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“Faz o L”: imagem atribuída a agência fechada viraliza enquanto rombo dos Correios chega a R$ 5,5 bilhões

“Faz o L”: imagem atribuída a agência fechada viraliza enquanto rombo dos Correios chega a R$ 5,5 bilhões

Imagem com a frase “Faz o L” viralizou em meio à crise dos Correios. A origem da foto não está confirmada, mas o rombo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre é oficial.

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Uma fotografia atribuída a uma unidade dos Correios passou a circular nas redes sociais em meio à grave crise financeira enfrentada pela estatal.

Na parede do imóvel aparece uma frase de protesto contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Faz o L, arrombado”.

A imagem rapidamente ganhou conotação política e passou a ser compartilhada por críticos do governo como símbolo da situação atual dos Correios.

Há, entretanto, uma ressalva importante: não foi possível confirmar de forma independente onde e quando a fotografia foi registrada nem se o imóvel retratado corresponde efetivamente a uma unidade encerrada durante o atual processo de reestruturação.

Se a origem da fotografia ainda é incerta, a crise financeira dos Correios não é.

Prejuízo chega a R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses

Dados oficiais mostram que os Correios encerraram o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões.

O resultado representa uma piora de 30,36% em relação ao prejuízo de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo período de 2025.

Somente no primeiro trimestre deste ano, a estatal perdeu R$ 3,16 bilhões. No segundo trimestre, foram outros R$ 2,39 bilhões.

Apesar do tamanho do rombo acumulado, houve melhora entre os dois primeiros trimestres: o prejuízo do segundo trimestre caiu 24,4% na comparação com os três primeiros meses do ano.

Correios já recorreram a empréstimo de R$ 12 bilhões

A dimensão da crise obrigou a companhia a recorrer a uma operação bilionária para recuperar sua liquidez.

Os Correios contrataram R$ 12 bilhões em financiamento com participação de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander.

A operação possui garantia da União. Isso significa que, caso a estatal não consiga honrar as obrigações nas condições previstas, existe risco financeiro para o Tesouro Nacional conforme as regras da garantia concedida.

O financiamento ajudou a empresa a regularizar compromissos de curto prazo e reorganizar seu fluxo financeiro.

E agora os Correios querem mais R$ 7 bilhões

Mesmo depois da operação de R$ 12 bilhões, a estatal formalizou pedido para uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões.

A proposta envolve Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan e prevê prazo de 15 anos, incluindo três anos de carência.

Para que a operação avance nas condições negociadas, os Correios buscam novamente uma garantia da União.

Somados, os dois financiamentos podem chegar a R$ 19 bilhões.

Reestruturação atinge tamanho da empresa

Para tentar reverter a situação, os Correios colocaram em execução um amplo plano de reestruturação.

As medidas envolvem revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, redução de custos, programas de desligamento voluntário e mudanças na estrutura operacional.

A empresa afirma que busca aumentar a eficiência, recuperar receitas e modernizar seu modelo de negócios diante das profundas transformações ocorridas no mercado postal.

O cenário também provocou forte tensão com os trabalhadores. Em setembro, funcionários iniciaram uma greve nacional em meio às negociações envolvendo condições de trabalho, benefícios e plano de saúde.

Crise não começou em 2026

Embora a fotografia que viralizou seja utilizada politicamente contra o governo Lula, é importante separar a crítica política dos números.

Os Correios já vinham enfrentando problemas estruturais relacionados à transformação do mercado postal, concorrência no comércio eletrônico, despesas elevadas e perda de receitas tradicionais.

Isso não elimina, entretanto, a responsabilidade da atual administração pelos resultados produzidos durante sua gestão.

Em 2025, os Correios registraram prejuízo recorde de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. Agora, somente nos seis primeiros meses de 2026, outros R$ 5,55 bilhões foram adicionados ao resultado negativo.

Imagem virou símbolo político de um problema que é real

É justamente nesse cenário que a fotografia com a frase “Faz o L” ganhou força nas redes.

Não é possível afirmar, sem identificar sua origem, que a pichação tenha sido feita por funcionário dos Correios, que represente a opinião dos trabalhadores ou mesmo que tenha sido registrada em uma agência atingida pela atual reestruturação.

Mas os números que deram força política à imagem são oficiais: prejuízo bilionário, necessidade de reestruturação e dependência de grandes operações de crédito para reforçar o caixa.

Enquanto críticos atribuem responsabilidade ao governo Lula pela deterioração das contas durante a atual gestão, os Correios argumentam que enfrentam problemas estruturais acumulados e afirmam que o plano de recuperação já começa a produzir melhora em alguns indicadores.

O segundo trimestre apresentou redução do prejuízo em relação ao primeiro, mas a companhia continua diante de um desafio gigantesco: recuperar uma estatal que perdeu R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses e que agora busca bilhões de reais adicionais para financiar sua reestruturação.

Fontes: Correios, Ministério da Fazenda, Câmara dos Deputados, Folha de S.Paulo e CNN Brasil.

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