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MATTHEW HENRY: UM MÉTODO PARA A ORAÇÃO - PREFÁCIO — AO LEITOR1

Não há dever da religião cristã mais necessário, mais excelente, mais proveitoso e mais doce do que a oração. Por ela, a alma mantém comunhão com Deus; por ela, damos glória ao Seu nome; por ela, obtemos misericórdias de...

08/04/2026 Fundamentos da Fé Daniel Lopes Petersen 28 leitura(s)
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Publicado em
08/04/2026 21:27
Blog
Fundamentos da Fé
Autor
Daniel Lopes Petersen
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Não há dever da religião cristã mais necessário, mais excelente, mais proveitoso e mais doce do que a oração. Por ela, a alma mantém comunhão com Deus; por ela, damos glória ao Seu nome; por ela, obtemos misericórdias de Sua mão; e por ela se conservam vivos em nós o senso de dependência, a fé, o arrependimento e o santo temor.

E, contudo, embora a oração seja dever tão claro e tão frequente, muitos há que ou a negligenciam quase por completo, ou a desempenham de modo tão frio, desordenado, superficial e irrefletido, que pouco se percebe nela da verdadeira natureza dessa santa ordenança.

Alguns deixam de orar por completo, como se pudessem viver sem Deus no mundo. Outros oram apenas em tempos de angústia, como quem deseja Seu socorro, mas não Sua comunhão. Outros ainda conservam a prática exterior da oração, mas a reduzem a palavras costumeiras, sem vida, sem afeto espiritual, sem atenção do entendimento e sem verdadeira elevação do coração ao Senhor.

É, pois, de grande utilidade que os cristãos, especialmente os mais fracos, menos instruídos ou menos exercitados neste santo dever, sejam ajudados não somente a reconhecer a necessidade da oração, mas também a aprender como devem orar.

Não pretendo aqui impor formas à devoção cristã, como se o Espírito de graça e de súplicas pudesse ser restringido a um método humano; mas desejo oferecer algum auxílio à fraqueza daqueles que sinceramente desejam aproximar-se de Deus com mais entendimento, ordem, substância e reverência.

Pois, embora não se deva reduzir a oração a mera forma, tampouco se deve desprezar toda ajuda à ordem e à direção nela. Assim como não é o livro que faz o pregador, também não é a forma que faz o homem de oração; mas, assim como bons auxílios podem ser úteis ao estudante diligente, também um método sóbrio pode ser útil à alma sincera que deseja aprender a derramar-se diante de Deus.

O propósito desta obra é, portanto, reunir e ordenar, a partir da própria linguagem das Escrituras, matéria adequada para a oração; para que aqueles que desejam aproximar-se de Deus possam ser ajudados a fazê-lo de modo mais bíblico, mais abundante, mais espiritual e mais conforme ao padrão da Palavra de Deus.

Pois certamente não há palavras tão apropriadas para falarmos com Deus quanto aquelas que Ele mesmo nos deu em Sua Palavra. Quando a Escritura fornece matéria para nossa adoração, confissão, súplica, ação de graças e intercessão, ela nos ensina não somente o que devemos pedir, mas também, em grande medida, como devemos pedir.

A Bíblia é não apenas a regra de nossa fé, mas também um grande diretório de nossa devoção. Nela temos não somente mandamentos para orar, mas promessas para nos encorajar, exemplos para nos instruir e expressões santas para nos auxiliar no exercício desse dever.

Se alguém disser que a oração deve proceder inteiramente de movimentos presentes e imediatos do coração, e que, portanto, qualquer direção anterior é desnecessária, respondo que o mesmo poderia ser dito da pregação, da meditação e de muitos outros deveres espirituais, os quais, contudo, não são prejudicados, mas antes auxiliados, por preparação sóbria e piedosa.

O coração deve, sem dúvida, estar vivo na oração; mas isso não torna inútil o santo labor de recolher matéria, ordenar pensamentos, enriquecer a mente com a linguagem da Escritura e preparar-se para aproximar-se de Deus de modo menos confuso e mais reverente.

Muitos crentes sinceros, especialmente em tempos de abatimento, tentação, fraqueza espiritual ou pouca liberdade interior, são grandemente ajudados quando têm diante de si alguma direção segura que lhes recorde quais assuntos devem levar ao trono da graça.

E mesmo aqueles que já têm maior exercício na oração podem ainda tirar proveito de uma coleta ordenada de expressões bíblicas, tanto para avivar sua devoção quanto para ampliar sua percepção da variedade e da plenitude da matéria que convém apresentar diante de Deus.

Se esta pequena obra puder ser útil para despertar alguns à oração, ajudar outros a orar melhor, conduzir alguns a maior reverência e substância espiritual, ou familiarizar mais profundamente o povo de Deus com a linguagem da Escritura em seus exercícios devocionais, então seu propósito terá sido suficientemente alcançado.

E, se o Senhor Se dignar abençoá-la para promover comunhão mais íntima com Ele, maior constância no dever secreto, maior seriedade no culto doméstico, ou mais santa liberdade nas devoções públicas e particulares, haverá nisso causa suficiente para gratidão.

Não peço ao leitor que receba este método como regra absoluta, nem que se prenda servilmente às mesmas expressões aqui recolhidas; mas que o use com liberdade cristã, discrição espiritual e santo discernimento, segundo sua condição, necessidade e medida de graça.

Que ninguém suponha que basta tomar palavras santas nos lábios, se o coração continuar frio, distante, orgulhoso ou impenitente diante de Deus. Melhor é uma oração curta e sincera, procedente de um coração quebrantado, do que longa multiplicação de palavras em que a alma pouco ou nada trata verdadeiramente com o Senhor.

Ainda assim, também é verdade que a alma deve ser educada para a oração. Assim como os homens aprendem a falar em outros assuntos pelo uso, pela observação e pelo exercício, também convém que aprendam a falar com Deus por meio da Palavra de Deus, sob a direção de Seu Espírito.

Portanto, leitor cristão, se desejas tirar proveito desta obra, não a uses apenas como coleção de frases, mas como auxílio para despertar afeições santas, ordenar tua mente, enriquecer tua devoção e conduzir-te a trato mais íntimo, mais humilde e mais constante com o Deus de toda graça.

E que o Senhor, que derrama espírito de graça e de súplicas sobre Seu povo, te ensine Ele mesmo a orar; pois, afinal, não é o método, mas a graça; não é a forma, mas o Espírito; não é a abundância de palavras, mas a verdade do coração, que faz a oração aceitável diante de Deus, por meio de Jesus Cristo.

NOTAS DE TRADUÇÃO

“Method”: Mantido como método, no sentido clássico de ordem útil para a devoção, e não de fórmula mecânica ou esquema rígido.

Linguagem da Escritura como matéria da oração: Preservou-se a ênfase de Henry de que a Escritura não é apenas regra de fé, mas também fonte, matéria e linguagem da oração cristã.

Anti-formalismo sem desprezo da ordem: O prefácio conserva uma tensão central da espiritualidade puritana: rejeição do formalismo morto, sem rejeição do preparo, da ordem e da direção piedosa no exercício da oração.

“Spirit of grace and supplication”: Vertido como espírito de graça e de súplicas, preservando a ressonância bíblica e devocional clássica.

“Secret duty” / “secret prayer”: Conforme o contexto, preferem-se formas como dever secreto ou oração secreta, em referência à devoção pessoal e reservada diante de Deus.

“Thanksgivings”: No campo devocional do livro, opta-se por ação de graças como forma principal em português, por maior estabilidade teológica e editorial.


versão final editorial em português brasileiro²

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¹ Fonte principal (edição original):
HENRY, Matthew. A method for prayer, with Scripture expressions proper to be us’d under each head. London, 1710. Disponível em: <https://archive.org/details/bim_eighteenth-century_a-method-for-prayer-wit_henry-matthew_1710\>
. Acesso em: 15 mar. 2024.

² Edição posterior para conferência textual e leitura corrida:
HENRY, Matthew. A method for prayer: with scripture expressions, proper to be used under each head; with directions for daily communion with God; showing how to begin, how to spend, and how to close every day with God; to which is now added A discourse concerning meekness and quietness of spirit. Glasgow: D. Mackenzie, 1834. Disponível em: <https://archive.org/details/a587258300henruoft\>
. Acesso em: 15 mar. 2024.

³ Conferência complementar de estrutura editorial moderna:
HENRY, Matthew. A Method for Prayer (Devotional eBook). Ed. Aaron Sturgill. Monergism, [s.d.]. Disponível em: <https://www.monergism.com/method-prayer-ebook\>
. Acesso em: 15 mar. 2024.

Observação do Tradutor: O presente projeto de tradução da obra A Method for Prayer, de Matthew Henry, encontra-se em fase final, após 5 meses e 18 dias de trabalho contínuo.

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Daniel Lopes Petersen
Sobre o autor
Daniel Lopes Petersen
eng.danielpetersen@gmail.com
Porto Velho - RO
Membro desde 03/2026

Salvo pela graça e sustentado pela misericórdia de Deus. É casado com Liviane Garcia há mais de 16 anos e pai das gêmeas Júlia e Rebeca. Serve como diácono na Igreja Presbiteriana Aliança Reformada e atua no ensino bíblico, especialmente aos noviços na fé, na classe de Catecúmenos da EBD, tendo também contribuído em classes como Panorama do Novo Testamento e Cosmovisão Cristã. Com formação em tecnologia, educação e teologia, procura unir reflexão séria, fidelidade bíblica e serviço cristão.

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