Mendonça recebe informação de que inteligência da PF teria produzido relatórios sobre outros ministros do STF
André Mendonça recebeu informações de que relatórios da inteligência da Polícia Federal poderiam envolver, além dele próprio, os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques e Luiz Fux. A existência de documentos relacionados a Mendonça está confirmada, mas ainda não há confirmação oficial de que os outros três ministros tenham sido monitorados irregularmente. Andrei Rodrigues tem até 11 de setembro para prestar esclarecimentos ao presidente do STF, Edson Fachin.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu informações de que a área de inteligência da Polícia Federal teria produzido relatórios envolvendo outros integrantes da Corte.
Segundo informações publicadas pelo Poder360, o gabinete do ministro foi informado de que documentos de inteligência teriam reunido dados relacionados a pelo menos quatro ministros: André Mendonça, Dias Toffoli, Nunes Marques e Luiz Fux.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial da Polícia Federal de que Toffoli, Nunes Marques e Fux tenham sido submetidos ao mesmo tipo de acompanhamento atribuído aos relatórios envolvendo Mendonça. A existência desses supostos documentos ainda está sendo apurada.
Relatórios sobre Mendonça estão no centro da crise
O caso ganhou força depois que Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” produzido pela área de inteligência da Polícia Federal.
Segundo decisão do próprio ministro, pelo menos seis relatórios teriam sido produzidos entre agosto e o início de setembro de 2026. Os documentos reuniam informações sobre decisões, reuniões e possíveis relações institucionais de Mendonça.
Os relatórios, segundo informações já divulgadas, não descrevem interceptações telefônicas, rastreamento de localização ou vigilância física. Parte do conteúdo teria sido elaborada a partir de fontes abertas e análises internas.
Mesmo assim, Mendonça considerou a produção dos documentos irregular e afirmou que uma estrutura de inteligência policial não poderia ser utilizada para acompanhar a atividade jurisdicional de um ministro do Supremo sem respaldo legal.
Documento chegou a Alexandre de Moraes
Um dos principais pontos da controvérsia envolve um documento interno da Polícia Federal encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.
O relatório foi utilizado para levantar suspeitas sobre a atuação de André Mendonça e continha avaliações sobre decisões e possíveis vínculos institucionais do magistrado.
Mendonça criticou duramente o documento e destacou que ele não apresentava elementos formais considerados básicos, como identificação clara de autoria, além de possuir ressalvas sobre seu próprio valor probatório.
O ministro também questionou análises que buscavam estabelecer relações entre sua atuação e sua identificação religiosa, especialmente em referências ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça chegou a afastar diretor-geral da PF
Diante do episódio, André Mendonça determinou, em 8 de setembro, o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
O ministro argumentou que a medida seria necessária diante da gravidade das acusações relacionadas à produção e circulação dos relatórios.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria favorável à decisão, com votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Fachin assumiu controle da apuração
Posteriormente, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração dos dirigentes da Polícia Federal. Diante das decisões conflitantes, o presidente do STF, Edson Fachin, interveio.
Fachin suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a decisão de Dino e manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal até nova análise.
O presidente do Supremo afirmou que cabe à Presidência da Corte conduzir procedimentos envolvendo possíveis interferências sobre a atuação de ministros do tribunal.
Andrei Rodrigues tem prazo para se explicar
Fachin determinou que Andrei Rodrigues apresente esclarecimentos ao STF no prazo de 48 horas. O prazo termina nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026.
O diretor-geral deverá explicar, entre outros pontos, as circunstâncias de produção e circulação dos documentos atribuídos à área de inteligência da Polícia Federal.
Após a manifestação, Fachin deverá avaliar as informações apresentadas e decidir sobre os próximos passos do procedimento e sobre a situação da direção da PF.
Outros ministros podem ter sido incluídos em levantamentos
É nesse contexto que surgem as informações de que relatórios semelhantes poderiam envolver Dias Toffoli, Nunes Marques e Luiz Fux.
Segundo o Poder360, o gabinete de Mendonça recebeu informações sobre a existência desses documentos e busca verificar se houve produção de relatórios envolvendo outros integrantes do STF.
Até que o conteúdo desses documentos seja oficialmente apresentado ou confirmado pela Polícia Federal, não é possível afirmar que os três ministros tenham sido efetivamente monitorados de maneira irregular.
A confirmação, caso ocorra, ampliaria significativamente a dimensão da crise, pois deixaria de se tratar de um episódio restrito a André Mendonça e passaria a envolver outros integrantes da mais alta Corte do país.
Caso levanta discussão sobre limites da inteligência policial
O episódio abre uma discussão institucional relevante sobre os limites da atividade de inteligência da Polícia Federal e sobre quais circunstâncias autorizam a coleta e análise de informações relacionadas a ministros do Supremo.
A existência de relatórios de inteligência, por si só, não significa necessariamente a prática de espionagem ou vigilância ilegal. A apuração conduzida pelo STF deverá determinar a finalidade, autoria, origem das informações e eventual base legal utilizada na elaboração dos documentos.
Por outro lado, caso seja comprovado que estruturas de inteligência foram utilizadas para acompanhar magistrados sem autorização legal ou finalidade institucional legítima, o episódio poderá gerar consequências administrativas, judiciais e políticas.
Fontes: Poder360, Agência Brasil, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e decisões divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal.