STF e abriram uma discussão sobre a possibilidade de aprofundamento das apurações.
A Procuradoria-Geral da República questionou a forma como André Mendonça conduziu determinadas diligências e pediu a nulidade das providências contestadas.
Mendonça, por sua vez, defende que os novos elementos sejam analisados pelo plenário do Supremo.
O episódio também reacendeu no Congresso pedidos para que o Senado analise processos de impeachment contra Moraes.
Além disso, jornais brasileiros passaram a cobrar publicamente explicações e providências diante das revelações.
Nova sanção ainda não está confirmada
Apesar da crescente movimentação política, é necessário fazer uma distinção fundamental.
Há pressão por novas sanções. Há pedidos apresentados por aliados de Bolsonaro. E existe uma pesquisa medindo o impacto de uma eventual nova ofensiva americana.
Mas isso é diferente de afirmar que Donald Trump ou a Casa Branca já decidiram aplicar novas medidas contra Alexandre de Moraes.
Até agora, nenhuma nova sanção decorrente das recentes revelações do caso Vorcaro foi oficialmente anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
Caso Banco Master ganha dimensão internacional
O que inicialmente estava concentrado nas investigações sobre o Banco Master transformou-se em uma crise envolvendo Polícia Federal, PGR, ministros do Supremo, Congresso, imprensa e agora novamente interlocutores políticos nos Estados Unidos.
A proximidade da eleição torna qualquer movimento ainda mais delicado.
Se Washington decidir adotar novas medidas, o impacto provavelmente não ficará limitado à relação entre o governo americano e Alexandre de Moraes.
Poderá abrir uma nova crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos e colocar o assunto diretamente no centro da campanha presidencial.
Por enquanto, a pergunta deixou de ser apenas se aliados de Bolsonaro querem novas sanções contra Moraes — isso já foi admitido publicamente. A questão agora é saber se Donald Trump e seu governo estarão dispostos a atender ao pedido justamente às vésperas da eleição brasileira.
Fontes
ICL Notícias; Metrópoles; Jovem Pan; Agência O Globo; reportagens sobre o relatório da Polícia Federal referente ao caso Banco Master e declarações públicas de Eduardo Bolsonaro.