Haddad chama Datafolha de “esquisito”, mas outra pesquisa também mostra ampla vantagem de Tarcísio em SP
Haddad classificou como “esquisito” o Datafolha que mostra Tarcísio com 45%, contra 27%. Outro levantamento recente também aponta vantagem de dois dígitos para o governador.
Petista questionou resultado que coloca Tarcísio 18 pontos à frente na disputa pelo governo paulista. Levantamento de outro instituto também aponta vantagem de dois dígitos para o atual governador.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, reagiu ao mais recente levantamento do Datafolha sobre a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes e classificou a pesquisa como “esquisita”.
O levantamento coloca o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança, com 45% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 27%.
A diferença entre os dois principais candidatos chega, portanto, a 18 pontos percentuais.
Apesar de questionar aspectos da pesquisa, Haddad reconheceu que levantamentos internos utilizados pelo próprio PT também mostram Tarcísio na liderança da disputa paulista.
Haddad questiona candidatos menos conhecidos
Ao comentar o Datafolha, Haddad direcionou sua crítica principalmente ao desempenho apresentado por candidatos menos conhecidos do eleitorado.
Segundo o petista, alguns desses nomes alcançaram percentuais que chamaram sua atenção.
“No Datafolha tem quatro candidatos que eu não conheço e que, juntos, somam 9% do eleitorado.”
A declaração precisa ser observada com cuidado porque o cenário completo divulgado pelo Datafolha apresenta cinco candidatos além de Tarcísio e Haddad.
Vera Lúcia (PSTU) aparece com 4%; Carlos Machado (PCB), com 3%; Policial Edjane (Agir), com 3%; Vivian Mendes (UP), com 2%; e Izadora Dias (PCO), com 1%.
Somados, esses cinco candidatos alcançam 13%.
Por isso, os 9% mencionados por Haddad devem ser apresentados como parte da declaração do candidato, e não como a soma de todos os demais concorrentes registrados no levantamento.
Veja os números do Datafolha para o governo de São Paulo
Candidato Intenção de voto Tarcísio de Freitas (Republicanos) 45% Fernando Haddad (PT) 27% Vera Lúcia (PSTU) 4% Carlos Machado (PCB) 3% Policial Edjane (Agir) 3% Vivian Mendes (UP) 2% Izadora Dias (PCO) 1% Branco, nulo ou nenhum 11% Não sabe 4%Tarcísio alcança 52% dos votos válidos no cenário pesquisado
Outro dado chama atenção.
Quando são considerados apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos, como ocorre na apuração oficial das eleições — Tarcísio aparece com aproximadamente 52%.
Haddad fica com cerca de 31% dos votos válidos.
Se esse resultado fosse reproduzido nas urnas, Tarcísio ultrapassaria a metade dos votos válidos necessária para vencer a eleição já no primeiro turno.
É importante destacar, entretanto, que pesquisa eleitoral representa um retrato do momento e não uma previsão definitiva do resultado da eleição.
Segundo turno também mostra vantagem de Tarcísio
O Datafolha também simulou uma eventual disputa de segundo turno exclusivamente entre Tarcísio e Haddad.
Nesse cenário, a vantagem do governador permanece elevada:
Tarcísio de Freitas: 54%
Fernando Haddad: 35%
A diferença seria de 19 pontos percentuais.
Rejeição de Haddad chega a 47%
Outro indicador relevante para compreender a disputa é a rejeição.
Segundo o Datafolha, 47% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Fernando Haddad de jeito nenhum.
A rejeição representa um desafio adicional para o candidato petista porque pode dificultar seu crescimento entre eleitores que atualmente apoiam outros candidatos ou ainda não definiram o voto.
Haddad questiona pesquisa, mas reconhece liderança de Tarcísio
Apesar de chamar o levantamento de “esquisito”, Haddad não afirmou que esteja liderando a disputa.
Pelo contrário.
O petista reconheceu que pesquisas internas do próprio partido também colocam Tarcísio na primeira posição.
A divergência estaria principalmente no tamanho da vantagem apresentada pelo Datafolha e no desempenho atribuído aos candidatos menos conhecidos.
Esse ponto é importante porque diferencia uma crítica à metodologia ou aos resultados específicos de uma contestação completa da liderança do governador.
Outro instituto também coloca Tarcísio à frente
A liderança de Tarcísio não aparece exclusivamente no Datafolha.
Um levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado poucos dias antes, também mostrou o governador com vantagem expressiva sobre Haddad.
Nesse levantamento, Tarcísio aparece com 50% das intenções de voto, enquanto Haddad registra 33,8%.
A diferença chega a 16,2 pontos percentuais.
Apesar das diferenças metodológicas entre os institutos, os dois levantamentos apresentam um elemento em comum: Tarcísio aparece à frente de Haddad por uma margem de dois dígitos.
Paraná Pesquisas também testou segundo turno
A vantagem também aparece na simulação de segundo turno realizada pelo instituto.
Tarcísio registra 53%, contra 36,9% de Haddad.
A diferença é de aproximadamente 16 pontos percentuais.
Assim, embora os números exatos variem de um levantamento para outro, tanto Datafolha quanto Paraná Pesquisas apresentam atualmente o mesmo líder.
O que explica diferenças entre pesquisas?
Pesquisas eleitorais realizadas por institutos diferentes não precisam apresentar resultados idênticos.
Cada levantamento utiliza sua própria metodologia para selecionar entrevistados, distribuir a amostra geograficamente, realizar entrevistas e ponderar características da população.
Também existem diferenças relacionadas às datas das entrevistas, formulação das perguntas e ordem de apresentação dos candidatos.
Por isso, divergências de alguns pontos entre institutos são comuns.
O mais importante para acompanhar uma eleição é observar a tendência apresentada por diferentes levantamentos ao longo do tempo, e não apenas um único número isolado.
Datafolha ouviu mais de 1,6 mil eleitores
O levantamento do Datafolha ouviu 1.610 eleitores distribuídos por 65 municípios do estado de São Paulo.
A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número SP-01806/2026.
Disputa paulista começa a ganhar contornos mais definidos
São Paulo concentra o maior eleitorado do Brasil e possui peso decisivo na política nacional.
Por isso, a disputa entre Tarcísio e Haddad ultrapassa as fronteiras do estado.
Tarcísio busca permanecer no comando do maior governo estadual do país e consolidar sua posição como uma das principais lideranças da direita brasileira.
Haddad, por outro lado, tenta retornar ao comando do estado após ter sido derrotado pelo próprio Tarcísio na eleição de 2022.
Naquela eleição, os dois também disputaram o segundo turno.
Tarcísio derrotou Haddad em 2022
O confronto entre os dois candidatos possui um antecedente importante.
Em 2022, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno da eleição paulista.
O candidato apoiado pelo então presidente Jair Bolsonaro recebeu aproximadamente 55,3% dos votos válidos, enquanto Haddad ficou com cerca de 44,7%.
Quatro anos depois, os dois voltam a protagonizar a principal disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Pesquisas ainda podem mudar até a eleição
Apesar da vantagem atual de Tarcísio, a campanha ainda possui espaço para mudanças.
Horário eleitoral, debates, alianças, desempenho das campanhas, acontecimentos nacionais e a própria disputa presidencial podem influenciar o eleitor paulista.
Por isso, nenhum levantamento isolado permite afirmar antecipadamente quem vencerá a eleição.
O que os dados disponíveis permitem afirmar neste momento é que Tarcísio lidera a disputa nos dois levantamentos recentes comparados e possui vantagem de dois dígitos sobre Fernando Haddad.
Crítica de Haddad não muda tendência mostrada pelos levantamentos
Haddad tem o direito de questionar aspectos metodológicos e resultados específicos de qualquer pesquisa eleitoral.
O próprio Datafolha poderá ser comparado com levantamentos futuros para verificar se os percentuais apresentados se mantêm.
Entretanto, a comparação com o Paraná Pesquisas mostra que a liderança de Tarcísio não é uma característica exclusiva do levantamento criticado pelo candidato petista.
Os institutos divergem sobre os percentuais, mas convergem atualmente sobre quem ocupa a primeira posição.
E existe um reconhecimento particularmente relevante vindo do próprio Haddad: segundo ele, levantamentos internos utilizados pelo PT também mostram Tarcísio à frente.
A principal discussão, portanto, parece estar menos sobre quem lidera neste momento e mais sobre qual é o tamanho real da vantagem do governador paulista.
Fontes
Datafolha/Folha de S.Paulo; Paraná Pesquisas; Tribunal Superior Eleitoral; cobertura da imprensa sobre a reação de Fernando Haddad ao levantamento.