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“Homem da mala” de Vorcaro teve entrada registrada no Palácio do Planalto; destino da visita é desconhecido

“Homem da mala” de Vorcaro teve entrada registrada no Palácio do Planalto; destino da visita é desconhecido

Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, teve entrada registrada no Palácio do Planalto em janeiro de 2024. Anos depois, ele relatou à PGR ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão e realizado entregas de dinheiro vivo a pedido de Daniel Vorcaro. Não há prova de que tenha levado dinheiro ao Planalto ou se encontrado com Lula.

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Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e que posteriormente relatou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter atuado na movimentação e entrega de grandes quantias em dinheiro vivo a pedido de Daniel Vorcaro, teve uma entrada registrada no Palácio do Planalto em janeiro de 2024. O registro, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação, acrescenta um novo elemento às revelações relacionadas ao caso Banco Master.

A passagem de Freixo pelo Palácio do Planalto ocorreu em 23 de janeiro de 2024, às 14h42, segundo os registros de portaria consultados pelo Metrópoles.

O dado chama atenção principalmente pelo que veio a ser revelado posteriormente sobre a atuação do empresário.

Em acordo de colaboração premiada firmado com a PGR, Freixo afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 em operações destinadas, segundo seu relato, à obtenção e entrega de dinheiro em espécie a pedido de Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao ex-controlador do Banco Master.

Há, entretanto, uma diferença fundamental entre os dois fatos.

Não existe até o momento informação pública de que Freixo tenha levado dinheiro ao Palácio do Planalto, nem evidência de que tenha se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva naquela visita.

Entrada ocorreu às 14h42

Segundo a apuração baseada nos registros oficiais de acesso, Antônio Carlos Freixo Júnior entrou no Palácio do Planalto às 14h42 de uma terça-feira, 23 de janeiro de 2024.

O levantamento analisou registros compreendidos entre janeiro de 2022 e março de 2025.

Dentro desse período, foi localizada apenas aquela passagem de Freixo pelo Planalto.

Outro aspecto ainda sem resposta é quem recebeu o empresário.

O nome de Freixo não aparece nas agendas públicas das autoridades que trabalhavam no Palácio do Planalto naquela data.

Isso, sozinho, não significa que a visita tenha sido clandestina ou irregular. Nem todos os acessos a prédios públicos necessariamente correspondem a compromissos registrados nas agendas públicas das principais autoridades.

Mas deixa aberta uma pergunta relevante diante das revelações posteriores: qual era a finalidade da visita?

Quem é Antônio Carlos Freixo Júnior?

Freixo ganhou projeção nacional nos últimos meses por causa das investigações relacionadas ao Banco Master.

Conhecido como “Mineiro”, ele é empresário e proprietário da Entre Investimentos e Participações.

Segundo as investigações, a empresa teria funcionado como uma estrutura operacional utilizada em movimentações financeiras relacionadas a Daniel Vorcaro.

Freixo foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e posteriormente iniciou negociações para uma colaboração premiada.

O acordo acabou sendo fechado com a Procuradoria-Geral da República.

R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025

O conteúdo atribuído à colaboração é um dos aspectos mais impressionantes do caso.

Freixo afirmou à PGR que atuava na obtenção de grandes quantidades de dinheiro em espécie a pedido de Vorcaro.

Segundo seu relato, entre 2020 e 2025 passaram por essas operações aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

O dinheiro seria obtido por meio de operações financeiras e posteriormente disponibilizado em espécie.

O volume era tão grande que, segundo o empresário, muitas entregas precisavam ser realizadas utilizando malas.

Malas levavam até R$ 1,5 milhão, diz colaborador

Freixo relatou que as malas normalmente transportavam valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

Os pedidos teriam partido inicialmente de Daniel Vorcaro e, posteriormente, também de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro.

De acordo com o relato do empresário, as quantias eram entregues a pessoas indicadas pelos responsáveis pelas solicitações.

Freixo disse acreditar que parte desses recursos seria utilizada para pagamentos de comissões e vantagens indevidas.

Essa afirmação integra a versão apresentada pelo colaborador à PGR e ainda depende de investigação e comprovação por outros elementos de prova.

Freixo diz possuir vídeos das entregas

Outro elemento que poderá ganhar importância caso a colaboração avance é a afirmação de que existem registros em vídeo.

Freixo disse possuir gravações de entregas de dinheiro feitas a destinatários indicados por Vorcaro.

Essas imagens, caso sejam apresentadas e consideradas autênticas, poderão ajudar os investigadores a verificar partes do relato do empresário.

Em uma colaboração premiada, a palavra do delator não basta para condenar terceiros.

As autoridades precisam buscar elementos independentes que confirmem as informações fornecidas.

André Mendonça analisará acordo

A PGR encaminhou o acordo ao ministro André Mendonça, relator no STF das investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça deverá ouvir Freixo antes de decidir sobre a homologação.

Nessa etapa, o ministro analisa principalmente questões como legalidade, regularidade e voluntariedade do acordo.

Eventual homologação não significa que André Mendonça estará declarando verdadeiras todas as acusações feitas pelo empresário.

A comprovação dos fatos relatados ocorre posteriormente, durante a investigação.

Freixo também aparece na história do filme “Dark Horse”

O nome do empresário já havia aparecido em outro braço das investigações: o financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Entre Investimentos, de Freixo, foi utilizada em repasses de recursos que chegaram ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos relacionado ao financiamento da produção.

O próprio Vorcaro realizou aportes milionários relacionados ao projeto.

As movimentações estão entre os assuntos examinados pelas autoridades e também aparecem no contexto da colaboração de Freixo.

Mas o que ele fazia no Palácio do Planalto?

É justamente aqui que surge a principal pergunta provocada pelo novo registro.

Em janeiro de 2024, quando entrou no Palácio do Planalto, Freixo já estava dentro do período em que afirma ter realizado operações de dinheiro vivo a pedido de Vorcaro.

Seu relato abrange os anos de 2020 a 2025.

Isso torna a visita relevante para a investigação jornalística.

Mas a coincidência temporal não permite concluir que a ida ao Planalto tenha qualquer relação com as entregas de dinheiro descritas na colaboração.

Até agora, não foi divulgado documento indicando que Freixo tenha entrado no prédio carregando uma mala de dinheiro.

Também não há informação pública de entrega de valores a integrantes do governo federal durante aquela passagem.

Não há registro de encontro com Lula

Outro cuidado importante diz respeito ao presidente da República.

O registro de entrada de Freixo no Palácio do Planalto não comprova encontro com Lula.

O Planalto abriga diferentes órgãos, gabinetes, servidores e autoridades.

Além disso, segundo a reportagem responsável pela descoberta, o nome de Freixo não aparece nas agendas oficiais das autoridades que trabalhavam no local naquele dia.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República foi procurada para esclarecer a finalidade da visita.

Freixo também foi procurado.

Até a publicação da apuração original, não havia sido apresentada resposta que esclarecesse quem recebeu o empresário ou o motivo de sua presença no prédio.

O que está comprovado e o que ainda precisa ser esclarecido

Até o momento, é possível separar a história em três pontos.

  • Está documentado: Freixo entrou no Palácio do Planalto em 23 de janeiro de 2024, às 14h42.
  • Foi declarado pelo empresário à PGR: ele afirma ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 e realizado entregas de dinheiro vivo em malas a pedido de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
  • Não está demonstrado: que a visita ao Planalto tenha relação com essas entregas, que Freixo tenha levado dinheiro ao prédio ou que tenha se encontrado com Lula.

Uma visita que agora ganha outro peso

Quando Antônio Carlos Freixo Júnior atravessou a portaria do Palácio do Planalto naquela tarde de janeiro de 2024, seu nome ainda não tinha a projeção que ganharia posteriormente no caso Banco Master.

Mais de dois anos depois, a situação mudou.

Freixo fechou acordo de colaboração com a PGR, afirmou ter movimentado R$ 1,3 bilhão para gerar dinheiro vivo e disse possuir vídeos de entregas realizadas a pessoas indicadas por Vorcaro.

É nesse contexto que aquele registro de entrada passa a despertar interesse.

A presença no Planalto é um fato documentado. O significado dessa visita, porém, continua desconhecido.

Até que apareçam novos registros, depoimentos ou documentos, qualquer associação entre a passagem de Freixo pelo Palácio e as malas de dinheiro relatadas em sua colaboração permanece apenas como hipótese — e não como fato comprovado.


Fontes

Metrópoles; registros de acesso ao Palácio do Planalto obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação; Procuradoria-Geral da República; SBT News; Folha de S.Paulo; CNN Brasil; informações públicas relacionadas às investigações do caso Banco Master.

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