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“Eu quero que Flávio seja preso”: Renan Santos rompe com ato de 7 de Setembro e sobe o tom contra Bolsonaro

“Eu quero que Flávio seja preso”: Renan Santos rompe com ato de 7 de Setembro e sobe o tom contra Bolsonaro

A disputa pela Presidência da República dentro do próprio campo da direita ganhou um novo capítulo às vésperas do 7 de Setembro. O candidato Renan Santos (Missão) afirmou que não participará das manifestações ao lado de...

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A disputa pela Presidência da República dentro do próprio campo da direita ganhou um novo capítulo às vésperas do 7 de Setembro. O candidato Renan Santos (Missão) afirmou que não participará das manifestações ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) e elevou drasticamente o tom contra o adversário, chegando a dizer que deseja vê-lo preso.

A declaração foi feita em vídeos publicados nas redes sociais depois que seguidores cobraram Renan pela ausência de uma convocação para os atos marcados para o Dia da Independência.

Ao responder, o candidato deixou claro que sua decisão não representa simplesmente uma divergência de estratégia eleitoral.

“Eu quero que o Flávio seja preso. Se eu ganho a eleição, eu vou prender o Flávio.”

Renan também afirmou que não pretende participar de manifestações ao lado do senador.

“Eu não vou sair na rua com ele”

Renan Santos disse que considera grave o momento político vivido pelo país e reconheceu que a população deveria se manifestar diante das recentes revelações.

Mas afirmou que não pretende fazer isso ao lado de Flávio Bolsonaro.

Em sua declaração, Renan chamou o adversário de “ladrão” e associou o senador ao escândalo envolvendo o Banco Master.

Segundo o candidato:

“O Flávio está envolvido no escândalo do Banco Master. Eu quero que o Flávio seja preso. Se eu ganho a eleição, eu vou prender o Flávio. Eu não vou sair na rua com ele.”

As palavras representam acusações e avaliações políticas feitas por Renan Santos.

Não existe, nessas declarações, uma decisão judicial estabelecendo que Flávio Bolsonaro tenha cometido crime relacionado ao Banco Master.

O que liga Flávio ao caso Master?

A ofensiva de Renan tem como pano de fundo as revelações sobre contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Flávio confirmou ter procurado o banqueiro em busca de financiamento privado para “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Reportagens sobre o episódio revelaram negociações milionárias envolvendo o projeto.

Flávio sustenta que se tratava de uma produção privada e nega irregularidades.

A existência de contatos, pedidos de financiamento ou transferências relacionadas ao filme não permite concluir automaticamente que o senador tenha participado das irregularidades investigadas no Banco Master.

Renan já vinha atacando Flávio pelo caso

O confronto não começou agora.

Em maio, depois da divulgação de conversas entre Flávio e Vorcaro, o partido Missão anunciou que pediria a cassação do mandato do senador no Conselho de Ética.

A legenda também anunciou uma representação ao Ministério Público Eleitoral para que fosse investigada a origem dos recursos destinados à produção cinematográfica.

Desde então, Renan passou a utilizar o caso Master como uma de suas principais armas políticas contra o candidato do PL.

No primeiro debate presidencial, em agosto, voltou a atacar Flávio e chegou a afirmar que a eleição estaria sendo disputada dentro de um sistema influenciado pelo escândalo do Master.

Renan acusa família Bolsonaro de se apropriar do 7 de Setembro

A crítica foi além de Flávio.

Renan atacou a utilização política do Dia da Independência pela família Bolsonaro e afirmou que o grupo estaria novamente transformando a data nacional em instrumento para defender seus próprios interesses.

Em sua avaliação, seria mais uma repetição de manifestações realizadas em anos anteriores.

A declaração ocorre enquanto Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e outras lideranças da direita convocam apoiadores para manifestações neste 7 de Setembro.

O ato na Avenida Paulista deverá ter entre seus principais temas críticas ao ministro Alexandre de Moraes e repercussões da crise envolvendo o Banco Master.

“Não vou com ninguém que defenda o Xandão”

Renan também estabeleceu outra condição.

Segundo ele, não participará de manifestações ao lado de pessoas que defendam Alexandre de Moraes.

A declaração evidencia a estratégia do candidato de tentar ocupar uma posição própria dentro da oposição, atacando simultaneamente personagens ligados ao governo Lula, ao STF e à família Bolsonaro.

Nos últimos dias, Renan também protocolou pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Nós já fizemos quatro atos”

O candidato aproveitou o vídeo para responder diretamente aos seguidores que cobravam uma manifestação organizada pelo Missão.

Renan afirmou que seu grupo já realizou quatro atos relacionados ao escândalo do Banco Master.

E admitiu que o resultado ficou muito abaixo do esperado.

Segundo ele, as manifestações tiveram baixa adesão, apesar das cobranças feitas posteriormente nas redes sociais para que novos protestos fossem convocados.

Renan classificou como “infantilidade” cobrar manifestações e depois não comparecer aos eventos.

O candidato disse que somente pretende convocar um novo ato caso exista perspectiva concreta de grande participação popular.

Direita chega dividida ao 7 de Setembro

A declaração expõe uma divisão cada vez mais evidente entre os candidatos que disputam votos do eleitorado de direita.

Flávio Bolsonaro procura manter a base política construída pelo pai e transformar as manifestações de 7 de Setembro em uma demonstração de força durante a campanha presidencial.

Renan Santos tenta seguir outro caminho.

Em vez de se unir ao grupo bolsonarista contra Lula e Moraes, passou a incluir a própria família Bolsonaro entre os alvos de suas críticas.

Essa estratégia cria uma situação incomum: candidatos que compartilham críticas ao governo Lula e a integrantes do Supremo agora travam uma disputa pública cada vez mais agressiva entre si.

Presidente não pode simplesmente mandar prender adversário

Existe também uma correção jurídica necessária na declaração de Renan.

Mesmo que seja eleito presidente da República, ele não teria poder constitucional para simplesmente determinar a prisão de Flávio Bolsonaro.

Prisões dependem das hipóteses previstas em lei e, fora situações como flagrante, de decisões das autoridades judiciais competentes, respeitando investigação, contraditório, ampla defesa e devido processo legal.

O presidente da República não possui autoridade para ordenar unilateralmente a prisão de um adversário político.

Assim, quando Renan afirma “se eu ganho a eleição, eu prendo o Flávio”, a declaração deve ser compreendida como retórica política do candidato, e não como descrição de uma competência presidencial.

Renan diz que abriria mão até da própria candidatura

Em outro trecho da manifestação, Renan ampliou ainda mais o confronto.

Segundo o candidato, estaria disposto até mesmo a retirar sua candidatura à Presidência caso isso significasse derrubar aquilo que considera parte do atual sistema político.

Ao fazer a declaração, citou Lula, integrantes da família Bolsonaro e Alexandre de Moraes.

O discurso reforça a tentativa do candidato do Missão de apresentar sua campanha como uma alternativa simultaneamente ao lulismo e ao bolsonarismo.

Disputa na direita vira confronto aberto

O episódio revela como a eleição presidencial de 2026 está reorganizando antigas alianças e adversidades.

Há poucos dias, Flávio Bolsonaro chegou a manifestar solidariedade a Renan depois das restrições impostas pelo ministro Dias Toffoli à campanha do candidato do Missão.

Isso, entretanto, não impediu Renan de voltar sua artilharia contra o senador.

Agora, às vésperas de uma das datas historicamente mais utilizadas pelo bolsonarismo para mobilizar sua base, Renan decidiu ficar fora.

E não deixou qualquer dúvida sobre o motivo.

“Eu não vou sair na rua com ele.”

O 7 de Setembro ainda nem chegou, mas a declaração mostra que, em 2026, a disputa pelo eleitorado de direita já não acontece apenas contra Lula.

Ela acontece também dentro da própria direita — e Renan Santos acaba de transformar Flávio Bolsonaro em um de seus principais adversários.


Fontes

Poder360; declarações públicas de Renan Santos nas redes sociais; SBT News; Metrópoles; informações públicas sobre as eleições de 2026 e as investigações relacionadas ao Banco Master.

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