BaseNews Jornalismo com contexto dentro da Mistago
Tarcísio muda o tom sobre Flávio Bolsonaro e diz considerar explicações sobre “Dark Horse” suficientes

Tarcísio muda o tom sobre Flávio Bolsonaro e diz considerar explicações sobre “Dark Horse” suficientes

Tarcísio de Freitas afirmou considerar suficientes as explicações de Flávio Bolsonaro sobre “Dark Horse”, mudando o tom adotado em maio. Investigações relacionadas à produção continuam em andamento.

WhatsApp

Governador havia cobrado esclarecimentos em maio sobre a relação entre Flávio e Daniel Vorcaro. Agora, afirma que considera o episódio esclarecido caso não apareçam fatos novos.


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou nesta quarta-feira (26) um novo posicionamento sobre as explicações apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a respeito do financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionado novamente sobre o assunto, Tarcísio afirmou considerar suficientes as explicações apresentadas até agora pelo senador.

“Se nenhum fato novo aparecer, eu acho que está tudo esclarecido.”

A declaração chama atenção porque, há três meses, o governador havia adotado um discurso mais cauteloso e cobrado publicamente esclarecimentos de Flávio.

Em maio, Tarcísio dizia que havia “muitas questões” a explicar

Em 26 de maio, Tarcísio foi questionado sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Na ocasião, respondeu:

“Tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar.”

O governador afirmou ainda que as revelações envolvendo o Banco Master provocavam preocupação na sociedade e, por isso, tudo deveria ser esclarecido.

Três meses depois, a avaliação mudou.

Segundo Tarcísio, Flávio apresentou explicações que considera suficientes diante das informações conhecidas até agora.

O que Flávio Bolsonaro explicou?

Flávio Bolsonaro confirmou em maio que procurou Daniel Vorcaro em busca de recursos para financiar “Dark Horse”.

O senador sustentou desde então que se tratava de uma negociação entre particulares.

Segundo Flávio, sua participação ocorreu como filho de Jair Bolsonaro procurando investidores interessados em financiar uma produção cinematográfica privada sobre a história do ex-presidente.

Ele nega ter oferecido qualquer benefício ou contrapartida pública em troca do investimento.

Também argumenta que buscar financiamento privado para uma produção cinematográfica, por si só, não constitui irregularidade.

De onde surgiram os R$ 134 milhões?

A controvérsia começou depois da divulgação de mensagens, áudios, documentos e comprovantes relacionados às conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo reportagem que revelou o material e posteriormente foi repercutida por diferentes veículos, a negociação discutia um investimento de aproximadamente US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação utilizada à época.

Flávio posteriormente reconheceu que procurou Vorcaro para conseguir financiamento para a produção.

O ponto central da discussão passou então a ser o destino dos recursos.

R$ 61 milhões aparecem nas apurações

Documentos analisados nas investigações indicam que aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido movimentados entre fevereiro e maio de 2025 a partir de estruturas relacionadas a Vorcaro.

Parte dos recursos teria passado por estruturas financeiras utilizadas para captar investimentos destinados ao projeto.

A origem, o caminho e a destinação final desses valores passaram a ser examinados pelas autoridades.

Isso não significa, por si só, que os recursos tenham origem criminosa ou que Flávio Bolsonaro tenha cometido algum crime.

É justamente essa relação financeira que as investigações procuram esclarecer.

Flávio diz que financiamento era privado

Desde que confirmou as conversas, Flávio tem sustentado uma explicação central: tratava-se de dinheiro privado destinado a uma produção privada.

Segundo o senador, não houve promessa de benefício público, vantagem governamental ou contrapartida política a Vorcaro.

Flávio também afirma que não é proprietário da produtora responsável pelo longa e que sua participação esteve relacionada principalmente à cessão de direitos de imagem da família e à busca de investidores.

Prestação de contas virou outro ponto da discussão

Flávio havia prometido apresentar informações sobre os gastos relacionados à produção.

Posteriormente, afirmou que a responsabilidade pela prestação de contas caberia à produtora Go Up Entertainment.

A empresa afirma ter apresentado informações às autoridades e sustenta que o longa foi financiado com recursos privados.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, um relatório privado apresentado pela defesa da responsável pela produtora apontou custo de aproximadamente R$ 75 milhões para a realização do filme.

O material divulgado publicamente, entretanto, não apresentou detalhadamente todos os financiadores e documentos referentes às despesas da produção.

Tarcísio também defende continuidade das investigações

Apesar de considerar suficientes as explicações dadas por Flávio até agora, Tarcísio não defendeu a interrupção das investigações.

O governador afirmou que a Polícia Civil de São Paulo deve continuar realizando seu trabalho normalmente.

A corporação paulista investiga suspeitas relacionadas à Go Up Entertainment e a contratos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil.

Tarcísio afirmou que a Polícia Civil está cumprindo determinações judiciais e que as apurações devem seguir dentro da legislação.

Provas serão compartilhadas com a Polícia Federal

O governador também confirmou que elementos reunidos pela Polícia Civil paulista serão disponibilizados à Polícia Federal.

O compartilhamento ganhou importância depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a PF a acessar o material produzido na investigação de São Paulo.

A decisão permite que investigadores federais analisem documentos, dados financeiros e outras provas já reunidas pela polícia paulista.

Isso significa que Flávio está sendo acusado de desviar dinheiro público?

Não.

Essa distinção é importante.

Existem investigações relacionadas à produtora e ao financiamento de “Dark Horse”, mas isso não significa que esteja comprovado que Flávio Bolsonaro tenha desviado recursos públicos para realizar o filme.

Da mesma forma, a existência de uma negociação de patrocínio com Daniel Vorcaro não representa automaticamente a prática de crime.

As autoridades investigam justamente se houve alguma irregularidade nas movimentações financeiras relacionadas ao projeto.

Filme também avançou na Ancine

Enquanto as investigações continuam, “Dark Horse” avançou recentemente em outra frente.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira ao longa.

A medida é uma das etapas necessárias para sua exploração comercial no Brasil, embora ainda não represente autorização definitiva para exibição nos cinemas.

A produção tem Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro e será distribuída no Brasil pela Europa Filmes.

Mudança de posição de Tarcísio

A principal novidade desta quarta-feira não está nas investigações, mas na mudança de avaliação política feita pelo governador paulista.

Em maio, diante das primeiras revelações, Tarcísio dizia que Flávio tinha “muitas questões” a explicar.

Agora, depois das manifestações públicas apresentadas pelo senador nos últimos meses, o governador considera que as explicações são suficientes diante do que se conhece atualmente.

Mas deixou uma condição clara:

sua avaliação vale enquanto não surgir nenhum fato novo.

Caso ainda não está encerrado para as autoridades

A declaração de Tarcísio representa sua avaliação política sobre as explicações dadas por Flávio Bolsonaro.

Ela não significa, entretanto, o encerramento das investigações.

A Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal continuam analisando diferentes aspectos relacionados à produção, às empresas envolvidas e às movimentações financeiras.

Portanto, existem duas questões distintas.

Politicamente, Tarcísio afirma estar satisfeito com as explicações apresentadas pelo senador até agora.

Juridicamente, as autoridades continuam trabalhando para estabelecer a origem, o caminho e a destinação dos recursos investigados.

É justamente por isso que a última parte da declaração do governador é importante: caso novos elementos apareçam, a avaliação poderá mudar novamente.


Fontes

UOL; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; Metrópoles; informações públicas relacionadas às investigações sobre “Dark Horse”.

Localizacao atualizada.