Igreja usou dízimos e ofertas para construir casas para fiéis sem moradia; história volta a emocionar as redes
Uma igreja de Araruama usou dízimos e ofertas para construir quatro casas para membros sem moradia, contando ainda com trabalho voluntário e doações de materiais. O projeto é verdadeiro e voltou a viralizar em 2026, mas aconteceu originalmente em 2013.
Uma história de solidariedade vivida por uma igreja evangélica de Araruama, no Rio de Janeiro, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais. A Assembleia de Deus Ministério Lagoinha utilizou recursos provenientes de dízimos e ofertas para construir gratuitamente moradias destinadas a membros da própria comunidade que não tinham onde morar.
A iniciativa foi liderada pelo pastor Fábio Mendonça e chama atenção por um motivo simples: parte do dinheiro entregue pelos fiéis à igreja voltou diretamente para pessoas da congregação na forma de um teto para morar.
Mas existe um detalhe importante: apesar de a história estar circulando novamente em 2026, o projeto ganhou repercussão originalmente em agosto de 2013.
Quatro casas construídas em apenas quatro meses
Na época, Fábio Mendonça liderava uma congregação com aproximadamente 200 membros no bairro Outeiro, em Araruama.
Além do ministério pastoral, ele trabalhava como sargento da Polícia Militar na região de Cabo Frio e contou que aproveitou conhecimentos adquiridos na área de manutenção para ajudar a colocar o projeto de pé.
O pastor não ficou apenas administrando os recursos.
Ele próprio participou dos trabalhos, inclusive ajudando na fundação das moradias.
Em quatro meses, quatro casas foram construídas.
Além de Mendonça, três pedreiros trabalhavam voluntariamente durante os fins de semana para ajudar nas obras.
Duas senhoras chegaram a dormir dentro da igreja
Um dos relatos mais marcantes da história envolve duas mulheres que ainda aguardavam uma moradia.
Enquanto novas quitinetes eram construídas, as duas estavam alojadas dentro da própria igreja.
Uma delas dormia no espaço que anteriormente funcionava como gabinete pastoral. A outra estava instalada na sala utilizada pelas crianças.
O projeto pretendia construir outras quatro quitinetes para atender pessoas que ainda necessitavam de moradia.
Uma beneficiada contou o que significou receber a casa
Entre as pessoas atendidas estava Andréa Silva Rocha.
Ao falar sobre a ajuda recebida, ela resumiu a importância que aquela casa teve em sua vida:
“Fui amparada na hora que mais precisei, hoje tenho a segurança de um lar.”
As casas eram destinadas às famílias em situação de vulnerabilidade sem cobrança dos beneficiados.
Igreja começou a participar ainda mais
O projeto acabou provocando uma reação dentro da própria comunidade.
À medida que os membros viam as casas sendo construídas, começaram a aparecer outras formas de contribuição.
Segundo Fábio Mendonça, não foi necessário organizar uma campanha específica para pedir materiais.
Um membro apareceu com mil tijolos. Outro doou duas pias.
Aos poucos, dinheiro, materiais e trabalho voluntário se transformaram em paredes, telhados e casas para quem antes não possuía um lar.
Pastor também recebeu críticas
A iniciativa não passou sem questionamentos.
Fábio contou que outros pastores chegaram a perguntar se ele não estaria assumindo trabalho demais ao colocar a igreja diretamente na construção de moradias.
Ele, entretanto, defendia uma visão bastante objetiva sobre a função da igreja.
Para Mendonça, uma comunidade cristã não deveria enxergar apenas as necessidades espirituais de seus membros, mas também perceber quando alguém não tinha condições de suprir necessidades básicas.
Na ocasião, ele fez um alerta:
“As igrejas devem ficar mais atentas à necessidade do povo. Sejam elas materiais ou espirituais.”
O pastor também declarou que o projeto não tinha finalidade eleitoral e afirmou não possuir interesse político.
Uma história de 2013 que voltou a viralizar em 2026
Mais de uma década depois, a história voltou a aparecer nas redes sociais e em páginas de notícias.
Publicações recentes voltaram a destacar a utilização de dízimos e ofertas para construir casas, levando muita gente a acreditar que o episódio teria acabado de acontecer.
O projeto é real, mas os registros originais encontrados são de agosto de 2013.
Isso, porém, não diminui o significado da iniciativa.
O caso continua despertando atenção justamente porque toca em uma discussão frequente entre cristãos: de que maneira os recursos de uma igreja podem ser utilizados para cuidar das pessoas que estão ao seu redor?
Fé transformada em ajuda concreta
Naquele pequeno projeto em Araruama, a resposta apareceu de maneira bastante prática.
Havia pessoas sem casa. A igreja tinha recursos. Alguns tinham conhecimento de construção. Outros podiam trabalhar. Outros tinham tijolos, pias ou simplesmente disposição para ajudar.
E cada um contribuiu com aquilo que podia.
O resultado foram famílias deixando uma situação de vulnerabilidade para ter a segurança de um lar.
Treze anos depois, talvez seja justamente por isso que a história esteja voltando a circular: em meio a tantas discussões sobre religião nas redes sociais, um episódio simples mostrou uma igreja tentando colocar em prática aquilo que pregava.
Fontes
Reportagens publicadas em agosto de 2013; Gospel+; Assembleia de Deus no Estado de Alagoas; registros posteriores sobre o projeto; Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).