De 81 kg a 37 kg: o estado de Alexander Díaz após anos preso em Cuba choca o mundo
Preso após os protestos de 2021 em Cuba, Alexander Díaz Rodríguez deixou a prisão em 2026 extremamente debilitado, com câncer e, segundo seu relato, pesando cerca de 37 kg.
Preso após participar dos históricos protestos de 11 de julho de 2021 em Cuba, Alexander Díaz Rodríguez deixou o sistema penitenciário em abril de 2026 extremamente debilitado. Organizações de direitos humanos já documentavam há anos a deterioração de sua saúde durante o período em que permaneceu encarcerado.
As imagens são difíceis de ignorar. De um lado, aparece Alexander Díaz Rodríguez antes de passar anos no sistema penitenciário cubano. Do outro, o mesmo homem depois de deixar a prisão: extremamente magro, fragilizado e enfrentando graves problemas de saúde.
Segundo organizações que acompanham a situação dos presos em Cuba, Alexander foi detido após participar dos grandes protestos populares de 11 de julho de 2021, conhecidos como 11J.
Ele permaneceu privado de liberdade até abril de 2026.
Quando saiu, apresentava um quadro descrito pela organização Prisoners Defenders como de desnutrição severa, além de enfrentar câncer, anemia e hepatite B.
O caso ganhou repercussão internacional e voltou a colocar sob atenção as condições enfrentadas por opositores e manifestantes presos pelo regime cubano.
O que foram os protestos de 11 de julho?
Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram às ruas em diferentes regiões do país.
As manifestações ficaram conhecidas internacionalmente como 11J e representaram uma das maiores ondas de protestos contra o governo cubano em décadas.
Manifestantes protestavam contra a situação econômica, falta de alimentos e medicamentos, cortes de energia e as restrições políticas existentes no país.
Palavras de ordem como “Libertad” e “Patria y Vida” foram ouvidas durante os atos.
O governo respondeu com detenções em larga escala. Nos meses e anos seguintes, diversos participantes receberam penas de prisão.
Alexander estava entre os presos do 11J
Alexander Díaz Rodríguez participou das manifestações e acabou detido pelas autoridades cubanas.
Organizações independentes passaram a acompanhar seu caso e a classificá-lo como preso político.
O governo cubano rejeita essa classificação e sustenta historicamente que pessoas condenadas após manifestações respondem por violações da legislação do país, e não simplesmente por suas opiniões políticas.
Há divergências nas fontes sobre a duração formal da pena aplicada a Alexander. Por isso, o dado mais seguro é o período documentado: ele permaneceu preso desde os acontecimentos de 2021 até sua saída em abril de 2026.
Problemas de saúde já eram denunciados em 2023
Um aspecto importante do caso é que as denúncias sobre a condição física de Alexander não apareceram somente depois de sua libertação.
Existem registros produzidos durante o período em que ele ainda estava atrás das grades.
Em 2023, o Centro de Documentação de Prisões Cubanas já relatava uma preocupante deterioração de sua saúde.
Registros daquele período mencionavam câncer na garganta, perda significativa de peso, dificuldade para caminhar e problemas relacionados ao acesso a atendimento médico, medicamentos e alimentação.
Esses documentos são importantes porque mostram que a deterioração física observada posteriormente vinha sendo denunciada havia anos.
Em 2024, situação continuava preocupante
No ano seguinte, novos relatórios continuaram registrando problemas relacionados à saúde de Alexander.
Além do câncer, apareceram referências a hepatite B e à continuidade de dificuldades relacionadas ao tratamento médico.
Organizações que acompanham o sistema penitenciário cubano passaram a cobrar atendimento adequado e atenção para a situação do preso.
Em 2025, relatos já descreviam Alexander extremamente magro
As denúncias continuaram durante 2025.
Em maio daquele ano, um relatório do Centro de Documentação de Prisões Cubanas descreveu Alexander como “visivelmente magro” e voltou a registrar reclamações relacionadas à assistência médica recebida durante o encarceramento.
Isso ocorreu quase um ano antes de sua saída.
A sequência dos registros permite acompanhar uma deterioração progressiva relatada ao longo de diferentes anos: 2023, 2024 e 2025.
De aproximadamente 81 kg para cerca de 37 kg
Depois de deixar a prisão, o próprio Alexander apresentou números que ajudam a dimensionar sua transformação física.
Segundo seu relato, ele entrou no sistema penitenciário pesando aproximadamente 81 quilos.
Quando saiu, afirmou estar com cerca de 37 quilos.
Considerando esses números, a perda seria de aproximadamente 44 quilos durante o período de encarceramento.
Outras entrevistas publicadas posteriormente apresentaram estimativas ligeiramente diferentes sobre a perda total de peso. Por isso, os números devem ser entendidos como provenientes do relato de Alexander, e não como uma medição médica independente divulgada pelas autoridades cubanas.
As fotografias feitas após sua saída, entretanto, mostram de forma evidente sua condição de extrema fragilidade física.
Câncer de garganta durante o encarceramento
Alexander também enfrentou um problema ainda mais grave.
Organizações que acompanharam seu caso registraram que ele foi diagnosticado com câncer de garganta durante o período em que esteve preso.
A Prisoners Defenders afirma que o quadro evoluiu e denuncia que Alexander não teria recebido atendimento adequado diante da gravidade de sua condição.
Também foram relatados anemia, hepatite B e desnutrição.
Não existem elementos suficientes para afirmar que o encarceramento tenha causado o câncer. O que está documentado pelas organizações é que a doença foi diagnosticada durante o período em que Alexander estava preso e sua condição de saúde se deteriorou enquanto permanecia sob custódia do Estado cubano.
Prisoners Defenders denuncia desnutrição severa
Após a saída de Alexander, a Prisoners Defenders utilizou seu caso ao denunciar as condições existentes dentro do sistema penitenciário cubano.
A organização afirma que problemas de alimentação e assistência médica atingem um número elevado de detentos no país.
Segundo a entidade, Alexander deixou a prisão enfrentando desnutrição extrema e doenças graves.
O governo cubano contesta frequentemente relatórios produzidos por organizações independentes e rejeita acusações de que mantenha cidadãos encarcerados simplesmente por divergências políticas.
Cuba nega possuir presos políticos
O caso também chama atenção diante da posição oficial adotada pelo governo de Miguel Díaz-Canel.
O regime cubano rejeita a existência de presos políticos no país e sustenta que pessoas encarceradas foram processadas por crimes previstos na legislação cubana.
Organizações internacionais e entidades independentes apresentam uma avaliação completamente diferente.
A Prisoners Defenders, por exemplo, mantém registros de centenas de pessoas que classifica como presos políticos e de consciência.
Em junho de 2026, a entidade afirmou ter documentado 1.306 presos políticos em Cuba.
Esse número corresponde ao levantamento da organização e não é reconhecido pelo governo cubano.
Díaz-Canel falou sobre o assunto à imprensa americana
Em abril de 2026, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel concedeu uma entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News.
Durante a entrevista, foi confrontado com questionamentos envolvendo presos classificados como políticos por organizações internacionais e com as exigências feitas pelos Estados Unidos em relação à situação dos direitos humanos na ilha.
A posição apresentada pelo governo cubano permaneceu baseada na negativa de que o país mantenha cidadãos encarcerados exclusivamente por suas convicções políticas.
É justamente nesse ponto que casos como o de Alexander ganham repercussão internacional.
As imagens levantam uma pergunta inevitável
Independentemente das divergências políticas entre o governo cubano e organizações de direitos humanos, existe um fato visualmente evidente: Alexander deixou o sistema penitenciário em uma condição física extremamente diferente daquela em que aparecia antes de ser preso.
As fotografias de antes e depois passaram a circular como símbolo das denúncias relacionadas às prisões cubanas.
E os registros anteriores à libertação mostram que sua situação de saúde já vinha sendo denunciada enquanto ele ainda estava encarcerado.
Isso torna inevitável uma pergunta: o que aconteceu com Alexander durante os anos em que permaneceu sob custódia do Estado cubano?
Mesmo debilitado, Alexander voltou a enfrentar problemas com as autoridades
A história não terminou quando ele deixou a prisão.
Segundo organizações de direitos humanos, em 2 de julho de 2026, Alexander voltou a ser detido pelas autoridades cubanas.
Ele estava acompanhado do ativista José Elías González Agüero e pretendia participar de uma atividade relacionada à representação diplomática dos Estados Unidos.
A Prisoners Defenders e a organização Cubalex denunciaram que os dois permaneceram incomunicáveis e teriam sofrido agressões e outras formas de tratamento degradante durante a detenção.
Essas acusações são baseadas nos relatos dos envolvidos e das organizações que documentaram o episódio.
O corpo de Alexander tornou-se parte da denúncia
A história de Alexander Díaz Rodríguez ganhou repercussão porque reúne elementos que ultrapassam uma simples disputa política sobre Cuba.
Existe um homem que participou dos protestos de 2021, foi encarcerado e, durante os anos seguintes, teve problemas graves de saúde documentados por organizações independentes.
Existem registros de 2023, 2024 e 2025 alertando sobre sua deterioração.
E existem as imagens produzidas depois de sua saída em 2026.
Para organizações críticas ao regime cubano, Alexander tornou-se um dos exemplos mais impactantes das condições enfrentadas por presos políticos na ilha.
O governo cubano pode contestar a classificação utilizada por essas entidades, mas as fotografias e os registros produzidos ao longo dos anos colocam diante do público uma questão que permanece relevante.
Como um homem entrou no sistema penitenciário em determinada condição física e saiu anos depois pesando, segundo seu próprio relato, menos da metade do que pesava antes?
Essa é uma pergunta que não depende de ideologia para ser feita. É uma questão sobre custódia estatal, condições penitenciárias e direitos humanos — e que o caso de Alexander Díaz Rodríguez colocou novamente diante do mundo.
Fontes
Prisoners Defenders; Centro de Documentação de Prisões Cubanas; Cubalex; NBC News – Meet the Press; 14ymedio; registros e entrevistas públicas de Alexander Díaz Rodríguez.