Fumaça volta a preocupar Manaus em meio a queimadas e incêndios; qualidade do ar segue sob atenção
Manaus continua enfrentando episódios de fumaça e deterioração da qualidade do ar durante o período de queimadas. Nesta terça-feira (6), um grande incêndio atingiu o Distrito Industrial, enquanto o monitoramento do SELVA/UEA segue acompanhando as concentrações de partículas finas na capital.
Manaus voltou a enfrentar episódios de fumaça e piora da qualidade do ar em meio ao período de queimadas que atinge o Amazonas.
A capital amazonense vem registrando sucessivas ocorrências de poluição atmosférica nas últimas semanas, acompanhadas em tempo real pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O sistema monitora principalmente a concentração de PM2,5, material particulado fino presente na fumaça e pequeno o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório.
Incêndio atingiu Distrito Industrial nesta terça-feira
Nesta terça-feira (6), um incêndio de grandes proporções atingiu uma área de vegetação, materiais recicláveis e resíduos no Distrito Industrial de Manaus.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas foram mobilizadas para combater as chamas.
Segundo informações divulgadas durante a ocorrência, plásticos, óleo e outros materiais combustíveis dificultaram o trabalho das equipes.
Na região do incêndio, dados do SELVA indicaram concentração de aproximadamente 47,8 µg/m³ de PM2,5, valor classificado como moderado pelo sistema naquele momento.
Manaus já enfrentou níveis críticos em 2026
O episódio ocorre depois de semanas de forte preocupação com a qualidade do ar na capital.
Em setembro, diferentes estações do SELVA chegaram às classificações “ruim”, “muito ruim” e “péssima”.
No dia 9 de setembro, por exemplo, algumas estações registraram concentrações superiores a 110 µg/m³ de PM2,5.
O quadro ficou ainda mais grave no dia 23, quando uma estação na zona Sul registrou 286,2 µg/m³, enquanto oito das 12 estações monitoradas naquele momento indicavam qualidade do ar péssima.
Queimadas ajudam a explicar o problema
A presença recorrente de fumaça em Manaus está relacionada às queimadas e incêndios registrados no Amazonas e em áreas próximas.
Dependendo da direção e intensidade dos ventos e de outras condições atmosféricas, plumas de fumaça produzidas a dezenas ou centenas de quilômetros podem ser transportadas até a Região Metropolitana de Manaus.
O sul do Amazonas está entre as áreas que concentram grande quantidade de focos de queimadas nesta temporada.
Isso significa que a fumaça percebida na capital não necessariamente tem origem apenas em incêndios dentro de Manaus.
PM2,5 representa risco à saúde
O material particulado PM2,5 é formado por partículas extremamente pequenas presentes na fumaça, fuligem e outros poluentes.
Durante episódios de elevada concentração, a exposição pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas estão entre os grupos que exigem maior atenção.
Em períodos de fumaça intensa e qualidade do ar deteriorada, recomenda-se reduzir atividades físicas ao ar livre e evitar exposição prolongada, especialmente nos horários em que os sensores indicarem maiores concentrações de partículas.
SELVA permite acompanhar situação em tempo real
Desenvolvido pela UEA, o SELVA utiliza uma rede de sensores para acompanhar a qualidade do ar em Manaus, na região metropolitana e em municípios do interior.
As medições variam ao longo do dia conforme vento, chuva, intensidade das queimadas e outras condições ambientais.
Por isso, a classificação da qualidade do ar pode mudar rapidamente de um bairro para outro e também entre diferentes horários do mesmo dia.
Com a continuidade do período de queimadas, o monitoramento permanece importante para orientar a população sobre os momentos de maior exposição à poluição.
Fontes: Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA/UEA); Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas; A Crítica; Universidade do Estado do Amazonas.