“Nada tenho a temer”: Mendonça diz que foi alertado sobre represálias antes de avançar com informações da PF
André Mendonça afirmou que foi advertido “de forma implícita e explícita” de que ele e pessoas próximas sofreriam ataques caso levasse adiante informações da PF no caso Master. O ministro disse não ter “nada a temer”.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma das declarações mais fortes desde o início da crise provocada pelo caso Banco Master.
Nesta quinta-feira (17), Mendonça afirmou que já esperava sofrer represálias quando decidiu levar adiante informações recebidas da Polícia Federal envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e mensagens relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Mendonça, ele chegou a receber alertas de que os ataques não atingiriam apenas sua própria pessoa.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim.”
“Nada tenho a temer”
Apesar do que classificou como ataques e tentativas de intimidação, Mendonça afirmou que não pretende mudar sua atuação.
“Nada tenho a temer.”
O ministro acrescentou que continuará cumprindo seu dever “com serenidade e responsabilidade”.
A manifestação ocorre em meio a uma das mais graves disputas internas recentes do Supremo, desencadeada pelos procedimentos relacionados ao Banco Master e pelas informações encontradas pela Polícia Federal.
Mendonça diz que foi advertido antes das represálias
Um dos pontos mais relevantes da declaração é a afirmação de que os possíveis ataques teriam sido antecipados.
Mendonça não disse apenas que passou a se sentir atacado depois de suas decisões. Ele afirmou que foi previamente advertido, tanto de maneira implícita quanto explícita, de que enfrentaria represálias.
O ministro, porém, não identificou publicamente quem teria feito esses alertas.
Por isso, a declaração não permite atribuir a suposta intimidação a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, outro ministro do STF ou qualquer pessoa específica sem evidências adicionais.
Informações da PF estavam no centro da crise
Mendonça é relator de procedimentos relacionados ao Banco Master.
A crise ganhou força depois que veio a público um relatório da Polícia Federal contendo informações relacionadas a mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e contatos atribuídos a Alexandre de Moraes.
Mendonça decidiu dar prosseguimento às informações recebidas e posteriormente levantou o sigilo de parte do material.
A condução do caso desencadeou fortes reações dentro do Supremo e culminou na turbulenta sessão realizada na terça-feira (15).
Moraes e Gilmar fizeram duras acusações
Durante a sessão, Alexandre de Moraes fez graves críticas à atuação de Mendonça e contestou a validade da investigação.
Moraes acusou o colega de tentar envolvê-lo indevidamente nas apurações e afirmou que havia atuação político-eleitoral por trás de procedimentos relacionados ao caso.
Mendonça rejeitou as acusações.
Gilmar Mendes também elevou o tom contra o relator e posteriormente utilizou expressões como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” ao questionar sua atuação.
Mendonça respondeu dizendo que divergências são legítimas em um tribunal colegiado, mas que tentativas de constranger um julgador não seriam aceitáveis.
Mendonça cita Schopenhauer para responder aos ataques
Na nova manifestação, Mendonça recorreu ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer para responder às críticas pessoais.
Segundo o ministro, ataques pessoais podem ser utilizados como estratégia para tentar vencer uma discussão sem enfrentar diretamente os argumentos apresentados.
Mendonça classificou determinadas investidas como injustas, ofensivas e insultantes.
Quem avisou Mendonça?
A declaração deixa uma questão ainda sem resposta pública: quem advertiu André Mendonça de que ele e pessoas próximas poderiam sofrer ataques?
O ministro não apresentou nomes em sua manifestação.
Também não esclareceu publicamente quando recebeu os alertas, quais palavras foram utilizadas ou se possui registros das advertências que classificou como explícitas.
Sem essas informações, não é possível determinar a origem das supostas intimidações.
Crise ganha novo elemento
A declaração acrescenta um novo componente à crise porque parte diretamente de um integrante do Supremo.
Mendonça afirma que sabia que enfrentaria represálias caso avançasse com informações recebidas da Polícia Federal e sustenta que foi avisado antecipadamente sobre possíveis ataques.
Ao mesmo tempo, outros ministros questionam sua condução dos procedimentos e rejeitam a forma como determinadas informações foram produzidas ou divulgadas.
Assim, há duas questões distintas: as críticas públicas contra Mendonça estão documentadas; já a origem das advertências que ele diz ter recebido permanece desconhecida.
Até que o ministro apresente mais detalhes ou surjam documentos capazes de identificar os responsáveis, qualquer tentativa de atribuir as supostas intimidações a uma pessoa específica seria especulação.
Fontes: declaração de André Mendonça; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; SBT News; Metrópoles.