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Cury quer taxar big techs como cigarro, reduzir ministérios e admite manter ministro de Lula no governo

Cury quer taxar big techs como cigarro, reduzir ministérios e admite manter ministro de Lula no governo

Augusto Cury defende taxação pesada das big techs e bets, redução para nove ministérios e admite manter José Múcio, atual ministro da Defesa, em eventual governo.

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O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defendeu uma tributação elevada sobre as grandes empresas de tecnologia, comparando o impacto das redes sociais à dependência provocada pelo cigarro. O escritor e psiquiatra também afirmou que poderia manter José Múcio Monteiro, atual ministro da Defesa do governo Lula, em uma eventual gestão, além de defender mudanças profundas na estrutura do governo e no Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações foram feitas durante uma sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN na sexta-feira (28).

Cury apresentou uma combinação de propostas que chama atenção: ao mesmo tempo em que rejeita maior controle sobre as redes sociais, defende uma tributação pesada sobre as empresas responsáveis pelas plataformas.

Big techs poderiam ser taxadas como cigarro

Ao ser questionado sobre as redes sociais, Cury afirmou ser contrário ao controle das plataformas, classificando a internet como um ambiente de liberdade.

Entretanto, defendeu que empresas do setor sejam fortemente tributadas devido aos possíveis impactos do uso excessivo das plataformas sobre a saúde mental.

“Não sou a favor de controlar as redes sociais, é um ambiente de liberdade. Temos que taxar [as plataformas] em níveis como se fosse cigarro.”

Cury argumentou que a tributação deveria atingir as empresas responsáveis pelas plataformas, e não os influenciadores que produzem conteúdo.

Ele mencionou especificamente empresas como a Meta e plataformas como o TikTok.

A proposta, segundo o candidato, partiria do princípio de que produtos capazes de provocar elevada dependência deveriam receber uma tributação maior.

Bets também entrariam na mira

O mesmo raciocínio seria aplicado às plataformas de apostas on-line.

Cury colocou as bets no mesmo debate sobre dependência comportamental e defendeu tributação elevada sobre esse mercado.

O candidato relacionou sua proposta principalmente aos efeitos psicológicos que esses serviços podem produzir sobre seus usuários.

Cury fala em responsabilizar executivos

A proposta não ficaria limitada à cobrança de impostos.

Durante a sabatina, Cury também defendeu que executivos das grandes empresas de tecnologia possam ser responsabilizados quando as plataformas estiverem relacionadas a danos graves à saúde mental de crianças e adolescentes.

O candidato chegou a citar nominalmente Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e afirmou que poderia buscar responsabilização internacional de executivos do setor.

Segundo Cury, casos envolvendo automutilação e tentativas de suicídio de crianças e adolescentes deveriam resultar em consequências financeiras severas para empresas caso fosse comprovada sua responsabilidade.

Redes sociais e crianças

Formado em medicina e conhecido nacionalmente por seus livros relacionados à psicologia e ao comportamento humano, Cury dedicou parte da entrevista aos efeitos das redes sociais sobre crianças e adolescentes.

Ele afirmou que as plataformas podem provocar elevada dependência psicológica e sugeriu que famílias adotem períodos de “detox digital”.

Uma das ideias mencionadas seria impedir ou reduzir significativamente o acesso de crianças às redes sociais durante os finais de semana.

A preocupação com os efeitos das plataformas digitais sobre menores não é exclusiva do candidato. O assunto vem sendo discutido internacionalmente por governos, pesquisadores, famílias e empresas de tecnologia.

José Múcio poderia permanecer no governo

Outra declaração que chamou atenção ocorreu quando Cury começou a falar sobre a formação de um eventual governo.

Apesar de fazer críticas frequentes à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato disse admirar José Múcio Monteiro, atual ministro da Defesa.

Cury indicou que Múcio é um dos nomes que poderiam fazer parte de sua administração caso vença a eleição presidencial.

Ele também citou positivamente o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

A declaração indica que Cury pretende formar uma eventual equipe ministerial considerando nomes de diferentes grupos políticos, sem necessariamente limitar suas escolhas aos integrantes do Avante ou aos atuais aliados de campanha.

Apenas nove ministérios

Uma das propostas mais ambiciosas apresentadas pelo candidato é uma redução significativa do tamanho da Esplanada dos Ministérios.

Cury afirmou que pretende trabalhar com apenas nove ministérios.

O candidato, porém, não detalhou durante a entrevista toda a reorganização administrativa necessária para concentrar as atuais estruturas federais em apenas nove pastas.

Uma mudança dessa dimensão exigiria a incorporação ou extinção de diversos ministérios e redistribuição de órgãos, servidores, programas e orçamentos.

Influenciadores nas embaixadas

Cury apresentou ainda uma ideia pouco convencional para a política externa brasileira.

O presidenciável disse que pretende aproveitar influenciadores digitais em países considerados estratégicos para ajudar na promoção da imagem do Brasil.

A proposta seria utilizar a capacidade de comunicação dessas personalidades como instrumento complementar de divulgação do país no exterior.

Cury também quer mudar o STF

As propostas do candidato não ficaram restritas ao Poder Executivo.

Cury voltou a defender uma ampla reforma no Supremo Tribunal Federal.

Entre as mudanças apresentadas estão a redução da Corte dos atuais 11 para nove ministros e a criação de mandatos de oito anos, encerrando o atual modelo em que ministros permanecem no tribunal até a aposentadoria compulsória, salvo saída antecipada.

O candidato também defende que dois terços dos integrantes do STF sejam magistrados de carreira.

Outra regra proposta impediria a indicação de pessoas que tenham exercido cargos políticos ou mantido filiação partidária nos cinco anos anteriores.

Para as duas próximas vagas que surgissem na Corte durante um eventual governo, Cury afirmou que indicaria duas mulheres.

Condenações do 8 de Janeiro também seriam analisadas

Outro assunto abordado pelo presidenciável foram as condenações relacionadas aos acontecimentos de 8 de Janeiro de 2023.

Cury ainda não assumiu uma posição definitiva sobre uma anistia.

Em vez disso, afirmou que pretende criar uma comissão formada por juristas brasileiros e estrangeiros para analisar os processos.

O objetivo, segundo ele, seria verificar a existência de eventuais vícios processuais, avaliar juridicamente a caracterização de tentativa de golpe e analisar se determinadas penas foram proporcionais.

Cury citou especificamente o caso de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, afirmando considerar que houve condenações desproporcionais.

“Mente capitalista e coração social”

Ao tentar definir sua posição política, Cury apresentou uma expressão que resume parte de sua estratégia eleitoral.

O candidato afirmou possuir uma “mente capitalista” e um “coração social”.

Entre os princípios que associa ao capitalismo, mencionou empreendedorismo, meritocracia, liberdade de expressão, defesa da família e redução do tamanho do Estado.

Ao mesmo tempo, procura incorporar propostas sociais e afirma não querer limitar sua candidatura à divisão tradicional entre esquerda e direita.

As declarações mostram que Cury tenta construir uma candidatura com propostas próprias em meio à polarização da eleição presidencial de 2026.

Taxar fortemente as big techs sem controlar as redes sociais, reduzir drasticamente o número de ministérios, reformar o STF e manter integrantes do atual governo estão entre as propostas com as quais o candidato pretende apresentar essa alternativa ao eleitorado.


Fontes

Metrópoles; SBT News; Estadão/Agência Estado; sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN.

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