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Axila depilada virou “sinal de direita”? Trend com Bianquinha viraliza e entra na guerra de memes políticos

Axila depilada virou “sinal de direita”? Trend com Bianquinha viraliza e entra na guerra de memes políticos

Vídeos de mulheres mostrando as axilas depiladas viraram uma provocação política nas redes, usando humor para brincar com antigos estereótipos entre direita e esquerda.

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Uma brincadeira inusitada está ganhando espaço nas redes sociais e levando a polarização política para um lugar que poucos imaginariam: as axilas. Vídeos de mulheres exibindo as axilas depiladas passaram a ser compartilhados como uma provocação bem-humorada para sinalizar identificação com a direita.


Em ano eleitoral, praticamente qualquer coisa pode virar política nas redes sociais. Desta vez, até a depilação entrou na disputa.

Vídeos e publicações de mulheres levantando os braços e exibindo as axilas depiladas começaram a circular em páginas e perfis políticos como uma espécie de código informal para dizer: “sou de direita”.

A influenciadora conhecida como Bianquinha aparece entre os nomes que deram repercussão à brincadeira.

Em vídeos desse tipo, a provocação é simples: a mulher aparece diante da câmera, levanta o braço e deixa que os seguidores interpretem o gesto, acompanhado de perguntas e legendas relacionadas à preferência política.

O resultado foi praticamente inevitável: viralização, memes, comentários políticos e muita discussão.

Mas desde quando axila depilada virou coisa de direita?

Literalmente, nunca.

Não existe qualquer relação objetiva entre depilar ou não as axilas e votar na direita ou na esquerda.

O que existe é uma brincadeira construída a partir de um antigo estereótipo político e cultural.

Há décadas, principalmente em movimentos ligados à contracultura e posteriormente em discussões feministas sobre padrões de beleza, algumas mulheres passaram a defender publicamente o direito de manter os pelos naturais do corpo.

A proposta, nesses casos, era questionar por que a mulher deveria obrigatoriamente remover os pelos para ser considerada feminina, bonita ou socialmente adequada.

Com o passar dos anos, principalmente na internet, adversários desses movimentos passaram a transformar a imagem da “mulher de esquerda com axila peluda” em meme.

A nova trend simplesmente inverte essa caricatura.

“Em quem vocês acham que eu voto?”

É justamente aí que está o humor dos vídeos.

Em vez de publicar um discurso político, mostrar bandeira, camiseta de candidato ou fazer uma longa declaração ideológica, algumas mulheres passaram a simplesmente levantar o braço e mostrar a axila depilada.

A pergunta que acompanha algumas dessas publicações segue a mesma lógica:

“Em quem vocês acham que eu voto?”

Para quem conhece o meme, não é preciso acrescentar praticamente mais nada.

A mensagem implícita é que aquela mulher seria de direita.

Obviamente, trata-se de humor político baseado em um estereótipo, e não de qualquer indicador verdadeiro sobre o voto de alguém.

Bianquinha entra na brincadeira e aumenta a repercussão

A participação de Bianquinha, influenciadora que já possui histórico de vídeos com grande repercussão nas redes, ajudou a colocar ainda mais atenção sobre a brincadeira.

Publicações envolvendo a influenciadora passaram a ser reproduzidas por páginas políticas e comentadas por internautas de diferentes posições ideológicas.

Entre apoiadores da direita, o gesto foi recebido principalmente como uma provocação aos estereótipos associados à esquerda.

Do outro lado, usuários críticos à tendência passaram a ironizar justamente a tentativa de associar um hábito de higiene ou estética a uma preferência eleitoral.

E foi justamente essa reação dos dois lados que ajudou a alimentar ainda mais o alcance da brincadeira.

O meme nasceu da inversão de outro estereótipo

A associação não surgiu do nada.

Durante décadas, movimentos femininos questionaram a ideia de que mulheres seriam obrigadas socialmente a remover os pelos das pernas e axilas.

A discussão ganhou ainda mais força com as redes sociais.

Campanhas internacionais incentivaram mulheres a publicar fotografias mantendo os pelos naturais, enquanto artistas e influenciadoras também passaram a defender publicamente que cada mulher deveria decidir se queria ou não se depilar.

O tema acabou ultrapassando a discussão estética e, em determinados ambientes da internet, passou também a ser associado a pautas progressistas.

Foi suficiente para nascer o estereótipo político.

Agora, mulheres identificadas com a direita parecem estar utilizando justamente a imagem contrária para transformar o antigo estereótipo em piada.

Da bandeira e do adesivo para os memes

O episódio também revela uma transformação interessante na comunicação política.

Durante muito tempo, demonstrar apoio político publicamente significava colocar um adesivo no carro, usar uma camiseta, participar de uma manifestação ou carregar a bandeira de determinado partido ou candidato.

Nas redes sociais, essa linguagem mudou.

Um vídeo de poucos segundos, uma música, uma dança, uma expressão ou até uma axila depilada podem ser transformados em símbolos políticos temporários.

E existe uma razão para isso.

Memes conseguem transmitir rapidamente uma mensagem que normalmente exigiria várias frases para ser explicada.

Quem pertence àquele grupo entende a referência imediatamente. Quem discorda responde. Quem não entende pergunta.

Todos acabam aumentando o engajamento.

Política de 2026 também será disputada nos memes

Com a eleição se aproximando, a disputa entre direita e esquerda não acontece somente em debates, entrevistas, programas eleitorais e discursos.

Ela ocorre diariamente no TikTok, Instagram, X, Facebook, YouTube e outras plataformas.

Influenciadores conseguem alcançar milhões de pessoas utilizando uma linguagem completamente diferente daquela adotada pelos políticos tradicionais.

Às vezes, nem sequer precisam mencionar diretamente um candidato.

A comunicação acontece através de referências que os próprios seguidores reconhecem.

É nesse ambiente que a brincadeira das axilas encontrou espaço.

Uma brincadeira, não um teste ideológico

Apesar da repercussão, é importante manter o episódio dentro de sua verdadeira dimensão.

Ter axilas depiladas obviamente não transforma ninguém em eleitor de direita, assim como manter os pelos não torna alguém de esquerda.

Há mulheres conservadoras que não se depilam e mulheres progressistas que se depilam regularmente.

A tendência funciona justamente porque exagera um estereótipo já conhecido na internet.

E, como praticamente todo meme político, provoca reações completamente diferentes dependendo de quem está olhando.

Para uns, é apenas uma piada.

Para outros, uma provocação.

Para alguns, algo sem sentido.

Mas existe uma coisa que todos esses grupos acabam fazendo: comentando e compartilhando.

Até a axila entrou na polarização

A política brasileira já transformou cores, roupas, músicas, alimentos, artistas e até expressões populares em elementos da disputa entre direita e esquerda.

Agora, temporariamente, as axilas entraram nessa lista.

O episódio pode parecer irrelevante — e politicamente talvez realmente seja.

Mas ele demonstra perfeitamente como funciona a comunicação política na era das redes sociais.

Uma piada nasce, alguém transforma em vídeo, influenciadores reproduzem, páginas políticas amplificam e, poucas horas depois, milhares de pessoas estão discutindo aquilo.

Se a brincadeira continuará circulando ou desaparecerá tão rapidamente quanto surgiu, ainda é impossível saber.

Por enquanto, entretanto, a mensagem de algumas mulheres nas redes está sendo transmitida sem discurso, sem bandeira e praticamente sem palavras.

Basta levantar o braço.


Fontes

Publicações e vídeos repercutidos nas redes sociais; perfis associados à influenciadora Bianquinha; UOL Universa; registros públicos sobre a repercussão de padrões estéticos femininos nas redes.

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