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A História das Assembleias de Deus no Brasil — A chegada ao Brasil em 1910

A História das Assembleias de Deus no Brasil — A chegada ao Brasil em 1910

No dia 19 de novembro de 1910, dois jovens missionários suecos desembarcaram no Porto de Belém, no Pará. Não havia multidões esperando por eles. Nenhuma banda tocava. Nenhuma igreja havia sido preparada para recebê-los.N...

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No dia 19 de novembro de 1910, dois jovens missionários suecos desembarcaram no Porto de Belém, no Pará. Não havia multidões esperando por eles. Nenhuma banda tocava. Nenhuma igreja havia sido preparada para recebê-los.

Na bagagem, levavam poucas roupas, alguns pertences pessoais, uma Bíblia e uma convicção que mudaria para sempre a história do cristianismo brasileiro.

Seus nomes eram Gunnar Vingren e Daniel Berg.

Eles mal falavam português.

Não conheciam os costumes brasileiros.

Nunca haviam vivido na Amazônia.

Mesmo assim, acreditavam que Deus os havia enviado ao Brasil.

Uma viagem sem garantias

A decisão de atravessar o oceano Atlântico não foi simples.

Naquele início do século XX, uma viagem entre os Estados Unidos e o Brasil podia levar semanas. Não havia internet, telefone celular, comunicação rápida ou qualquer facilidade que hoje parece comum.

Ao embarcarem rumo à América do Sul, Vingren e Berg sabiam que talvez nunca mais voltassem para casa.

Deixavam familiares, amigos, estabilidade financeira e uma vida relativamente confortável.

Em troca, encontrariam um país de dimensões continentais, clima tropical, doenças desconhecidas e uma língua completamente diferente.

Era um passo de fé.

Por que Belém?

Uma das perguntas mais feitas por historiadores é: por que dois suecos escolheram justamente Belém do Pará?

Segundo os relatos preservados pela tradição assembleiana, durante um período de oração nos Estados Unidos, um irmão identificado como Adolfo Ulldin recebeu uma mensagem espiritual mencionando a palavra "Pará".

Nenhum dos presentes conhecia aquela região.

Foi necessário consultar um atlas para descobrir que se tratava de um estado localizado no Norte do Brasil.

Para Gunnar Vingren e Daniel Berg, aquilo foi entendido como direção divina.

Historicamente, não existe um documento que permita comprovar essa experiência espiritual, mas esse relato faz parte da memória oficial da Assembleia de Deus e é amplamente registrado em livros da denominação.

A Amazônia do início do século XX

Quando chegaram a Belém, os missionários encontraram uma cidade muito diferente daquela que conhecemos hoje.

Belém ainda carregava os reflexos do ciclo da borracha, que havia transformado a capital paraense em uma das cidades mais importantes da América do Sul.

A arquitetura europeia chamava atenção.

O comércio era intenso.

Navios chegavam diariamente ao porto.

Ao mesmo tempo, bastava seguir alguns quilômetros pelos rios amazônicos para encontrar comunidades extremamente pobres, muitas delas isoladas e com pouco acesso a serviços básicos.

Era um Brasil de contrastes.

O primeiro desafio: sobreviver

Antes mesmo de evangelizar, os dois missionários precisavam resolver uma questão simples: sobreviver.

Daniel Berg voltou a exercer sua profissão de fundidor e metalúrgico para ajudar no sustento da missão.

Enquanto isso, Gunnar Vingren dedicava boa parte do tempo ao estudo da língua portuguesa.

Aprender um novo idioma era indispensável.

Eles entendiam que não bastava falar sobre Cristo; era necessário comunicar a mensagem de maneira que o povo brasileiro pudesse compreendê-la.

Essa dedicação ao idioma seria decisiva para o crescimento da futura igreja.

Os primeiros contatos

Pouco tempo depois de chegarem, Vingren e Berg conheceram membros da Igreja Batista de Belém.

Como ambos eram batistas antes de abraçarem o movimento pentecostal, foram recebidos inicialmente pela congregação e passaram a participar dos cultos.

Naquele momento, não existia qualquer plano de fundar uma nova igreja.

Esse detalhe é importante.

O objetivo dos missionários era compartilhar aquilo que haviam aprendido sobre o batismo no Espírito Santo e a renovação espiritual dentro da própria comunidade cristã que já existia.

Foi somente mais tarde que surgiriam divergências doutrinárias.

O início das pregações

À medida que aprendiam português, Gunnar Vingren começou a ensinar estudos bíblicos sobre temas que eram pouco conhecidos entre muitas igrejas brasileiras da época.

Entre eles:

  • a atualidade dos dons espirituais;
  • o batismo no Espírito Santo;
  • a necessidade de uma vida de oração;
  • evangelização constante;
  • santidade cristã.

Esses ensinamentos despertaram interesse em parte dos membros da Igreja Batista, mas também provocaram resistência entre outros líderes.

Sem perceber, os missionários estavam dando os primeiros passos de um movimento que mudaria profundamente o cenário evangélico brasileiro.

Uma missão que parecia pequena

Naquele final de 1910, ninguém poderia imaginar que aqueles dois estrangeiros dariam origem à maior denominação pentecostal do Brasil.

Eles não possuíam sede.

Não tinham recursos financeiros significativos.

Não contavam com grandes organizações missionárias.

Não possuíam influência política.

Tudo o que tinham era disposição para servir e uma profunda convicção de que Deus os havia chamado para aquela missão.

O Brasil que eles encontraram

É importante lembrar que o Brasil daquela época era um país majoritariamente católico.

A liberdade religiosa já era garantida pela Constituição da República de 1891, mas a presença evangélica ainda era pequena em comparação com os dias atuais.

Os primeiros missionários protestantes enfrentavam desafios culturais, preconceitos e dificuldades logísticas.

Mesmo assim, o ambiente permitia que novas comunidades cristãs começassem a surgir em diversas regiões do país.

Foi nesse contexto que Vingren e Berg iniciaram sua caminhada.

Um novo capítulo começava

A chegada dos missionários à capital paraense marcou apenas o começo.

Nos meses seguintes, estudos bíblicos, reuniões de oração e experiências espirituais começariam a transformar a vida de diversas pessoas.

Alguns abraçariam a nova mensagem.

Outros se oporiam firmemente a ela.

As tensões cresceriam dentro da Igreja Batista de Belém e culminariam em um dos acontecimentos mais importantes da história do cristianismo brasileiro: o nascimento da Assembleia de Deus.

Mas essa já é a próxima página dessa história.

Na terceira parte da série, veremos como um pequeno grupo de fiéis deu origem, em 1911, à igreja que hoje reúne milhões de brasileiros e está presente em praticamente todos os municípios do país.

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