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Lula cobra investigação de todos no caso Master, mas jantar com Moraes e Alcolumbre volta aos holofotes

Lula cobra investigação de todos no caso Master, mas jantar com Moraes e Alcolumbre volta aos holofotes

Lula diz que ninguém está acima da lei e cobra investigação no caso Master, enquanto volta aos holofotes o jantar com Moraes e Alcolumbre no qual, segundo relato publicado por Lauro Jardim, teria sido discutido como fragilizar André Mendonça. A alegação sobre o conteúdo da conversa não foi comprovada independentemente.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma investigação ampla sobre os envolvidos na crise do Banco Master e afirmou que ninguém, nem mesmo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ficar acima da lei.

A declaração ocorre logo depois da tumultuada sessão do Supremo que colocou frente a frente ministros da Corte e terminou sem uma decisão sobre a possível abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (16), Lula defendeu apuração, direito de defesa e presunção de inocência.

“Ninguém está acima da lei. Nem eu, nem o Fachin e nem nenhum ministro da Suprema Corte.”

O presidente também afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades precisam responder pelos seus atos.

Lula já havia dito que Moraes ou Mendonça deveriam “pagar” se fossem culpados

Não foi a primeira manifestação do presidente sobre a crise.

Dias antes da sessão extraordinária do STF, Lula já havia defendido que as investigações alcançassem qualquer pessoa que tivesse cometido irregularidades.

Na ocasião, citou nominalmente Alexandre de Moraes, André Mendonça e o presidente do Supremo, Edson Fachin.

“Se o Moraes é o culpado, tem que pagar, se o Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar.”

A posição pública do presidente, portanto, é de que as suspeitas sejam investigadas independentemente de quem seja atingido.

Jantar na casa de Moraes volta ao centro das atenções

As declarações de Lula, porém, fizeram ressurgir um episódio ocorrido semanas antes da explosão da atual crise.

Em 4 de agosto, Lula participou de um jantar na residência de Alexandre de Moraes, em Brasília.

Também estavam presentes o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Cristiano Zanin.

Posteriormente, o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que informações que chegaram ao gabinete de André Mendonça indicavam que o nome do ministro teria sido discutido durante o encontro.

Segundo esses relatos, um dos assuntos teria sido justamente uma maneira de fragilizar Mendonça, então responsável por investigações extremamente sensíveis envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS.

Alegação sobre o jantar não está comprovada

A informação chama atenção diante dos acontecimentos posteriores, mas existe uma distinção fundamental.

O jantar é fato. A presença de Lula, Moraes, Alcolumbre e Zanin também foi noticiada. Já a alegação de que eles discutiram uma estratégia para enfraquecer André Mendonça provém de relatos atribuídos a pessoas que teriam levado essa informação ao gabinete do ministro.

Até o momento, não existe registro público da conversa que permita comprovar independentemente que Lula e os demais participantes tenham efetivamente articulado medidas contra Mendonça naquele encontro.

Por isso, seria incorreto apresentar como fato consumado que Lula participou de uma conspiração para enfraquecer o ministro.

Um mês depois, crise explode no STF

A cronologia, entretanto, ganhou relevância política.

Pouco mais de um mês depois daquele jantar, André Mendonça e Alexandre de Moraes tornaram-se protagonistas de um confronto sem precedentes dentro do Supremo em torno das investigações do Banco Master.

A sessão de terça-feira (15) teve discussões acaloradas entre ministros, questionamentos sobre a condução das investigações e divergências sobre a possibilidade de reunir os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça.

O julgamento acabou suspenso depois de um pedido de vista de Flávio Dino, sem que o plenário chegasse ao mérito da possível investigação contra Moraes.

Lula agora pede que tudo seja apurado

Depois da sessão, Lula adotou publicamente um discurso de investigação ampla.

O presidente disse que o caso precisa ser esclarecido e que eventuais culpados devem responder, independentemente do cargo ocupado.

Também afirmou que a Suprema Corte não pode permanecer com sua imagem comprometida pelas suspeitas surgidas no caso Master.

A posição é relevante justamente porque a crise deixou de atingir apenas adversários políticos do governo e passou a envolver ministros do Supremo, integrantes da Polícia Federal, empresários e pessoas próximas a diferentes grupos políticos.

Jantar gera questionamentos políticos, mas não prova interferência

Nas redes sociais, críticos de Lula passaram a confrontar o atual discurso de investigação irrestrita com o jantar realizado na residência de Moraes.

O questionamento político é inevitável diante da sequência dos acontecimentos.

Mas, do ponto de vista factual, é necessário separar duas coisas: a existência do jantar está documentada; a suposta discussão para fragilizar André Mendonça continua sendo uma informação de bastidor que não foi comprovada de maneira independente.

Da mesma forma, defender uma investigação ampla hoje não demonstra, por si só, qual teria sido a posição de Lula nas conversas privadas realizadas naquele encontro.

O avanço das investigações e a eventual divulgação de novos documentos poderão esclarecer se houve alguma atuação política relacionada aos procedimentos conduzidos por Mendonça ou se a coincidência temporal alimentou interpretações que vão além das evidências disponíveis.

Fontes: entrevista de Lula ao Desce a Letra Show; Folha de S.Paulo; coluna de Lauro Jardim/O Globo; cobertura da sessão do Supremo Tribunal Federal.

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