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Mensagens de Vorcaro citam Alcolumbre em encontro organizado por Fábio Faria enquanto Senado enfrenta pressão por impeachment de Moraes

Mensagens de Vorcaro citam Alcolumbre em encontro organizado por Fábio Faria enquanto Senado enfrenta pressão por impeachment de Moraes

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram Fábio Faria organizando encontros e citando Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli. Em uma conversa, Faria afirma que Alcolumbre perguntava pelas “suíças”. O episódio reaparece justamente quando o presidente do Senado resiste a avançar com o impeachment de Alexandre de Moraes, mas não há prova ligando uma coisa à outra.

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Novas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), novamente no centro das repercussões políticas do caso. Conversas atribuídas ao ex-ministro Fábio Faria mostram a organização de encontros envolvendo Vorcaro e nomes importantes de Brasília, entre eles Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens ganharam nova repercussão justamente quando Alcolumbre enfrenta pressão para permitir o avanço de pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Os dois fatos, entretanto, precisam ser separados: as mensagens mostram o nome de Alcolumbre nas conversas sobre encontros organizados por Faria, mas não demonstram que sua atual posição sobre o impeachment de Moraes tenha relação com Daniel Vorcaro.

O que dizem as mensagens

Uma das conversas que mais repercutiram é datada de 24 de outubro de 2024.

Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, conversava com Daniel Vorcaro sobre a organização de um encontro.

Nas mensagens divulgadas, Faria afirma:

“Davi e Pacheco fechado pra terça.”

Na sequência, acrescenta:

“Chamei o Toffoli tb.”

As referências seriam ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre; ao então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco; e ao ministro Dias Toffoli, do STF.

“Está louco perguntando se as suíças vão vir”

É outra mensagem atribuída a Fábio Faria que acabou provocando a maior repercussão.

Ao conversar com Vorcaro sobre o encontro, o ex-ministro escreveu:

“Davi está louco perguntando se as suíças vão vir. Se der, vamos trazer.”

Vorcaro responde em seguida:

“Virão sim.”

Reportagens que divulgaram o material interpretam a expressão “suíças” como referência a mulheres estrangeiras que participariam do evento.

É importante observar que a afirmação sobre Alcolumbre parte de Fábio Faria em uma conversa privada com Vorcaro. A mensagem não é, por si só, prova de que Alcolumbre tenha feito o pedido, participado do encontro ou tido contato com as mulheres mencionadas.

Toffoli também aparece na conversa

Dias Toffoli aparece novamente nas mensagens do dia seguinte.

Faria informa a Vorcaro que o ministro tentaria comparecer ao encontro, mas que teria dificuldade por causa de uma sessão que precisaria presidir.

Outros políticos também aparecem nas conversas.

Vorcaro pergunta sobre Ciro Nogueira, e Faria responde que ele viajaria. O ex-ministro também menciona Arthur Lira, dizendo que pretendia convidá-lo para outro encontro.

As conversas ajudam a revelar o alcance das relações mantidas por Vorcaro com figuras influentes de Brasília antes de o Banco Master entrar definitivamente no centro das investigações.

Fábio Faria aparece como importante elo de Vorcaro em Brasília

Os documentos conhecidos até agora mostram que o papel de Fábio Faria não se limitava à organização de encontros sociais.

A Polícia Federal identificou mensagens indicando que o ex-ministro também intermediou a aproximação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Segundo o material divulgado, Faria repassou contatos telefônicos de Moraes a Vorcaro no final de 2023 e participou da organização de reuniões entre os dois.

A PF encontrou indícios de pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro.

Em uma das mensagens, Faria fala sobre um jantar com alguém chamado de “Careca”, identificado pela investigação como Moraes.

Em outra oportunidade, a conversa menciona a possibilidade de um encontro para “tomar um whisky”.

Faria afirmou que indicou o escritório de Viviane Barci de Moraes para uma questão jurídica em São Paulo, mas disse que não participou da contratação nem teve conhecimento dos valores acertados entre as partes.

Agora Alcolumbre está no centro de outra decisão

A divulgação dessas conversas ocorre em um momento particularmente delicado para Davi Alcolumbre.

Como presidente do Senado, ele ocupa posição decisiva na tramitação dos pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo.

Alexandre de Moraes passou a enfrentar nova pressão depois da divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e de informações sobre a relação mantida entre os dois.

Senadores da oposição passaram a cobrar diariamente que Alcolumbre permita o avanço de um processo contra Moraes.

Aliados do presidente do Senado, entretanto, indicam que ele não pretende dar andamento ao impeachment neste momento e prefere aguardar o encaminhamento do caso pelo próprio Supremo.

Alcolumbre reage à pressão e cita Flávio Bolsonaro

Na quarta-feira (2), Alcolumbre foi publicamente pressionado por parlamentares para dar andamento ao impeachment de Moraes.

O presidente do Senado respondeu lembrando que outras figuras políticas também mantiveram relações com Daniel Vorcaro.

Sem mencionar diretamente Flávio Bolsonaro, Alcolumbre fez referência ao pedido de aproximadamente R$ 130 milhões feito ao banqueiro para financiar o projeto cinematográfico “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes.”

Flávio Bolsonaro já confirmou que procurou Vorcaro para buscar financiamento privado para o projeto. O senador sustenta que não houve qualquer contrapartida envolvendo o poder público.

Novos pedidos de impeachment chegam ao Senado

A pressão sobre Alcolumbre aumentou novamente nesta quinta-feira (3).

O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, protocolou pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Os documentos foram endereçados justamente a Davi Alcolumbre.

Segundo os pedidos, as revelações do caso Banco Master justificariam uma análise do Senado sobre eventual crime de responsabilidade.

As acusações ainda precisam passar pelos procedimentos previstos e não significam que Moraes ou Toffoli tenham sido considerados culpados de qualquer irregularidade.

Alcolumbre “segura” o impeachment?

Politicamente, é correto dizer que Alcolumbre possui papel fundamental para que um pedido de impeachment contra ministro do Supremo avance no Senado.

Também é fato que ele tem demonstrado resistência a colocar o caso Moraes em andamento.

Mas não existe, até agora, prova de que essa resistência esteja relacionada às mensagens de Fábio Faria, aos encontros organizados por Vorcaro ou a qualquer benefício recebido do ex-banqueiro.

Transformar essa coincidência em relação de causa e efeito iria além do que os documentos atualmente demonstram.

O que as mensagens efetivamente revelam

O aspecto mais relevante dos documentos é outro.

As mensagens ajudam a dimensionar a rede de contatos que Daniel Vorcaro mantinha em Brasília.

Ex-ministros, presidentes do Congresso, senadores e integrantes do Supremo aparecem em diferentes conversas encontradas pela Polícia Federal.

Fábio Faria surge em parte desse material como um importante intermediário entre o banqueiro e figuras do poder político e Judiciário.

Agora, algumas dessas mesmas autoridades estão diretamente envolvidas nas decisões sobre os desdobramentos institucionais do caso Master.

É essa coincidência de personagens que torna o episódio politicamente explosivo — mas será necessário avançar nas investigações para saber onde terminavam as relações sociais e políticas de Vorcaro e se alguma delas resultou efetivamente em favorecimento ou irregularidade.


Fontes

Documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal no caso Banco Master; Folha de S.Paulo; CNN Brasil; UOL; Poder360; reportagens sobre as mensagens originalmente reveladas pelo Fatos Online e posteriormente repercutidas por outros veículos.

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