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MBL sob pressão: dinheiro eleitoral foi parar em empresa do irmão de Renan Santos

MBL sob pressão: dinheiro eleitoral foi parar em empresa do irmão de Renan Santos

Campanhas de Amanda Vettorazzo e Renato Battista declararam mais de R$ 84 mil em despesas com empresa ligada ao irmão de Renan Santos. O caso levanta questionamentos sobre o discurso do MBL contra o Fundão, mas os pagamentos não comprovam crime ou “rachadinha”.

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O Movimento Brasil Livre (MBL) voltou ao centro de uma controvérsia envolvendo o uso de recursos eleitorais depois que o youtuber Nando Moura expôs pagamentos realizados por campanhas de integrantes ligados ao grupo para uma empresa pertencente ao irmão de Renan Santos, fundador do movimento e candidato à Presidência da República pelo Partido Missão.

Os pagamentos principais mencionados na denúncia encontram correspondência em registros de despesas eleitorais.

As campanhas de Amanda Vettorazzo e Renato Battista, nas eleições municipais de 2024 em São Paulo, declararam despesas contratadas com a empresa A.S. Gestão e Produções Artísticas Ltda., ligada a Alexandre Henrique Ferreira dos Santos, irmão de Renan Santos.

Pagamentos passam de R$ 84 mil

Os valores atribuídos às duas campanhas somam R$ 84.036,18.

Na prestação relacionada a Amanda Vettorazzo aparecem R$ 41.033,09 em despesas contratadas com a empresa. No caso de Renato Battista, são R$ 43.003,09.

Nando Moura também mencionou outro pagamento de R$ 2.332 relacionado à estrutura partidária, chegando ao total de R$ 86.368,18 apresentado por ele em sua crítica.

A existência dos pagamentos, entretanto, não comprova por si só qualquer crime. Empresas podem prestar serviços a campanhas eleitorais desde que as contratações observem a legislação e sejam corretamente declaradas à Justiça Eleitoral.

Por que o caso provocou tanta repercussão?

A principal controvérsia é política.

O MBL construiu parte de sua trajetória criticando o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, popularmente conhecido como Fundão Eleitoral, e atacando práticas tradicionais da política brasileira envolvendo recursos públicos.

Por isso, Nando Moura passou a questionar a coerência entre esse discurso e a utilização de recursos eleitorais por candidatos ligados ao movimento para contratar uma empresa pertencente ao irmão de um de seus fundadores.

A relação familiar, por si só, também não torna a contratação ilegal. O questionamento é se o serviço foi efetivamente prestado, se os preços eram compatíveis com o mercado e se todas as regras eleitorais foram respeitadas.

Quem é Alexandre Santos?

Alexandre Henrique Ferreira dos Santos, conhecido no ambiente do MBL como “Salsicha”, não apareceu agora na história do movimento.

Ele trabalha há anos com produção audiovisual e já esteve envolvido na produção de vídeos e outros materiais relacionados ao MBL.

Há registros anteriores de Alexandre ligados à estrutura de produção audiovisual do grupo, o que dá contexto à explicação apresentada por Renan Santos de que seu irmão não teria sido contratado simplesmente por causa do parentesco.

Renan Santos responde às acusações

Renan Santos rebateu publicamente Nando Moura e defendeu a contratação.

Segundo Renan, Alexandre possui experiência na produção audiovisual, participou da construção da identidade visual do MBL e seria responsável por trabalhos utilizados pelo movimento há vários anos.

Renan argumentou ainda que a empresa entrega serviços de qualidade e cobra valores que considera inferiores aos praticados pelo mercado.

Essa é a versão apresentada pelo fundador do MBL para justificar por que candidatos ligados ao movimento contrataram a empresa de seu irmão.

Não há base para chamar pagamentos de “rachadinha”

Apesar do tom das acusações que circulam nas redes sociais, é necessário fazer uma distinção importante.

Os registros localizados não demonstram, por si mesmos, a existência de uma “rachadinha”.

O termo é normalmente utilizado para situações em que agentes públicos exigem a devolução de parte dos salários ou recursos recebidos por assessores, apropriando-se direta ou indiretamente desses valores.

O que está documentado neste caso são despesas eleitorais declaradas para uma empresa que possui vínculo familiar com Renan Santos.

Para afirmar que houve desvio, superfaturamento, serviço fictício ou outra irregularidade seria necessário apresentar provas adicionais. Os pagamentos e o parentesco, isoladamente, não permitem essa conclusão.

Contradição política é o ponto mais delicado

Mesmo sem prova de crime, o episódio cria um problema político para o MBL e para o Partido Missão.

A pergunta levantada pelos críticos é simples: um grupo que durante anos atacou o Fundão Eleitoral deveria utilizar recursos dessa mesma origem para contratar empresas pertencentes a familiares de suas lideranças?

Essa discussão pertence principalmente ao campo da coerência política e ética, e não significa automaticamente a existência de uma ilegalidade.

Renan Santos sustenta que houve prestação real de serviços por um profissional experiente e que o parentesco não deveria impedir a contratação.

Nando Moura, por sua vez, utiliza os pagamentos para acusar antigos aliados de adotarem práticas incompatíveis com o discurso que ajudou a construir a imagem pública do MBL.

Os documentos confirmam os pagamentos principais. O que eles não permitem afirmar, sem outras provas, é que tenha ocorrido apropriação ilegal do dinheiro.

Fontes: dados públicos de prestação de contas eleitorais; Crusoé, reportagem “A treta entre Nando Moura e o MBL”, publicada em 2025; declarações públicas de Nando Moura e resposta pública de Renan Santos.

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