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“Não há mais lugar no STF para Moraes”: Folha pede renúncia do ministro e aponta impeachment como alternativa

“Não há mais lugar no STF para Moraes”: Folha pede renúncia do ministro e aponta impeachment como alternativa

A Folha de S.Paulo defendeu em editorial a renúncia de Alexandre de Moraes após novas revelações do caso Banco Master e afirmou que, se ele permanecer no STF, o Senado deveria analisar seu impeachment.

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A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes ganhou um novo e significativo capítulo. Em um duro editorial publicado na noite desta terça-feira (1º), a Folha de S.Paulo defendeu abertamente que o magistrado renuncie ao cargo no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de informações reunidas pela Polícia Federal envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O posicionamento chama atenção por partir de um dos jornais mais tradicionais do país e não deixa margem para dúvidas sobre a avaliação feita pelo veículo.

“Não há mais lugar no Supremo Tribunal Federal (STF) para Alexandre de Moraes.”

O editorial, intitulado “A Moraes cabe a renúncia”, sustenta que, caso o ministro não deixe voluntariamente o tribunal, caberia ao Senado Federal fazer tramitar um processo de impeachment.

Folha endurece posição contra Moraes

Segundo o jornal, as novas informações reunidas pela Polícia Federal teriam ultrapassado o limite do que poderia ser considerado compatível com a permanência de Moraes na mais alta Corte do país.

A Folha afirma que as revelações encerrariam, em sua avaliação editorial, as dúvidas sobre a incompatibilidade do ministro com o exercício da magistratura no STF.

É importante destacar que essa é a posição institucional do jornal expressa em editorial. As eventuais responsabilidades jurídicas de Moraes dependem dos procedimentos e das garantias legais aplicáveis ao caso.

O que aparece no material da Polícia Federal

O posicionamento da Folha ocorre depois da retirada do sigilo de material produzido pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Segundo as informações divulgadas, as mensagens indicariam uma proximidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes maior do que a conhecida anteriormente.

Entre os elementos revelados estão registros que indicam pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro.

Um dos episódios que mais chamou atenção teria ocorrido poucos dias antes da prisão do banqueiro.

De acordo com o material divulgado, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de deixar o Brasil. O banqueiro acabaria preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Contrato milionário também entrou no centro da crise

Outro ponto destacado nas reportagens e no editorial envolve o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O contrato poderia alcançar aproximadamente R$ 131 milhões.

Segundo informações extraídas do material policial, Moraes teria participado de discussões e realizado alterações em uma versão do contrato antes de sua assinatura.

As revelações também mencionam uma proposta posterior envolvendo cerca de R$ 50 milhões, parte dos quais poderia ser quitada por meio da transferência de participações em um jatinho e um helicóptero.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou, entretanto, que essa segunda proposta não foi aceita nem assinada.

Segundo o escritório, existiu apenas o contrato original, posteriormente encerrado com a liquidação do Banco Master.

Folha fala em desgaste do próprio Supremo

Para a Folha, a questão deixou de envolver somente a situação individual de Alexandre de Moraes e passou a afetar a credibilidade institucional do STF.

O editorial argumenta que a permanência do ministro no tribunal aumentaria o desgaste da Corte perante a sociedade.

Em uma das passagens mais contundentes, o jornal afirma que seria necessário escolher entre a permanência de Moraes e a preservação da imagem do Supremo.

A renúncia, segundo a avaliação editorial, seria a saída mais rápida para evitar um processo institucional ainda mais desgastante.

Se não houver renúncia, Folha aponta impeachment

O jornal vai além de simplesmente pedir explicações.

Caso Moraes decida permanecer no STF, a Folha defende que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faça tramitar os pedidos de impeachment apresentados contra o ministro.

O próprio editorial ressalta, entretanto, que Moraes teria direito à presunção de inocência, ao devido processo legal e às demais garantias previstas em lei.

Na prática, a publicação coloca duas possibilidades sobre a mesa: uma saída voluntária por meio da renúncia ou uma discussão formal no Senado sobre eventual impeachment.

PGR também é criticada

A Procuradoria-Geral da República também aparece no centro da controvérsia.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório produzido pela Polícia Federal, questionando a forma como a apuração sobre Moraes foi conduzida.

A PGR sustenta que existem problemas de competência e de procedimento na obtenção e análise do material.

O editorial da Folha, porém, faz duras críticas à postura adotada pela Procuradoria e demonstra pouca expectativa de que o órgão conduza uma reação ao episódio.

André Mendonça leva discussão ao plenário

O ministro André Mendonça, relator do caso relacionado ao Banco Master, solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja realizada uma sessão presencial do plenário para discutir as mensagens e os próximos passos.

A situação criou uma controvérsia jurídica dentro das próprias instituições.

Há questionamentos sobre os limites da atuação de Mendonça e sobre a necessidade de autorização do plenário do Supremo para que uma investigação envolvendo outro ministro da Corte possa avançar formalmente.

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o simples aparecimento do nome de um ministro em material investigativo não significa condenação nem perda automática do cargo.

Pressão política aumenta no Senado

A divulgação do material também provocou reação imediata no Congresso Nacional.

Senadores de oposição voltaram a defender o impeachment de Alexandre de Moraes e pretendem aumentar a pressão sobre Davi Alcolumbre para que os pedidos sejam analisados.

Apesar disso, parlamentares reconhecem que ainda existem obstáculos políticos importantes para que um processo dessa dimensão avance no Senado.

Agora, porém, a cobrança deixou de partir exclusivamente de políticos e grupos críticos ao ministro.

Ao publicar institucionalmente que “não há mais lugar” para Alexandre de Moraes no Supremo, a Folha de S.Paulo colocou um dos maiores jornais brasileiros diretamente no debate sobre a permanência do ministro na Corte.

As próximas decisões do STF, da PGR e principalmente do Senado poderão determinar se a crise permanecerá concentrada nas revelações envolvendo o Banco Master ou avançará para uma discussão formal sobre o futuro de Alexandre de Moraes no Supremo.


Fontes

Folha de S.Paulo — Editorial “A Moraes cabe a renúncia”, publicado em 1º de setembro de 2026; reportagens da Folha sobre o relatório da Polícia Federal e as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro; manifestações da Procuradoria-Geral da República e informações públicas sobre o caso Banco Master.

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