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Relatório dos EUA acusa Cuba de manter rede de espionagem e influência por 67 anos

Relatório dos EUA acusa Cuba de manter rede de espionagem e influência por 67 anos

Relatório divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos acusa o governo de Cuba de manter uma campanha de espionagem, infiltração e influência política em território americano desde 1959. O documento cita casos históricos de agentes condenados e afirma que a estratégia continua representando um desafio à segurança nacional dos EUA.

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Documento divulgado pelo Departamento de Estado afirma que o regime cubano infiltrou agentes, cultivou grupos políticos e promoveu operações de influência dentro dos Estados Unidos desde 1959.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou, nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, um extenso relatório no qual acusa o governo de Cuba de conduzir uma campanha de espionagem, infiltração política e influência ideológica em território norte-americano durante 67 anos.

O período analisado pelo governo dos Estados Unidos começa em 1959, ano da Revolução Cubana, que levou Fidel Castro ao poder e transformou Cuba em um Estado comunista alinhado, durante a Guerra Fria, à antiga União Soviética.

Segundo o documento, as ações atribuídas a Havana teriam ultrapassado as operações tradicionais de coleta de informações. O relatório sustenta que o regime cubano desenvolveu uma estratégia de longo prazo envolvendo espionagem, recrutamento de colaboradores, formação de ativistas, apoio a movimentos revolucionários e aproximação com organizações políticas norte-americanas.

Infiltração em setores do governo dos Estados Unidos

Uma das acusações mais graves apresentadas no relatório é a de que agentes ligados à inteligência cubana conseguiram alcançar setores importantes do governo norte-americano.

O Departamento de Estado afirma que Cuba teria infiltrado pessoas nos “mais altos escalões” da administração dos Estados Unidos. O documento menciona casos conhecidos de cidadãos e funcionários públicos norte-americanos condenados ou acusados de trabalhar secretamente para Havana.

Entre os episódios frequentemente citados pelas autoridades está o caso do ex-diplomata Manuel Rocha. Em 2024, ele foi condenado a 15 anos de prisão depois de admitir que atuou durante décadas como agente do governo cubano. Rocha ocupou cargos no Departamento de Estado, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional e foi embaixador dos Estados Unidos na Bolívia.

Outro caso histórico é o de Ana Belén Montes, ex-analista da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos. Ela foi presa em 2001 e condenada por entregar informações confidenciais ao governo cubano durante vários anos.

Esses episódios estão documentados em processos judiciais norte-americanos. Entretanto, o novo relatório amplia a acusação e afirma que tais casos fariam parte de uma estratégia mais abrangente e duradoura promovida pelo regime cubano.

Influência sobre ativistas e organizações políticas

O relatório também acusa o governo de Cuba de cultivar relações com ativistas, intelectuais, movimentos sociais e organizações de esquerda dentro dos Estados Unidos.

De acordo com o Departamento de Estado, o regime cubano teria utilizado instituições oficiais, programas de intercâmbio, viagens patrocinadas e organizações de solidariedade para aproximar lideranças estrangeiras de seus interesses políticos.

O documento afirma que sucessivas gerações de ativistas norte-americanos foram recrutadas ou influenciadas por organizações associadas a Havana. Algumas dessas pessoas teriam viajado a Cuba para participar de encontros, cursos políticos e atividades promovidas por entidades ligadas ao governo.

O relatório cita especialmente o Instituto Cubano de Amizade com os Povos, conhecido pela sigla Icap. Para o governo dos Estados Unidos, a instituição seria utilizada não apenas para promover relações internacionais, mas também para ampliar a influência política cubana no exterior.

É importante destacar que a participação em movimentos de solidariedade a Cuba ou a oposição às sanções norte-americanas não prova, por si só, que uma pessoa seja agente do governo cubano. O próprio relatório diferencia organizações diretamente controladas por Havana de grupos que apenas compartilham posições políticas semelhantes às defendidas pelo regime.

Acusações de apoio a grupos armados

O governo norte-americano afirma ainda que Cuba apoiou movimentos revolucionários e grupos armados de esquerda durante diferentes períodos da história.

Segundo o relatório, integrantes de organizações radicais viajaram à ilha para receber treinamento político e, em alguns casos, instruções relacionadas a guerrilha, sabotagem e ações clandestinas.

O documento relaciona a atuação cubana a organizações que operaram nos Estados Unidos principalmente durante as décadas de 1960 e 1970, período marcado por forte tensão política, protestos contra a Guerra do Vietnã, conflitos raciais e o surgimento de grupos revolucionários.

As autoridades norte-americanas sustentam que Havana enxergava esses movimentos como uma forma de enfraquecer os Estados Unidos internamente e ampliar a influência do comunismo no continente.

O relatório descreve essa estratégia como uma espécie de guerra prolongada, baseada não apenas em confrontos militares, mas também em espionagem, propaganda, influência política, formação ideológica e construção de redes de apoio.

Governo Trump aumenta pressão sobre Havana

A divulgação do documento ocorre em um momento de forte tensão entre os governos de Donald Trump e Miguel Díaz-Canel.

Nos últimos meses, a administração norte-americana ampliou sanções contra autoridades, empresas e instituições cubanas. O governo Trump acusa Havana de reprimir opositores, manter presos políticos e colaborar com países considerados adversários dos Estados Unidos, como Rússia, China e Irã.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o relatório apresenta a história daquilo que classificou como espionagem e subversão cubana dentro dos Estados Unidos.

“O Departamento de Estado está expondo a história completa da espionagem e da subversão cubana em nosso país. O povo americano merece saber”, declarou Rubio ao divulgar o documento.

Rubio, filho de imigrantes cubanos, é um dos principais críticos do regime de Havana dentro do governo Trump. Ele defende o endurecimento das sanções e afirma que Cuba continua representando uma ameaça à segurança e à estabilidade política do continente.

Documento representa a posição oficial dos Estados Unidos

As informações apresentadas no relatório representam a posição oficial do governo norte-americano. Parte dos casos de espionagem citados possui registros judiciais, confissões e condenações públicas. Outras conclusões do documento, principalmente aquelas relacionadas à influência sobre movimentos sociais contemporâneos, são interpretações produzidas pelo Departamento de Estado.

Críticos da política norte-americana afirmam que o governo Trump utiliza o relatório para associar movimentos de esquerda e opositores políticos ao regime cubano. Também argumentam que participar de protestos, defender o fim do embargo ou visitar Cuba não constitui automaticamente uma atividade de espionagem.

O governo cubano, por sua vez, costuma rejeitar acusações de que represente uma ameaça aos Estados Unidos. Havana sustenta que Washington utiliza esse tipo de denúncia para justificar sanções econômicas, isolamento diplomático e outras medidas de pressão contra a ilha.

Décadas de tensão entre Cuba e Estados Unidos

As relações entre os dois países permanecem marcadas por conflitos desde a Revolução Cubana. Em 1961, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Havana. No ano seguinte, a instalação de mísseis soviéticos na ilha provocou a Crise dos Mísseis de Cuba, considerada um dos momentos mais perigosos da Guerra Fria.

Desde então, diferentes governos norte-americanos alternaram períodos de maior pressão e tentativas de aproximação. Durante o governo de Barack Obama, os países restabeleceram relações diplomáticas. Posteriormente, Donald Trump retomou uma política mais dura, com novas sanções e restrições.

Com o relatório divulgado em julho de 2026, o governo norte-americano procura sustentar que a disputa com Cuba não pertence apenas ao passado. Para a administração Trump, as redes políticas e de influência construídas pelo regime cubano continuam ativas e devem ser tratadas como uma questão de segurança nacional.

O documento, porém, também deverá alimentar novos debates sobre os limites entre espionagem, influência estrangeira, militância política e liberdade de expressão dentro dos Estados Unidos.


Fontes: Departamento de Estado dos Estados Unidos, Poder360 e veículos internacionais.

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