“Como que dorme com um barulho desse?”: fala de Dino vira alvo de críticas nas redes
Flávio Dino afirmou que as tensões vividas atualmente dificultaram seu sono. A declaração repercutiu e gerou comparações nas redes com famílias dos condenados pelo 8 de Janeiro.
Uma declaração do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as dificuldades para dormir em meio ao atual momento de tensão na Corte ganhou repercussão e provocou críticas nas redes sociais.
A fala ocorreu na sexta-feira (11), durante uma palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís.
Dino contou que chegou à capital maranhense por volta das 2h da madrugada, após atraso no voo, e só conseguiu ir para a cama aproximadamente às 4h. Mesmo assim, segundo o ministro, as preocupações não permitiram que ele descansasse imediatamente.
“Eu queria dormir e minha cabeça não deixava. E eu dizia: ‘Vamos dormir’. E ela dizia: ‘Como que dorme com um barulho desse?’”, afirmou.
Na sequência, Dino fez referência ao momento enfrentado pelo Supremo.
“Todo mundo sabe as dificuldades que a gente está vivendo”, declarou.
Dino não especificou qual problema tirou seu sono
O ministro não mencionou diretamente um processo ou episódio específico como responsável pela preocupação.
A declaração, entretanto, ocorre em meio a uma forte tensão interna no STF, especialmente após os desdobramentos das investigações do Banco Master e os embates envolvendo ministros da própria Corte.
Nos últimos dias, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e o presidente do Supremo, Edson Fachin, estiveram envolvidos em decisões e controvérsias relacionadas às investigações e à direção da Polícia Federal.
O próprio Dino participou diretamente desse cenário ao determinar a reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, depois que André Mendonça havia determinado seu afastamento. Fachin posteriormente suspendeu as decisões conflitantes e manteve Andrei no cargo.
Comentário repercute nas redes sociais
Depois da divulgação do vídeo, usuários das redes sociais passaram a ironizar a dificuldade para dormir relatada pelo ministro.
Parte das críticas estabeleceu uma comparação entre a preocupação mencionada por Dino e a situação de pessoas condenadas pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 e de seus familiares.
Publicações passaram a argumentar que famílias atingidas pelas prisões e condenações também enfrentaram noites de preocupação desde o início dos processos.
Essa comparação, entretanto, partiu dos internautas. Flávio Dino não mencionou os condenados do 8 de Janeiro durante a declaração sobre sua dificuldade para dormir.
Penas do 8 de Janeiro continuam provocando debate
As condenações relacionadas ao 8 de Janeiro permanecem como um dos temas mais controversos da atuação recente do Supremo.
Em determinados processos, réus receberam penas superiores a dez anos de prisão após serem condenados por diferentes crimes, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Críticos das decisões consideram algumas das penas excessivas e questionam critérios utilizados na responsabilização dos envolvidos.
O STF, por outro lado, sustenta que as condenações consideraram provas e a participação atribuída individualmente a cada réu, com análise dos crimes reconhecidos em cada processo.
Uma frase pessoal em meio à maior tensão da Corte
A declaração de Dino ganhou dimensão política justamente pelo momento em que foi feita.
O Supremo enfrenta uma crise interna envolvendo investigações sensíveis, divergências entre ministros e questionamentos públicos sobre a atuação da própria Corte.
Dino chegou a comparar seu retorno à UFMA, onde foi professor, à sensação de estar em uma “cama quentinha” diante das dificuldades enfrentadas atualmente.
O comentário sobre uma noite mal dormida acabou, assim, ultrapassando o contexto pessoal relatado pelo ministro e sendo utilizado nas redes como símbolo de críticas mais amplas ao STF.
Fontes: declaração pública de Flávio Dino na Universidade Federal do Maranhão (UFMA); SBT News; Poder360 e vídeo divulgado pelo portal Marrapá.