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Marçal defende dupla checagem dos votos e diz que prefere esperar mais pelo resultado da eleição

Marçal defende dupla checagem dos votos e diz que prefere esperar mais pelo resultado da eleição

Pablo Marçal voltou a defender uma forma física adicional de conferência dos votos e afirmou que aceitaria esperar mais pelo resultado da eleição. O TSE sustenta que o sistema atual já possui vários mecanismos de auditoria e fiscalização.

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Empresário afirma que rapidez na apuração não deveria ser prioridade acima da possibilidade de uma verificação física adicional. Debate reacende discussão sobre voto impresso, auditoria e confiança no sistema eleitoral brasileiro.


Pablo Marçal voltou a defender mudanças no sistema eleitoral brasileiro e afirmou que prefere esperar mais tempo pelo resultado de uma eleição caso isso permita uma segunda forma de conferência dos votos.

Durante uma sabatina, Marçal criticou a prioridade dada à rapidez na divulgação dos resultados e defendeu um modelo em que existisse algum tipo de registro físico associado ao voto eletrônico.

“Em vez de saber o resultado no mesmo dia pelo Jornal Nacional, prefiro esperar dois dias e ter uma dupla checagem das cédulas impressas, como acontece nos Estados Unidos.”

A declaração retoma um dos debates mais recorrentes da política brasileira dos últimos anos: a adoção de um comprovante físico ou registro impresso que permita uma nova forma de conferência dos votos.

O que Marçal está defendendo

O argumento apresentado por Marçal não é necessariamente uma defesa do abandono da urna eletrônica.

Pelo contexto, ele defende a criação de uma camada adicional de verificação.

Na prática, seria uma forma de manter o voto eletrônico, mas acrescentar um registro físico que pudesse ser utilizado em auditorias ou recontagens.

Para Marçal, a rapidez da apuração seria menos importante do que a possibilidade de conferir o resultado por um segundo método.

Comparação com os Estados Unidos exige cuidado

A referência aos Estados Unidos precisa ser contextualizada.

O sistema eleitoral americano é bastante diferente do brasileiro.

Não existe uma única autoridade nacional administrando todas as eleições nem um modelo idêntico utilizado em todo o país.

Os estados americanos possuem autonomia para definir regras, equipamentos, formas de votação e procedimentos de apuração.

Em muitos locais, o eleitor utiliza cédulas de papel, que podem ser preenchidas manualmente ou lidas por máquinas.

Em outros, equipamentos eletrônicos são utilizados juntamente com registros físicos.

Essa descentralização também ajuda a explicar por que os resultados americanos podem levar horas ou até dias para serem totalmente consolidados.

Resultado rápido não é a única característica do sistema brasileiro

No Brasil, a urna eletrônica é conhecida pela rapidez da totalização.

Mas o Tribunal Superior Eleitoral afirma que o sistema possui diferentes mecanismos de auditoria antes, durante e depois da votação.

Entre os procedimentos previstos estão testes públicos de segurança, fiscalização do código-fonte, testes de integridade das urnas e verificações de autenticidade dos sistemas.

Para as eleições de 2026, os Tribunais Regionais Eleitorais também deverão realizar testes de integridade por amostragem no próprio dia da votação.

Esses procedimentos são públicos e podem ser acompanhados por entidades fiscalizadoras e pessoas credenciadas.

Boletim de urna permite conferência por seção

Outro mecanismo importante é o boletim de urna.

Depois do encerramento da votação, cada urna imprime um documento com o resultado daquela seção eleitoral.

O boletim apresenta a quantidade de votos registrados para cada candidato, além de votos brancos e nulos.

Partidos, fiscais e cidadãos podem acompanhar esses resultados locais e compará-los posteriormente com a totalização divulgada pela Justiça Eleitoral.

O TSE sustenta que esse mecanismo permite uma forma independente de conferência do resultado de cada seção.

Teste de Integridade continua nas eleições de 2026

As regras eleitorais de 2026 mantêm o chamado Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas.

O procedimento ocorre em urnas selecionadas por amostragem e tem como objetivo verificar se os votos digitados correspondem exatamente aos votos contabilizados pelo equipamento.

Também existe o Teste de Integridade com Biometria, criado para aproximar ainda mais o procedimento das condições reais encontradas no dia da eleição.

Além disso, a Justiça Eleitoral prevê verificações de autenticidade e integridade dos programas instalados nas urnas. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Então por que ainda existe debate sobre voto impresso?

Porque uma parte dos críticos do sistema defende que auditorias exclusivamente digitais não substituem a existência de um registro físico independente.

Para esses grupos, um comprovante em papel permitiria uma recontagem material caso surgisse alguma contestação sobre determinado resultado.

Defensores do modelo atual argumentam que a impressão introduziria novos riscos, custos e dificuldades logísticas e que os mecanismos já existentes são suficientes para verificar a integridade da votação.

Esse é o centro real da discussão.

Voto impresso não significa entregar comprovante ao eleitor

Esse ponto também costuma causar confusão.

Nas propostas discutidas no Brasil, voto impresso normalmente não significa que o eleitor levaria para casa um papel mostrando em quem votou.

Isso violaria o sigilo do voto e poderia facilitar compra de votos ou coerção.

O modelo defendido em propostas anteriores previa que o eleitor visualizasse um registro impresso, sem tocar nele, e que o papel fosse depositado automaticamente em compartimento lacrado.

Esse material poderia eventualmente ser utilizado em processos de auditoria.

TSE diz que sistema atual já é auditável

O Tribunal Superior Eleitoral afirma que a urna eletrônica possui diversas oportunidades de auditoria e fiscalização.

Entre elas estão:

  • abertura do código-fonte para entidades fiscalizadoras;
  • Teste Público de Segurança;
  • Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas;
  • Teste de Integridade;
  • verificação dos sistemas instalados nas urnas;
  • boletim de urna;
  • logs gerados pelo equipamento;
  • fiscalização da transmissão e totalização dos resultados.

O TSE também informa que a urna funciona de maneira isolada, sem conexão com internet ou Bluetooth durante a votação. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

Observadores internacionais já acompanharam o modelo brasileiro

Missões internacionais também acompanham eleições brasileiras.

Em relatório sobre eleições anteriores, a Organização dos Estados Americanos registrou os testes de integridade realizados pelo TSE e destacou a coincidência entre votos digitados e contabilizados nas urnas testadas.

Naquele processo, 641 urnas foram submetidas ao teste de integridade no primeiro turno. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Marçal coloca confiança acima da velocidade

A provocação apresentada por Pablo Marçal parte de uma prioridade diferente.

Para ele, saber o resultado rapidamente não deveria ser o principal critério de avaliação de uma eleição.

Se um sistema adicional de conferência exigisse mais tempo para concluir a apuração, Marçal afirma que aceitaria essa demora.

Na prática, seu argumento é que confiança e possibilidade de auditoria adicional seriam mais importantes do que anunciar o vencedor poucas horas depois do fechamento das urnas.

Uma discussão que deve continuar em 2026

O debate sobre voto impresso dificilmente desaparecerá durante a campanha eleitoral.

Parte da direita brasileira continua defendendo mudanças no sistema de votação, enquanto o TSE sustenta que o modelo atual já possui mecanismos suficientes de segurança e fiscalização.

O ponto importante é separar duas discussões diferentes.

Uma coisa é defender mudanças ou novas formas de auditoria no sistema eleitoral.

Outra é afirmar que houve fraude em uma eleição específica sem apresentar provas.

A declaração de Marçal, pelo conteúdo divulgado, está concentrada no primeiro ponto: ele defende uma alteração no modelo para criar uma segunda forma de conferência dos votos.

O debate central não é apenas papel contra urna

No fundo, a discussão é mais ampla.

A questão é saber qual combinação de velocidade, segurança, transparência e capacidade de auditoria oferece maior confiança ao eleitor.

O modelo atual brasileiro privilegia votação e apuração eletrônicas acompanhadas por diversos mecanismos de fiscalização.

Marçal e outros críticos defendem que uma camada física adicional poderia aumentar a confiança de parte da população.

A eventual mudança, porém, dependeria de alteração legislativa e de regulamentação eleitoral.

Até lá, as eleições de 2026 continuam sendo realizadas pelo sistema eletrônico atualmente previsto na legislação e nas resoluções do TSE.


Fontes

Tribunal Superior Eleitoral, Resoluções das Eleições 2026, Organização dos Estados Americanos e registros públicos da sabatina de Pablo Marçal.

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