Celular de Vorcaro teria cerca de 5 mil arquivos classificados como nudez; não há prova de ministros nas imagens
O celular e as contas de Vorcaro possuem grande quantidade de material íntimo. O Diário 360 fala em cerca de 5 mil itens classificados como nudez ou conteúdo sexual, mas não há confirmação independente desse número nem evidência de que ministros do STF apareçam nesses arquivos.
O gigantesco volume de informações extraídas dos dispositivos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, guarda muito mais do que mensagens, documentos e registros relacionados às investigações que provocaram uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
O material também contém uma quantidade expressiva de arquivos pessoais e íntimos do empresário.
Segundo publicação do Diário 360, aproximadamente 5 mil itens teriam sido classificados por sistemas automatizados como relacionados a nudez ou conteúdo sexual durante a organização do material extraído.
O número, entretanto, exige cautela: a BaseNews não encontrou até o momento documento público da Polícia Federal ou confirmação independente em veículos de maior alcance que permita tratar os cerca de 5 mil arquivos como uma contagem oficial da corporação.
Material íntimo realmente existe
Embora o número de 5 mil itens ainda dependa dessa confirmação independente, a existência de conteúdo íntimo no acervo de Vorcaro já havia sido revelada anteriormente por diferentes reportagens.
Em março, informações obtidas a partir do material disponibilizado à CPMI do INSS mostraram que o acervo continha fotografias, vídeos pessoais e registros de natureza sexual.
Naquela ocasião, aproximadamente 400 gigabytes de dados provenientes do iCloud de Vorcaro haviam sido disponibilizados, principalmente em arquivos de imagens e vídeos.
Reportagens também revelaram a existência de registros de festas e fotografias de políticos em momentos de descontração.
Isso não significa 5 mil fotos de autoridades
Com a repercussão do número nas redes sociais, surgiu uma interpretação para a qual não há sustentação nas informações disponíveis: a ideia de que os milhares de arquivos íntimos mostrariam ministros do STF ou outras autoridades em situações comprometedoras.
Não existe confirmação pública de que os cerca de 5 mil itens atribuídos à classificação automática sejam imagens de ministros do Supremo.
Também não há, nas fontes consultadas, demonstração de que ministros apareçam nos vídeos de conteúdo sexual encontrados no acervo.
São duas informações diferentes que não podem ser misturadas.
Há registros de autoridades e políticos no enorme acervo de Vorcaro. Há também arquivos pessoais e sexualmente explícitos. Isso, por si só, não significa que sejam as mesmas imagens ou que essas pessoas apareçam no conteúdo íntimo.
Classificação automática também exige cuidado
Outro detalhe importante é a maneira como grandes volumes de dados digitais são analisados.
A Polícia Federal utiliza ferramentas forenses capazes de indexar fotografias, vídeos, documentos, conversas e outros arquivos, facilitando pesquisas dentro de centenas de gigabytes de informações.
Uma classificação automatizada de uma imagem como possível nudez ou conteúdo sexual não equivale necessariamente a uma análise humana individual de cada arquivo.
Por isso, mesmo a classificação de milhares de itens nessa categoria não permite concluir automaticamente quem aparece nas imagens ou qual é o contexto de cada registro.
Defesa tentou impedir exposição da vida íntima
A preocupação com esse conteúdo não surgiu agora.
A defesa de Vorcaro pediu ao Supremo que informações privadas e sem relação com os fatos investigados fossem filtradas antes de eventual divulgação pública.
Os advogados citaram expressamente mensagens íntimas, fotografias e informações familiares, inclusive envolvendo os filhos do empresário, além de comunicações protegidas pelo sigilo entre advogado e cliente.
A defesa argumentou que a publicidade dos processos não deveria resultar na exposição indiscriminada da vida privada de pessoas sem relação com as suspeitas investigadas.
Vorcaro já teve conversas íntimas expostas
O temor da defesa também está relacionado a episódios anteriores.
Conversas privadas de Vorcaro com mulheres com quem se relacionava já haviam vazado e provocado grande repercussão nas redes sociais.
Juristas ouvidos por veículos de imprensa questionaram a divulgação de material estritamente pessoal quando não existia relação aparente com os crimes investigados.
Posteriormente, a Polícia Federal passou a trabalhar para separar informações potencialmente relevantes para as investigações de arquivos relacionados exclusivamente à vida privada.
Ministros receberam cópias do enorme acervo
A questão ganhou uma dimensão ainda maior em setembro, quando ministros do Supremo solicitaram acesso à íntegra dos dados utilizados pela Polícia Federal.
Gabinetes de integrantes da Corte receberam cópias do material extraído dos dispositivos de Vorcaro para análise dos elementos relacionados aos procedimentos em julgamento.
O conjunto distribuído mais recentemente possui aproximadamente 500 GB de dados, segundo reportagens sobre a entrega feita pela Polícia Federal.
André Mendonça e Luiz Fux chegaram a solicitar auxílio técnico da corporação depois de seus gabinetes relatarem dificuldades para acessar as cópias recebidas.
O que está comprovado e o que ainda não está
Até o momento, é possível separar o caso em três pontos.
Está confirmado que os dispositivos e contas de Vorcaro continham enorme quantidade de fotografias, vídeos, mensagens e documentos, incluindo material íntimo e sexual.
O número de aproximadamente 5 mil arquivos classificados como nudez ou conteúdo sexual foi divulgado pelo Diário 360 e precisa permanecer atribuído ao veículo enquanto não houver confirmação independente ou documento público da PF estabelecendo essa contagem.
E não está comprovado que ministros do STF apareçam nesses milhares de arquivos íntimos.
Portanto, transformar a existência de conteúdo sexual no celular em afirmação de que Vorcaro possuiria milhares de imagens comprometedoras de autoridades seria ir além das evidências atualmente disponíveis.
Fontes: Diário 360; UOL; Metrópoles; CNN Brasil; manifestações da defesa de Daniel Vorcaro.