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“Faz o L” é de quem? Léo Santana tenta registrar bordão usado por Lula e diz que expressão surgiu em 2011

“Faz o L” é de quem? Léo Santana tenta registrar bordão usado por Lula e diz que expressão surgiu em 2011

Léo Santana pediu o registro de “Faz o L” como marca e afirma utilizar o bordão desde 2011, anos antes de a expressão ficar nacionalmente associada a Lula.

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Uma das expressões mais conhecidas da política brasileira também faz parte da história de um dos maiores nomes do pagode baiano. A empresa responsável pela carreira de Léo Santana pediu ao INPI o registro da marca “Faz o L”, bordão que o cantor afirma utilizar desde 2011 e que, anos depois, se tornaria fortemente associado a Luiz Inácio Lula da Silva.


Quando alguém diz “Faz o L” atualmente, grande parte dos brasileiros provavelmente pensa imediatamente no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mas existe outro “L” nessa história.

O cantor Léo Santana, por meio da Salvador Produções, empresa responsável pela gestão de sua carreira, apresentou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um pedido para registrar “FAZ O L” como marca.

O pedido foi protocolado em 28 de abril de 2023 e ganhou grande repercussão posteriormente justamente pela associação da expressão com Lula.

Mas Léo Santana diz que seu “Faz o L” veio muito antes

A parte mais curiosa da história está na origem apresentada pela equipe do artista.

Segundo Léo Santana e a Salvador Produções, o cantor utiliza a expressão desde 2011, época em que ainda era vocalista da banda Parangolé.

A equipe afirma que o bordão começou a ser utilizado durante o período de lançamento da música “Madeira de Lei”.

Ou seja: segundo a versão apresentada pelo artista, o seu “Faz o L” surgiu mais de uma década antes da campanha presidencial de 2022, quando a expressão ganhou enorme projeção política nacional.

O “L” de Léo e o “L” de Lula

Apesar de utilizarem exatamente a mesma expressão, os significados são completamente diferentes.

No universo de Léo Santana, o “L” é uma referência ao próprio nome do cantor e faz parte de seus bordões e da interação com o público durante apresentações.

Na política, o “L” representa Lula e se consolidou como gesto e slogan utilizado por eleitores e apoiadores do petista.

Durante a campanha presidencial de 2022, a expressão “Faz o L” tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos da candidatura de Lula.

Depois da eleição, a frase continuou sendo utilizada tanto por apoiadores quanto por adversários do presidente — neste último caso, frequentemente de maneira irônica para atribuir ao governo responsabilidade por acontecimentos econômicos ou políticos.

Até os gestos são diferentes

Existe ainda uma diferença curiosa.

O tradicional gesto político associado a Lula utiliza o indicador e o polegar para formar visualmente a letra “L”.

Já o gesto utilizado por Léo Santana em suas apresentações possui uma configuração diferente das mãos, embora seja acompanhado pela mesma expressão.

Essa distinção ajuda a demonstrar que os dois usos possuem histórias e contextos próprios, apesar de terem acabado se encontrando no imaginário popular.

Léo Santana quer impedir Lula de “fazer o L”?

Não.

Quando o pedido de registro ganhou repercussão nacional e surgiram notícias sugerindo que o cantor poderia tentar impedir Lula de utilizar a expressão, Léo Santana decidiu se manifestar.

A assessoria esclareceu que o único procedimento existente era o pedido administrativo de registro da marca.

“Não há, nem haverá, qualquer ação judicial contra o presidente Lula, contra partidos políticos ou qualquer pessoa que use ou deseje usar a expressão ‘FAZ O L’.”

O cantor também afastou qualquer interpretação política sobre seu bordão.

“A minha música, meus shows e meus bordões não têm qualquer vínculo com partidos ou órgãos políticos.”

Léo chegou a reconhecer publicamente que Lula utiliza a expressão e afirmou que seria absurdo imaginar que pretendesse cobrar o presidente por isso.

Então Léo Santana poderá ser “dono” do Faz o L?

A questão é mais complexa.

O registro de uma marca não significa simplesmente adquirir propriedade sobre determinadas palavras em qualquer circunstância.

A proteção concedida pelo INPI está relacionada às classes de produtos ou serviços para as quais o registro é solicitado e às regras previstas na legislação de propriedade industrial.

Isso significa que eventual concessão da marca não transforma automaticamente Léo Santana em proprietário da expressão “Faz o L” em qualquer utilização feita no Brasil.

Uma utilização comercial relacionada às categorias protegidas pela marca é juridicamente diferente, por exemplo, de alguém escrever “Faz o L” em uma publicação política nas redes sociais.

Registro também não é automático

Outro ponto importante é que protocolar um pedido não significa possuir uma marca registrada.

O INPI precisa analisar o processo e verificar se a expressão atende aos requisitos previstos na legislação.

Somente depois da concessão é que o titular passa a contar com a proteção decorrente daquele registro, dentro dos limites estabelecidos para a marca.

Quando a controvérsia veio a público, o processo ainda constava como “aguardando exame de mérito”.

“Faz o L” virou parte da cultura popular brasileira

A história chama atenção justamente porque demonstra como uma mesma expressão pode adquirir significados completamente diferentes.

Para os fãs de Léo Santana, o “L” pode representar o cantor.

Para os apoiadores de Lula, representa o presidente.

Para adversários políticos do petista, “Faz o L” também se transformou em uma expressão de ironia e crítica.

Memes com a frase aparecem sempre que determinados acontecimentos relacionados a impostos, preços, decisões governamentais ou problemas econômicos ganham repercussão.

Assim, uma expressão aparentemente simples passou a carregar significados musicais, comerciais, políticos e humorísticos.

Uma coincidência que começou antes da eleição

O ponto mais interessante do episódio talvez seja justamente sua cronologia.

Léo Santana sustenta que utiliza “Faz o L” desde 2011.

Mais de dez anos depois, a campanha de Lula transformaria a mesma expressão em um dos slogans políticos mais conhecidos das eleições de 2022.

Em abril de 2023, a Salvador Produções apresentou o pedido de registro ao INPI.

Quando o caso ganhou repercussão nacional em 2024, Léo Santana fez questão de separar completamente as duas coisas: seu “L” pertence ao universo artístico; o “L” de Lula, à política.

Agora, a curiosidade permanece: uma expressão que milhões de brasileiros associam imediatamente ao presidente também é reivindicada comercialmente por um artista que afirma utilizá-la há mais de uma década.


Fontes

Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); Salvador Produções; declarações públicas de Léo Santana; A Tarde; Band; UOL; Bahia Notícias.

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