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“Não vou poupar ninguém”: frase atribuída a André Mendonça viraliza, mas fatos revelam tensão real nos bastidores

“Não vou poupar ninguém”: frase atribuída a André Mendonça viraliza, mas fatos revelam tensão real nos bastidores

Frase atribuída a André Mendonça dizendo que “não poupará ninguém” não foi confirmada, mas decisões recentes revelam tensão real envolvendo PF, PGR, governo e investigações sob sua relatoria.

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Publicações afirmam que ministro teria reagido a pressões envolvendo investigações sensíveis. A frase não foi confirmada, mas decisões recentes comprovam atritos com a PF, resistência à transferência do caso Lulinha e preocupação com interferências nos inquéritos.


Uma frase atribuída ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), começou a circular com força nas redes sociais nos últimos dias.

Segundo as publicações, Mendonça teria demonstrado irritação diante de pressões nos bastidores de Brasília e avisado a pessoas próximas que “não poupará ninguém” nas investigações sob sua responsabilidade.

A afirmação rapidamente ganhou repercussão porque o ministro está atualmente no centro de algumas das investigações mais politicamente sensíveis do país.

Entre elas estão apurações relacionadas às fraudes no INSS, ao Banco Master e investigações que alcançaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas é necessário separar duas histórias.

A primeira é a frase atribuída a Mendonça. A segunda é o que efetivamente está acontecendo nos bastidores das investigações.

E, enquanto a primeira permanece sem comprovação pública, a segunda está documentada por diferentes veículos de imprensa.

Mendonça realmente disse “não vou poupar ninguém”?

Até o momento, não há confirmação confiável de que André Mendonça tenha pronunciado publicamente essa frase.

A BaseNews procurou a origem da declaração que circula nas redes, mas não encontrou vídeo, áudio, entrevista, decisão judicial ou manifestação oficial do ministro contendo essas palavras.

Também não foi localizada confirmação independente da frase em veículos jornalísticos de referência.

Portanto, seria incorreto apresentar “não vou poupar ninguém” entre aspas como uma declaração comprovada de André Mendonça.

Isso não significa, entretanto, que toda a história que acompanha a frase seja falsa.

Pelo contrário.

Existe uma disputa real acontecendo nos bastidores.

O que é verdade: Mendonça está no centro de investigações explosivas

André Mendonça ocupa atualmente uma posição particularmente sensível dentro do Supremo.

O ministro é relator de investigações relacionadas ao Banco Master e às irregularidades envolvendo descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

Parte das apurações acabou alcançando pessoas próximas ao governo Lula e, posteriormente, o próprio filho do presidente.

A CNN Brasil já havia informado, em maio, que Mendonça pretendia acompanhar mais de perto os inquéritos relacionados ao Master e ao INSS.

Segundo a reportagem, existia no gabinete preocupação com possíveis interferências políticas e vazamentos seletivos das investigações em pleno ano eleitoral.

Lulinha entrou no centro das investigações

O cenário ganhou ainda mais peso político quando a Polícia Federal abriu investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

Lulinha é investigado em apurações que examinam suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Uma das linhas investiga possíveis relações envolvendo a empresa World Cannabis, a lobista Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Os investigadores procuram saber se a condição de filho do presidente teria sido utilizada para favorecer interesses empresariais junto ao governo federal.

A existência da investigação não significa culpa.

Lulinha não foi condenado nesses casos e sua defesa nega irregularidades.

PF investigou tentativas de negócios com o Ministério da Saúde

Informações das investigações divulgadas nesta terça-feira (25) acrescentaram novos elementos ao caso.

Segundo relatório da Polícia Federal revelado pela imprensa, investigadores identificaram tentativas de viabilizar negócios relacionados a medicamentos à base de cannabis, testes diagnósticos e possíveis parcerias envolvendo estruturas públicas.

Uma das propostas examinadas previa fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Outra envolvia testes rápidos para doenças como dengue.

As propostas investigadas não resultaram nos contratos pretendidos.

O Ministério da Saúde informou que as tratativas não tiveram encaminhamento e que as propostas foram rejeitadas ou não prosperaram.

Dinheiro em espécie também entrou na investigação

Outra informação revelada nesta terça-feira aumentou a repercussão do caso.

Segundo relatório da PF divulgado pela Folha de S.Paulo, a lobista Roberta Luchsinger teria recebido quantias consideradas significativas em dinheiro vivo.

Os investigadores também identificaram pagamentos de despesas relacionadas a Lulinha.

Em uma das situações analisadas, um motorista teria retirado R$ 300 mil em espécie em junho de 2025.

Segundo a investigação, R$ 50 mil teriam sido destinados a uma agência de viagens que emitiu passagens para Roberta e Lulinha.

A origem e o contexto das movimentações estão sendo investigados.

As defesas contestam suspeitas de irregularidades.

Mendonça já havia autorizado quebra de sigilos

A atuação do ministro no caso não começou agora.

Em fevereiro de 2026, veio a público que Mendonça havia autorizado, a pedido da própria Polícia Federal, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha.

A decisão havia sido tomada no início do ano dentro das investigações que correm sob sigilo.

Foi justamente o tratamento dado posteriormente a parte desses dados que contribuiu para aumentar o atrito entre o gabinete do ministro e setores da Polícia Federal.

PF demorou meses para entregar dados a Mendonça

Um dos principais pontos da crise envolve dados obtidos nas quebras de sigilo.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a Polícia Federal levou mais de sete meses para encaminhar ao ministro dados relacionados às quebras de sigilo de Lulinha.

A demora passou a ser um dos principais motivos de desgaste entre Mendonça e a corporação.

O gabinete do ministro passou a cobrar acesso às informações produzidas durante a investigação.

Mendonça exigiu acesso aos dados brutos

O conflito aumentou quando Mendonça determinou acesso aos dados brutos obtidos nas quebras de sigilo.

A determinação provocou desconforto dentro da Polícia Federal e irritação entre integrantes do governo Lula, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.

Advogados envolvidos no caso chegaram a questionar a medida e levantaram dúvidas sobre seus limites jurídicos.

Dentro da PF também surgiram preocupações relacionadas à autonomia dos investigadores na condução do inquérito.

Esse episódio é importante porque demonstra que a tensão atribuída aos bastidores não nasceu apenas de publicações nas redes sociais.

Existe um conflito institucional documentado sobre a condução das investigações.

PF e Mendonça entraram em queda de braço

O SBT News também relatou uma crise entre setores da Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça.

Segundo a reportagem, Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, passaram a protagonizar uma queda de braço em torno das investigações.

Vazamentos de informações relacionadas ao caso Lulinha contribuíram para ampliar o desgaste.

Mendonça mandou investigar os vazamentos

Em 20 de agosto, o ministro tomou outra decisão importante.

Mendonça determinou que a própria Polícia Federal investigasse o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao inquérito de Lulinha.

A decisão atendeu a um pedido apresentado pela defesa do filho do presidente.

O ministro fez, entretanto, uma ressalva expressa.

A investigação não deve atingir jornalistas ou veículos que publicaram as informações.

O objetivo determinado pelo magistrado é identificar quem, tendo acesso ao material protegido por sigilo, teria sido responsável pelo vazamento.

PGR quer mandar parte do caso para a primeira instância

Outro ponto central da disputa envolve a permanência das investigações no Supremo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja enviado para a primeira instância.

O argumento é que os investigados nessa apuração não possuem foro privilegiado e que, portanto, não haveria justificativa suficiente para manter o procedimento no STF.

A defesa de Lulinha concorda com esse entendimento.

Mendonça sinaliza que pretende manter o caso

Mas Mendonça caminha em outra direção.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o ministro pretende utilizar precedentes do próprio Supremo para justificar a manutenção das investigações sob sua relatoria.

O argumento envolve a chamada conexão fático-probatória.

Em termos simples, parte das provas que deram origem às suspeitas envolvendo Lulinha surgiu dentro de investigações relacionadas a pessoas e fatos que passaram pelo Supremo.

Mendonça entende que novas diligências ainda podem revelar elementos envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Se mantiver esse entendimento, deverá rejeitar o pedido da PGR para transferir o inquérito.

Retirada do caso das mãos de Mendonça seria bem recebida no Planalto

Esse ponto tornou a disputa ainda mais politicamente delicada.

Segundo análise publicada pelo colunista Josias de Souza, do UOL, a transferência da investigação de Lulinha para a primeira instância seria vista com bons olhos dentro do Palácio do Planalto.

Uma das consequências seria justamente retirar o controle do inquérito das mãos de André Mendonça.

A eventual mudança também poderia favorecer a narrativa de que as suspeitas investigadas não alcançam autoridades com foro privilegiado dentro do governo.

Isso não significa que o governo tenha poder para decidir onde o processo permanecerá.

A definição depende do Judiciário.

Até a distribuição do caso provocou disputa

O desgaste começou antes mesmo dos episódios mais recentes.

Quando a Polícia Federal encaminhou um novo pedido de investigação envolvendo Lulinha ao Supremo, houve discussão sobre a forma de distribuição do processo.

A PF sustentava que os fatos eram diferentes daqueles investigados originalmente na Operação Sem Desconto.

O processo passou por distribuição eletrônica e acabou novamente nas mãos de André Mendonça.

Segundo reportagem da CNN Brasil, uma ala do STF passou a interpretar movimentações envolvendo PF, PGR e o ministro Alexandre de Moraes como uma tentativa de evitar que Mendonça permanecesse responsável pelo caso.

É importante destacar que essa é uma avaliação de bastidores atribuída a integrantes da Corte, e não uma conclusão judicial de que tenha existido uma articulação ilegal.

E Alexandre de Moraes?

Publicações nas redes sociais foram além e passaram a afirmar que existiria uma articulação envolvendo autoridades para enfraquecer André Mendonça.

Algumas versões citam diretamente Alexandre de Moraes, integrantes do governo e lideranças políticas.

Existem reportagens mostrando que setores do STF enxergaram movimentações institucionais destinadas a retirar determinados casos da relatoria de Mendonça.

Isso, entretanto, é diferente de afirmar que existe prova de uma conspiração ou de uma operação ilegal contra o ministro.

Até o momento, não há decisão judicial ou prova pública que permita fazer essa afirmação como fato.

E a história de um encontro na casa de Moraes?

Outra versão que circula nas redes afirma que Lula e outras autoridades teriam discutido maneiras de enfraquecer Mendonça durante encontro na residência de Alexandre de Moraes.

A alegação ganhou grande repercussão em páginas políticas.

Entretanto, a BaseNews não encontrou comprovação independente suficiente para afirmar que autoridades tenham discutido um plano para enfraquecer André Mendonça.

Portanto, essa versão deve permanecer classificada como relato de bastidor não comprovado.

Banco Master aumenta ainda mais o peso sobre Mendonça

O caso Lulinha não é o único problema politicamente explosivo sobre a mesa do ministro.

Mendonça também é responsável por procedimentos relacionados ao Banco Master.

As investigações examinam operações financeiras e diferentes suspeitas relacionadas às atividades do banco e de pessoas ligadas às operações investigadas.

A Polícia Federal chegou a solicitar mais prazo para aprofundar determinadas linhas de apuração.

O fato de o mesmo ministro estar simultaneamente relacionado a casos envolvendo Master, INSS e investigações politicamente sensíveis aumentou consideravelmente a atenção sobre seu gabinete.

O que está comprovado até agora?

Diante da quantidade de informações circulando, é possível separar os fatos da especulação.

  • É verdade que André Mendonça conduz investigações extremamente sensíveis no STF.
  • É verdade que existem investigações envolvendo Lulinha e que sua defesa nega irregularidades.
  • É verdade que Mendonça autorizou quebras de sigilo a pedido da PF.
  • É verdade que houve demora no encaminhamento de dados ao gabinete do ministro.
  • É verdade que Mendonça exigiu acesso aos dados das investigações.
  • É verdade que essa atuação provocou atrito com setores da Polícia Federal e irritação no governo, segundo reportagens de diferentes veículos.
  • É verdade que a PGR pediu o envio de um dos casos de Lulinha para a primeira instância.
  • É verdade que Mendonça sinaliza intenção de manter a investigação no STF.
  • É verdade que o ministro determinou investigação sobre vazamentos do inquérito.
  • Não está comprovado que Mendonça tenha dito literalmente “não vou poupar ninguém”.
  • Não está comprovado que exista um plano ilegal articulado por Lula, Moraes ou outras autoridades para enfraquecer Mendonça.

Então por que a frase ganhou tanta força?

Porque ela apareceu em um momento em que as ações concretas de Mendonça transmitem justamente uma imagem de endurecimento.

O ministro cobra informações da Polícia Federal, exige acesso a dados, questiona atrasos, determina apuração de vazamentos e sinaliza resistência à tentativa de retirar uma investigação de sua relatoria.

Esses fatos ajudam a explicar por que uma frase como “não vou poupar ninguém” encontrou terreno fértil nas redes sociais.

Mas existe uma diferença essencial entre uma frase combinar com o comportamento atribuído a uma autoridade e existir prova de que ela realmente tenha pronunciado aquelas palavras.

A investigação está longe de terminar

As informações conhecidas até agora mostram que as investigações envolvendo Lulinha e outros personagens ainda estão em andamento.

Novas diligências poderão confirmar suspeitas, descartar hipóteses ou revelar fatos ainda desconhecidos.

Da mesma forma, nenhuma das suspeitas atualmente investigadas deve ser tratada como condenação antecipada.

O papel da investigação é justamente descobrir o que pode ser comprovado.

A verdade é suficientemente forte sem precisar de uma frase não confirmada

Não é necessário atribuir a André Mendonça uma declaração sem fonte para mostrar que existe uma disputa séria acontecendo em Brasília.

Os fatos documentados já revelam um cenário incomum.

Um ministro do Supremo cobra dados da Polícia Federal.

A corporação manifesta preocupação com sua autonomia.

A PGR pede que uma investigação saia do STF.

Mendonça sinaliza que pretende mantê-la.

Integrantes do governo demonstram desconforto.

Informações sigilosas vazam.

O ministro manda investigar os vazamentos.

E novas informações relacionadas ao filho do presidente continuam surgindo nos autos e chegando à imprensa.

É esse conjunto de acontecimentos comprovados — e não uma frase viral — que demonstra o tamanho da tensão instalada nos bastidores das investigações conduzidas por André Mendonça.

Se posteriormente surgir áudio, vídeo, testemunho confiável ou manifestação oficial confirmando que Mendonça realmente disse que “não poupará ninguém”, a informação poderá ser atualizada.

Até lá, a frase permanece sem confirmação. A tensão em Brasília, por outro lado, é real.


Fontes

CNN Brasil; Folha de S.Paulo; UOL; SBT News; Band; informações e decisões relacionadas às investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal.

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