Vorcaro quer falar: ex-banqueiro aguarda há 20 dias para apresentar nova proposta de delação, dizem aliados
Aliados de Daniel Vorcaro afirmam que o ex-banqueiro aguarda há pelo menos 20 dias para apresentar novos anexos em uma terceira tentativa de colaboração premiada. As duas propostas anteriores não avançaram, e ainda não se sabe quais novas informações ele pretende oferecer.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, estaria tentando abrir uma nova frente de colaboração com as autoridades em meio ao avanço das investigações sobre o banco. Segundo aliados do empresário, sua defesa comunicou à Polícia Federal há pelo menos 20 dias que ele estaria disposto a detalhar novos anexos para uma possível colaboração premiada, mas as tratativas ainda não teriam avançado.
A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta terça-feira (1º) e acrescenta um novo elemento a um caso que ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal.
Esta seria a terceira tentativa de Vorcaro de negociar uma colaboração premiada. As iniciativas anteriores não prosperaram.
Defesa teria procurado a PF ainda em agosto
De acordo com interlocutores de Vorcaro, representantes do ex-banqueiro comunicaram a delegados da Polícia Federal, ainda na semana de 10 de agosto, que ele estaria disposto a prestar esclarecimentos sobre o conteúdo de novos anexos preparados para uma eventual colaboração.
Segundo esses aliados, entretanto, não teria ocorrido até agora uma resposta que permitisse o início efetivo das negociações.
Isso não significa que a Polícia Federal tenha rejeitado formalmente uma nova proposta. O ponto apresentado pelos interlocutores é que as conversas ainda não teriam sido abertas.
Aliados levantam hipótese envolvendo as eleições
No entorno do ex-banqueiro surgiu uma interpretação politicamente sensível.
Aliados acreditam que uma eventual negociação poderia ser deixada para depois das eleições de 2026, evitando que possíveis revelações de Vorcaro provoquem repercussões durante o processo eleitoral.
Até o momento, porém, não há confirmação de que a Polícia Federal esteja deliberadamente adiando uma colaboração premiada por motivos eleitorais.
Essa é uma avaliação atribuída aos aliados de Vorcaro e deve ser tratada como tal.
A CNN informou ter procurado a Polícia Federal para questionar a instituição sobre o assunto.
Terceira tentativa de colaboração
Não é a primeira vez que Daniel Vorcaro demonstra interesse em negociar com as autoridades.
Esta seria sua terceira tentativa de construir um acordo de colaboração premiada.
As duas iniciativas anteriores acabaram rejeitadas. Entre os problemas apontados estava a avaliação de investigadores de que o material oferecido não apresentava elementos novos suficientes para justificar um acordo.
A segunda proposta também foi recusada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho.
Para que uma colaboração avance, não basta o investigado manifestar disposição para falar. As autoridades avaliam, entre outros aspectos, a relevância, a novidade e a possibilidade de comprovação das informações oferecidas.
Vorcaro voltou a dizer que está disposto a falar
O interesse em colaborar teria sido reforçado durante um depoimento prestado por Vorcaro à Polícia Federal na última sexta-feira (28).
O interrogatório durou aproximadamente quatro horas.
Durante o procedimento, segundo as informações divulgadas, a defesa voltou a sinalizar que o ex-banqueiro estaria disposto a prestar esclarecimentos mais amplos caso houvesse abertura para uma negociação efetiva de colaboração premiada.
A questão central agora é saber o que Vorcaro afirma ter de novo para entregar às autoridades — e se esse material será considerado relevante o suficiente para justificar a abertura de uma terceira negociação.
Aliados cogitam procurar André Mendonça
Diante da ausência de avanço nas conversas com a Polícia Federal, aliados do ex-banqueiro passaram a avaliar outra possibilidade.
Uma das alternativas discutidas seria recorrer diretamente ao ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
A intenção seria pedir que fossem indicados delegados responsáveis por ouvir Vorcaro especificamente sobre as informações que ele pretende apresentar.
Não há, porém, indicação de que Mendonça tenha determinado até agora a abertura de uma negociação de colaboração premiada nesses termos.
Momento aumenta expectativa sobre o que Vorcaro pretende revelar
A nova movimentação acontece justamente quando documentos e mensagens relacionados ao Banco Master provocam forte repercussão política e institucional.
Materiais encontrados no celular do ex-banqueiro passaram a ser examinados pela Polícia Federal e incluem referências a autoridades brasileiras.
Parte desse conteúdo também provocou uma disputa dentro do próprio Supremo sobre o procedimento adequado para analisar elementos que eventualmente envolvam integrantes da Corte.
Nesse contexto, uma eventual colaboração de Vorcaro poderia ganhar enorme relevância — desde que as informações oferecidas sejam novas, verificáveis e consideradas úteis pelos investigadores.
Colaboração premiada não significa aceitação automática das declarações
Mesmo que uma terceira negociação seja aberta, existe uma diferença importante entre propor uma delação, fechar um acordo e comprovar aquilo que foi relatado.
Declarações feitas por um colaborador precisam ser acompanhadas de elementos de confirmação. A palavra do delator, isoladamente, não transforma uma acusação em fato comprovado.
Também não está confirmado publicamente quais seriam os novos fatos, pessoas ou documentos que Vorcaro pretende apresentar nessa terceira tentativa.
Por enquanto, o fato politicamente mais relevante é outro: segundo seus aliados, o ex-banqueiro quer voltar à mesa de negociação e afirma ter informações para apresentar, mas estaria aguardando há pelo menos 20 dias uma oportunidade para detalhá-las.
Se essa conversa efetivamente ocorrer, o conteúdo dos novos anexos poderá determinar se a terceira tentativa terá destino diferente das duas anteriores.
Fontes
CNN Brasil; UOL; Agência Brasil; informações públicas relacionadas às investigações do Banco Master.