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PT e aliados pedem afastamento de André Mendonça do caso Banco Master; PGR ainda analisará solicitação

PT e aliados pedem afastamento de André Mendonça do caso Banco Master; PGR ainda analisará solicitação

Dezessete deputados de PT, PCdoB, PSOL e Rede pediram que a PGR requeira a suspeição de André Mendonça e sua saída da relatoria do caso Banco Master. O grupo questiona decisões sobre sigilo, mas não há decisão declarando o ministro parcial ou determinando seu afastamento.

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Um grupo de 17 deputados federais de PT, PCdoB, PSOL e Rede apresentou nesta quarta-feira (2) um pedido para tentar retirar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master.

Os parlamentares solicitaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que requeira a suspeição de Mendonça e também encaminharam uma petição ao presidente do STF, Edson Fachin, questionando a condução de diferentes frentes da investigação.

Até o momento, não existe decisão declarando Mendonça suspeito nem determinando sua saída da relatoria. O que existe é uma solicitação apresentada pelos parlamentares.

Grupo questiona decisões sobre sigilo

O principal argumento apresentado pelo grupo é de que André Mendonça estaria adotando critérios diferentes para retirar ou manter o sigilo de informações relacionadas ao caso Banco Master.

Os deputados citam como exemplos a divulgação de informações relacionadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e a retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal contendo mensagens de Daniel Vorcaro que fazem referência ao ministro Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Ao mesmo tempo, os parlamentares questionam a manutenção do sigilo sobre outra frente da investigação: o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essa comparação é utilizada pelos deputados para sustentar a acusação de falta de tratamento uniforme.

Trata-se, entretanto, de uma alegação dos parlamentares. Não há, neste momento, decisão judicial estabelecendo que Mendonça tenha agido com parcialidade.

Deputados querem abertura de informações sobre “Dark Horse”

Além da substituição do relator, o grupo pede que seja retirado o sigilo da investigação envolvendo o financiamento de “Dark Horse”.

O projeto recebeu recursos relacionados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Reportagens sobre o caso apontam que Vorcaro negociou aproximadamente US$ 24 milhões para o projeto e que cerca de US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente transferidos.

Flávio Bolsonaro já confirmou publicamente que procurou Vorcaro em busca de financiamento privado para a produção.

O senador sustenta que se tratava de um projeto privado e nega qualquer contrapartida envolvendo recursos ou decisões do poder público.

Até o momento, o fato de ter havido financiamento privado para o filme não significa, isoladamente, a existência de crime.

Reunião de Mendonça com Vorcaro também é questionada

Os parlamentares também querem esclarecimentos sobre um encontro ocorrido entre André Mendonça e Daniel Vorcaro em março de 2025.

Mendonça confirmou anteriormente a existência da reunião.

Segundo a explicação apresentada pelo ministro, houve apenas uma audiência e o assunto tratado estava relacionado a uma ação envolvendo precatórios de interesse da instituição financeira.

O encontro passou a ser utilizado pelos deputados como mais um argumento para questionar a permanência do ministro na relatoria.

Novamente, a existência da reunião, por si só, não comprova irregularidade ou parcialidade de Mendonça.

Rogério Correia critica atuação do ministro

O deputado Rogério Correia (PT-MG), um dos parlamentares envolvidos na iniciativa, argumentou que as diferentes decisões sobre sigilo comprometem, em sua avaliação, a isonomia da investigação.

“Não se pode quebrar o sigilo de uma parte e não da outra. Isso não dá equidade.”

Correia defendeu publicamente que Mendonça deixe a relatoria.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), também cobrou a divulgação das informações referentes ao caso “Dark Horse” e afirmou que as investigações deveriam receber tratamento isonômico.

Grupo também tenta criar CPMI

A movimentação não está restrita ao Supremo.

Rogério Correia informou que parlamentares buscam assinaturas para tentar instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) relacionada ao financiamento de “Dark Horse”.

A iniciativa, entretanto, ainda precisa cumprir as exigências regimentais para que uma comissão seja efetivamente instalada.

Pedido acontece no auge da crise do caso Master

A ofensiva dos parlamentares ocorre justamente quando André Mendonça está no centro de outra controvérsia.

O ministro determinou recentemente que a Polícia Federal analisasse mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e identificasse determinados interlocutores citados no material.

O relatório produzido pela PF revelou informações relacionadas a Alexandre de Moraes e outras autoridades.

Mendonça posteriormente retirou o sigilo do documento.

A Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, contestou o procedimento e pediu a nulidade de providências adotadas pelo ministro, argumentando que diligências envolvendo outro integrante do Supremo deveriam observar um procedimento específico dentro da Corte.

Essa controvérsia é diferente do pedido apresentado agora pelos deputados, embora ambos questionem aspectos da atuação de Mendonça no caso Master.

Disputa política acontece dos dois lados

O caso Banco Master também passou a produzir movimentos políticos em direções opostas.

Enquanto parlamentares de PT, PCdoB, PSOL e Rede querem retirar André Mendonça da relatoria, integrantes da oposição pressionam o Senado pela abertura de processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Também surgiram iniciativas contra outras autoridades mencionadas nos documentos relacionados ao caso.

O cenário demonstra como uma investigação originalmente concentrada nas operações do Banco Master passou a produzir consequências dentro do Judiciário, do Ministério Público e do Congresso Nacional.

O que acontece agora?

O pedido dos 17 deputados não produz afastamento automático.

André Mendonça continua sendo o relator enquanto não houver decisão competente determinando mudança.

A PGR deverá avaliar a solicitação apresentada pelos parlamentares, enquanto a petição encaminhada ao presidente do Supremo coloca a questão também diante de Edson Fachin.

Até que haja uma decisão, portanto, é necessário separar dois fatos: os parlamentares acusam Mendonça de falta de isonomia e pedem sua saída; o STF ainda não reconheceu essa acusação nem determinou o afastamento do ministro.


Fontes

Agência Estado; UOL; O Antagonista; manifestações públicas dos parlamentares e informações relacionadas aos processos do caso Banco Master.

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