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“O Estado faz parte do crime”: Mônica Benício diz que organizações criminosas já alcançaram estruturas políticas do Rio

“O Estado faz parte do crime”: Mônica Benício diz que organizações criminosas já alcançaram estruturas políticas do Rio

Mônica Benício afirmou que o avanço do crime organizado no Rio ultrapassou a ideia de um simples “Estado paralelo”. A candidata ao Senado defende atingir também o braço financeiro e eventuais conexões políticas de facções e milícias.

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A candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro Mônica Benício (PSOL) fez uma avaliação contundente sobre o avanço do crime organizado no estado. Para a vereadora, a presença de facções e milícias em estruturas políticas e econômicas chegou a um estágio em que já não seria suficiente falar simplesmente na existência de um “Estado paralelo”.

Em declaração atribuída a uma entrevista divulgada por O Globo, Mônica resumiu sua avaliação em uma frase:

“Não existe mais Estado paralelo, o Estado faz parte do crime.”

A afirmação representa a análise política da candidata sobre a infiltração de organizações criminosas em estruturas públicas do Rio de Janeiro e não significa, evidentemente, que todas as instituições ou agentes públicos estejam envolvidos com o crime.

A declaração acontece em plena campanha eleitoral, quando segurança pública voltou a ocupar posição central na disputa pelas duas vagas do Rio no Senado.

Mônica quer atingir o dinheiro do crime

A candidata do PSOL vem defendendo uma mudança na estratégia utilizada para enfrentar facções e milícias.

Na avaliação de Mônica, operações policiais realizadas dentro de comunidades podem combater a ponta armada das organizações, mas são insuficientes para desmontar estruturas criminosas mais complexas.

Ela defende que as autoridades investiguem também o fluxo financeiro, os empresários, agentes públicos e outros personagens que eventualmente financiem, protejam ou obtenham lucros com atividades criminosas.

Durante sabatina realizada recentemente, a candidata defendeu justamente o aprofundamento das investigações financeiras.

Para Mônica, o Estado precisa chegar ao dinheiro que mantém essas organizações funcionando.

“Perseguir o braço financeiro do crime”

A mesma posição apareceu durante o debate entre candidatos ao Senado promovido por O Dia e pela OAB-RJ.

Mônica afirmou que o enfrentamento ao crime organizado precisa alcançar sua estrutura financeira.

Durante o debate, declarou:

“Vemos a ocupação da política institucional como ferramenta de controle e organização do crime organizado.”

A candidata relacionou o problema à presença de interesses criminosos dentro da própria política e defendeu mais inteligência, investigação financeira e combate à corrupção.

Para ela, concentrar a política de segurança apenas no confronto armado dentro das favelas significa combater uma parte do problema enquanto estruturas econômicas e políticas continuam funcionando.

Crime organizado não está apenas nas favelas, diz candidata

Essa não é uma posição nova na campanha de Mônica Benício.

Em entrevista concedida em julho, quando apresentava suas propostas para o Senado, ela já havia criticado a ideia de identificar o crime organizado exclusivamente com homens armados nas comunidades.

A vereadora argumentou que personagens importantes das organizações criminosas podem atuar longe das áreas dominadas por facções e milícias.

Segundo ela, os “verdadeiros operadores” também podem estar de “colarinho branco” e ocupar espaços da política institucional.

A tese defendida por Mônica é que organizações criminosas modernas precisam de dinheiro, empresas, lavagem de recursos, informações privilegiadas, influência e proteção para manter estruturas de grande porte.

O Rio realmente enfrenta infiltração do crime na política?

Apesar do tom contundente da declaração, o problema levantado pela candidata possui precedentes documentados no estado.

Investigações conduzidas ao longo dos últimos anos já apontaram relações entre milicianos, organizações criminosas, agentes públicos e personagens da política fluminense.

Casos envolvendo corrupção policial, exploração ilegal de serviços, lavagem de dinheiro e influência política ajudaram a transformar as milícias em organizações com atuação muito mais ampla do que grupos armados responsáveis pelo controle territorial.

Essas estruturas passaram a explorar atividades como transporte clandestino, venda irregular de imóveis, fornecimento de serviços e outras fontes de receita em determinadas regiões.

Isso não permite generalizar e afirmar que o Estado do Rio, como um todo, integra organizações criminosas.

Mas demonstra por que a relação entre crime organizado, agentes públicos e política tornou-se um dos principais desafios de segurança institucional do estado.

Marielle aparece no discurso de Mônica

O tema possui ainda uma dimensão pessoal e política para a candidata.

Mônica Benício era companheira da vereadora Marielle Franco, assassinada juntamente com o motorista Anderson Gomes em março de 2018.

Durante o debate promovido por O Dia e pela OAB-RJ, Mônica mencionou o caso ao defender sua visão sobre segurança pública.

Segundo ela, o assassinato de Marielle expôs relações entre política, milícia e agentes ligados à segurança pública.

As investigações sobre o crime avançaram durante anos e resultaram em denúncias e processos contra diferentes envolvidos.

Segurança pública vira tema central da disputa pelo Senado

A discussão ocorre em uma eleição especialmente importante para o Senado.

Em 2026, cada estado escolherá dois senadores, o que significa uma renovação de dois terços da Casa.

No Rio, Mônica disputa espaço com nomes como Benedita da Silva, Carlos Jordy, Carlos Portinho, Marcelo Crivella, Pedro Paulo e outros candidatos.

A disputa permanece aberta.

Pesquisa Datafolha divulgada em agosto mostrou Benedita na liderança, com 15%, enquanto um grupo de candidatos aparecia tecnicamente empatado na disputa seguinte. Mônica registrava 6% naquele levantamento.

Uma proposta diferente para a segurança pública

A posição de Mônica também evidencia diferenças ideológicas entre os candidatos.

Enquanto adversários defendem endurecimento de penas, aumento do policiamento e maior participação das forças de segurança, a candidata do PSOL concentra seu discurso no rastreamento financeiro das organizações, inteligência policial e combate à corrupção.

Isso não significa que ela defenda deixar de combater integrantes armados de facções.

Sua argumentação é que essa ação, sozinha, não desmonta uma organização criminosa.

Sem atingir dinheiro, lavagem de recursos, proteção institucional e eventuais conexões políticas, novos integrantes poderiam simplesmente substituir aqueles presos ou mortos.

“O Estado faz parte do crime”

A frase utilizada por Mônica é forte e certamente deverá alimentar a disputa eleitoral.

Interpretada literalmente, poderia sugerir que todo o aparato estatal estaria integrado ao crime organizado — algo que a declaração política não permite concluir.

O argumento apresentado pela candidata é mais específico: o crime organizado teria conseguido penetrar determinados espaços e estruturas que deveriam justamente combatê-lo.

É a partir dessa interpretação que ela rejeita a expressão “Estado paralelo”.

Para Mônica, falar apenas em um poder criminoso funcionando ao lado do Estado já não explicaria adequadamente o problema do Rio.

Segundo sua visão, em determinados episódios, os dois mundos passaram a se cruzar.

Debate vai além de direita e esquerda

A declaração também levanta uma questão que deverá aparecer repetidamente durante a campanha: onde o Rio deve concentrar recursos para enfraquecer o crime organizado?

No policiamento ostensivo? No controle das fronteiras? Em penas mais duras? Em inteligência? No bloqueio financeiro? No combate à corrupção?

Os candidatos apresentam respostas diferentes.

Mônica escolheu colocar no centro de sua campanha uma tese clara: para derrotar organizações criminosas, não basta perseguir quem segura o fuzil. É necessário descobrir quem movimenta o dinheiro, quem fornece proteção e quem lucra com o esquema.

E foi justamente ao defender essa visão que a candidata chegou à declaração mais contundente de sua campanha sobre segurança pública:

“Não existe mais Estado paralelo, o Estado faz parte do crime.”

A frase é uma avaliação política de Mônica Benício. Mas o problema que ela coloca para o eleitorado é concreto e deverá continuar no centro da campanha: até onde o crime organizado conseguiu penetrar nas estruturas políticas e econômicas do Rio de Janeiro?


Fontes

O Globo; O Dia; Agência Senado; CNN Brasil; Rádio Manchete; entrevistas e declarações públicas de Mônica Benício.

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