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Conheça o “Mounjaro chinês”: nova caneta chega a 20% de perda de peso em estudo e chama atenção no mundo

Conheça o “Mounjaro chinês”: nova caneta chega a 20% de perda de peso em estudo e chama atenção no mundo

Conhecida como “Mounjaro chinês”, a mazdutida já foi aprovada na China e apresentou resultados expressivos de perda de peso. No Brasil, a novidade é a chegada dos primeiros genéricos de semaglutida.

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Mazdutida já foi aprovada na China e apresenta um mecanismo diferente de medicamentos como Mounjaro e Wegovy. Enquanto isso, Brasil acaba de entrar em uma nova fase com a aprovação de genéricos da semaglutida.


A corrida mundial pelos medicamentos contra obesidade ganhou um novo concorrente que começa a despertar atenção muito além da China.

Trata-se da mazdutida, medicamento desenvolvido pela chinesa Innovent Biologics em colaboração com a Eli Lilly e comercializado na China sob o nome Xinermei.

Nas redes sociais e em algumas publicações, a substância ganhou um apelido fácil de entender: “Mounjaro chinês”.

Mas existe uma diferença importante.

A mazdutida não é uma versão chinesa do Mounjaro e não contém tirzepatida. É uma molécula diferente, com mecanismo próprio e resultados que vêm chamando atenção em estudos clínicos.

O que é a mazdutida?

A mazdutida pertence à nova geração de medicamentos desenvolvidos para atuar sobre mecanismos hormonais relacionados à glicose, metabolismo, saciedade e peso corporal.

Ela é um agonista duplo dos receptores de GLP-1 e glucagon, conhecido pela sigla GCG.

Essa combinação diferencia a molécula de alguns dos medicamentos que se tornaram conhecidos mundialmente nos últimos anos.

A semaglutida, princípio ativo de produtos como Ozempic e Wegovy, atua principalmente como agonista do receptor de GLP-1.

Já a tirzepatida, presente no Mounjaro, atua sobre GIP e GLP-1.

A mazdutida combina GLP-1 e glucagon.

Por que o glucagon chama tanta atenção?

O GLP-1 já ficou conhecido pela capacidade de aumentar a saciedade, reduzir a ingestão de alimentos e auxiliar no controle da glicose.

A atuação adicional sobre o receptor de glucagon busca produzir efeitos complementares sobre o metabolismo energético.

É justamente essa combinação que tornou a mazdutida uma das moléculas mais observadas da nova geração de tratamentos metabólicos.

Segundo a Innovent, a mazdutida tornou-se o primeiro agonista duplo GCG/GLP-1 aprovado para controle de peso no mundo.

Medicamento já está aprovado na China

A mazdutida deixou de ser apenas um medicamento experimental.

Em 27 de junho de 2025, a Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA) aprovou o medicamento para controle crônico do peso em adultos chineses com obesidade ou sobrepeso dentro dos critérios estabelecidos.

A aprovação contempla adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 28 kg/m² ou a partir de 24 kg/m² quando existe pelo menos uma condição associada ao peso.

O tratamento deve ser associado a controle alimentar e aumento da atividade física.

Mazdutida também foi aprovada para diabetes tipo 2

Meses depois veio uma segunda autorização importante.

Em setembro de 2025, a autoridade sanitária chinesa também aprovou a mazdutida para controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2.

Com isso, o medicamento passou a possuir na China indicações tanto relacionadas ao controle do peso quanto ao diabetes.

Quanto peso os pacientes perderam?

É aqui que a mazdutida começa a despertar ainda mais interesse.

Um estudo de fase 3 publicado no New England Journal of Medicine avaliou adultos chineses com sobrepeso ou obesidade.

Após 48 semanas, a redução média do peso corporal foi de aproximadamente 11% no grupo que recebeu 4 mg e 14% entre os participantes que receberam 6 mg.

No grupo placebo, a variação média foi próxima de zero.

Quase metade dos participantes que receberam 6 mg conseguiu perder pelo menos 15% do peso corporal.

Nova dose apresentou resultados ainda maiores

A história avançou em 2026.

Uma dose de 9 mg está sendo estudada para pessoas com obesidade moderada a grave.

No estudo GLORY-2, apresentado em 2026, participantes tratados com a dose de 9 mg apresentaram redução média de aproximadamente 18,5% do peso após 60 semanas.

Entre participantes sem diabetes tipo 2, a redução média chegou a aproximadamente 20,1%.

Além disso, aproximadamente 44% dos participantes tratados com 9 mg perderam pelo menos 20% do peso corporal.

São números expressivos, mas existe uma ressalva fundamental: esses resultados pertencem a uma população específica acompanhada dentro de um estudo clínico e não significam que qualquer pessoa que utilize o medicamento perderá 20% do peso.

Ela é melhor que Mounjaro?

Ainda não é correto fazer essa afirmação.

Os números despertam interesse, mas comparar percentuais de estudos diferentes pode produzir conclusões enganosas.

Participantes, doses, duração do tratamento, critérios de inclusão e metodologias podem variar significativamente.

Para afirmar que um medicamento é superior a outro são especialmente importantes estudos desenhados para realizar uma comparação direta.

Portanto, o apelido “Mounjaro chinês” ajuda a explicar ao público em qual categoria de medicamentos a mazdutida está sendo colocada, mas não significa equivalência entre as duas substâncias.

Mounjaro e mazdutida são medicamentos diferentes

As diferenças ficam mais claras observando seus mecanismos:

Medicamento Princípio ativo Principais alvos Wegovy/Ozempic Semaglutida GLP-1 Mounjaro Tirzepatida GIP + GLP-1 Xinermei Mazdutida Glucagon + GLP-1

Essa diferença molecular é importante porque cada combinação procura atuar de maneira distinta sobre metabolismo, glicemia, apetite e peso corporal.

E os efeitos colaterais?

Assim como outros medicamentos dessa categoria, a mazdutida apresentou principalmente eventos adversos gastrointestinais durante os estudos.

Entre eles estão sintomas como náuseas, vômitos e diarreia.

No estudo publicado no New England Journal of Medicine, os eventos mais frequentes foram predominantemente classificados como leves ou moderados.

Isso não significa que o medicamento seja adequado para qualquer pessoa.

Medicamentos dessa classe exigem avaliação médica, especialmente diante de condições clínicas preexistentes e possíveis interações ou contraindicações.

O “Mounjaro chinês” já chegou ao Brasil?

Não.

A aprovação chinesa não autoriza automaticamente a comercialização do medicamento no Brasil.

Para ser vendido regularmente no país, um medicamento precisa passar pelo processo regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Até o momento, a mazdutida não possui registro sanitário brasileiro para comercialização.

Isso significa que anúncios na internet oferecendo “mazdutida brasileira”, “Mounjaro chinês autorizado no Brasil” ou produtos supostamente equivalentes precisam ser vistos com extrema cautela.

Enquanto a mazdutida não chega, Brasil acaba de ganhar outra novidade

Enquanto a nova molécula chinesa ainda permanece fora do mercado brasileiro, uma mudança importante acaba de acontecer por aqui.

Em 17 de agosto de 2026, a Anvisa anunciou o registro de novas canetas contendo semaglutida sintética.

Entre elas está um medicamento genérico produzido pela farmacêutica brasileira EMS.

Foi um marco importante porque abriu uma nova etapa de concorrência no mercado nacional de medicamentos dessa categoria.

EMS recebeu aprovação para semaglutida genérica

Segundo a própria Anvisa, a caneta genérica da EMS não possui nome comercial, justamente por se tratar de um medicamento genérico.

A agência também aprovou o Semaclique, medicamento similar registrado pela Germed.

Esses produtos utilizam como referência o Ozivy, medicamento de semaglutida que já havia sido registrado no país.

As novas canetas foram inicialmente aprovadas para tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e à atividade física.

Mas atenção: aprovação da EMS não significa um “Mounjaro genérico”

Esse ponto poderá gerar bastante confusão nas redes sociais.

A EMS não recebeu autorização para fabricar Mounjaro genérico.

O Mounjaro contém tirzepatida.

O medicamento aprovado para a EMS contém semaglutida.

São moléculas diferentes.

Também não se trata da mazdutida chinesa.

E uma segunda semaglutida genérica acaba de ser aprovada

A movimentação do mercado brasileiro está acontecendo rapidamente.

Nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, foi divulgada a aprovação de um segundo medicamento genérico de semaglutida no país, desta vez registrado pela Germed Farmacêutica.

Com duas fabricantes nacionais entrando nesse segmento, a expectativa é de aumento da concorrência no mercado brasileiro.

Isso pode deixar o tratamento mais barato?

Esse é um dos principais efeitos esperados da entrada dos genéricos.

A legislação brasileira estabelece regras específicas para a definição dos preços desses medicamentos, e genéricos tradicionalmente entram no mercado com preços inferiores aos produtos de referência.

Entretanto, registro sanitário não significa disponibilidade imediata na farmácia.

Depois da aprovação da Anvisa ainda existem etapas regulatórias e comerciais antes de o produto chegar efetivamente ao consumidor.

Uma corrida bilionária pelos medicamentos contra obesidade

Mounjaro, Wegovy e outros medicamentos transformaram completamente o mercado mundial de tratamentos metabólicos.

Agora, empresas chinesas também começam a disputar esse setor.

A Reuters informou em agosto de 2026 que companhias como Eli Lilly, Novo Nordisk, Pfizer e a própria Innovent estão intensificando suas estratégias no mercado chinês diante do crescimento da obesidade e da demanda por medicamentos da classe.

A mazdutida é particularmente importante porque demonstra que a próxima geração dessas terapias poderá envolver diferentes combinações hormonais, e não apenas medicamentos baseados exclusivamente no GLP-1.

O próximo passo pode ser uma nova geração de canetas

A mazdutida ainda possui um caminho considerável antes de eventualmente chegar ao mercado brasileiro.

Será necessário observar novos estudos, ampliação das doses aprovadas, experiência de uso no mundo real e eventual apresentação de pedido de registro em outros países.

Mas os resultados já obtidos ajudam a mostrar para onde o mercado está caminhando.

A primeira geração popularizou o GLP-1.

Depois vieram medicamentos capazes de atuar simultaneamente sobre dois receptores, como a tirzepatida.

A mazdutida aposta em outra combinação: GLP-1 + glucagon.

E outras moléculas ainda mais complexas estão em desenvolvimento ao redor do mundo.

Uma novidade chinesa que merece ser acompanhada

Chamar a mazdutida de “Mounjaro chinês” certamente desperta curiosidade, mas a ciência por trás do medicamento é mais interessante do que o próprio apelido.

Estamos diante de uma molécula diferente, com mecanismo próprio, que já recebeu aprovação na China e apresentou resultados relevantes de redução de peso em estudos clínicos.

Para o brasileiro, entretanto, a orientação permanece simples: a mazdutida ainda não está aprovada pela Anvisa e não deve ser tratada como medicamento regularmente disponível no país.

Enquanto isso, uma mudança concreta já começou dentro do Brasil.

A chegada dos primeiros genéricos de semaglutida abre uma nova disputa entre fabricantes e poderá modificar preços e acesso a tratamentos que, nos últimos anos, se tornaram alguns dos medicamentos mais procurados do mundo.

E essa história está apenas começando.


Fontes

Innovent Biologics; National Medical Products Administration da China (NMPA); New England Journal of Medicine; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Reuters; literatura científica sobre mazdutida.

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