Flávio Bolsonaro acusa Dino de “sequestrar” caso Dark Horse e pede investigação de volta a André Mendonça
Flávio Bolsonaro acusou Flávio Dino de ter “sequestrado” uma frente da investigação sobre o filme “Dark Horse” e pediu que o procedimento seja encaminhado a André Mendonça. A defesa já havia feito ao menos quatro pedidos semelhantes em julho, argumentando que Mendonça seria o relator natural por conduzir investigações conexas. Não há, porém, decisão do STF reconhecendo ilegalidade na relatoria de Dino.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar neste sábado (12) a condução das investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em publicação nas redes sociais, Flávio acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de ter “sequestrado” uma das frentes da investigação para, segundo sua avaliação, utilizá-la politicamente contra ele.
A expressão utilizada pelo senador representa uma acusação política e jurídica feita por Flávio Bolsonaro. Não existe, até o momento, decisão do STF reconhecendo que Dino tenha agido ilegalmente ao assumir a relatoria do procedimento.
Defesa tentou levar caso para André Mendonça
A contestação sobre a relatoria não surgiu apenas depois das recentes operações da Polícia Federal.
A defesa de Flávio Bolsonaro apresentou ao menos quatro pedidos ao Supremo entre 13 e 29 de julho de 2026 para que investigações relacionadas ao financiamento de “Dark Horse” fossem concentradas sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Os advogados sustentam que Mendonça seria o chamado “relator natural” ou prevento porque já conduzia outros procedimentos relacionados ao financiamento do filme e às movimentações financeiras envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na avaliação da defesa, fatos conexos deveriam permanecer sob responsabilidade do mesmo ministro para evitar investigações paralelas sobre acontecimentos relacionados.
Como Flávio Dino entrou no caso
A controvérsia envolve uma frente específica da investigação relacionada a possíveis irregularidades na utilização de emendas parlamentares destinadas a entidades e empresas que teriam ligação com pessoas envolvidas na produção do filme.
Esse procedimento teve origem em uma representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e acabou distribuído ao gabinete de Flávio Dino.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumentou posteriormente que o procedimento deveria ter sido relacionado aos processos já conduzidos por André Mendonça.
Segundo os advogados, teria ocorrido um problema na distribuição do processo dentro do Supremo. Essa interpretação, entretanto, é contestada e ainda não existe decisão definitiva reconhecendo que a relatoria de Dino seja irregular.
Flávio diz que investigação foi retirada de Mendonça por um “atalho”
Na manifestação deste sábado, Flávio Bolsonaro elevou o tom contra Dino.
Segundo o senador, a investigação teria sido retirada do ministro André Mendonça por meio de um “atalho” processual.
Flávio afirmou ainda que a defesa voltou a solicitar que o procedimento seja encaminhado ao ministro que considera ser o relator natural do caso.
A acusação ocorre dois dias depois de uma operação da Polícia Federal relacionada à investigação sobre possível utilização irregular de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Operação da PF atingiu pessoas relacionadas à produção
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu mandados dentro da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e pessoas relacionadas à produção de “Dark Horse”.
Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e pessoas ligadas à produtora responsável pelo filme.
A investigação busca determinar se recursos provenientes de emendas parlamentares destinados a outras finalidades acabaram chegando, direta ou indiretamente, a empresas relacionadas à produção cinematográfica.
Os investigados negam irregularidades.
Existem diferentes frentes de investigação sobre Dark Horse
Um ponto importante para compreender a disputa é que não existe apenas uma única apuração relacionada ao filme.
André Mendonça conduz procedimentos que investigam movimentações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro e recursos destinados ao projeto cinematográfico.
Em uma dessas frentes, a Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio Bolsonaro também aparece formalmente como investigado.
Já o procedimento que ficou com Flávio Dino concentra-se em suspeitas relacionadas ao possível desvio ou utilização irregular de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
É justamente a possível conexão entre essas diferentes investigações que sustenta o argumento da defesa para concentrar os procedimentos sob responsabilidade de André Mendonça.
Mario Frias também pediu transferência para Mendonça
Flávio Bolsonaro não é o único a questionar a relatoria.
A defesa do deputado Mario Frias também pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o procedimento conduzido por Dino seja transferido para André Mendonça.
Os advogados de Frias utilizam argumento semelhante: Mendonça já conduz diversas investigações relacionadas ao financiamento de “Dark Horse” e, portanto, deveria analisar também essa frente.
Flávio nega uso irregular de recursos
Flávio Bolsonaro nega ter participado de qualquer esquema ilegal relacionado ao financiamento do filme.
O senador afirma que os recursos privados obtidos para a produção foram destinados ao projeto e sustenta que não houve utilização irregular de dinheiro público para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Uma perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment também apresentou informações sobre os gastos realizados durante a produção. A Polícia Federal, entretanto, identificou divergências entre alguns desses dados e movimentações financeiras obtidas por meio de informações do Coaf.
Essas divergências fazem parte da investigação e ainda não representam comprovação de crime.
Disputa agora é também sobre quem deve conduzir a investigação
O caso Dark Horse passou, portanto, a envolver duas discussões distintas.
A primeira diz respeito ao mérito das investigações: saber de onde vieram os recursos destinados ao filme, como foram utilizados e se houve alguma irregularidade envolvendo dinheiro público ou privado.
A segunda envolve uma questão processual: qual ministro do Supremo possui competência para conduzir cada uma dessas investigações.
Flávio Bolsonaro sustenta que André Mendonça deveria concentrar os procedimentos relacionados ao filme. Flávio Dino permanece responsável pela frente que investiga possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares.
A definição sobre eventual transferência dependerá do próprio Supremo.
Enquanto não houver decisão reconhecendo irregularidade na distribuição, a afirmação de que Dino “sequestrou” o processo deve ser compreendida como uma acusação feita por Flávio Bolsonaro, e não como uma conclusão judicial.
Fontes: manifestação pública de Flávio Bolsonaro; Poder360; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; Metrópoles; documentos e informações públicas relacionados aos procedimentos no Supremo Tribunal Federal.