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A História das Assembleias de Deus no Brasil — O crescimento nacional

A História das Assembleias de Deus no Brasil — O crescimento nacional

Entre as décadas de 1930 e 1980, a Assembleia de Deus consolidou sua presença em todo o território nacional. A criação da Convenção Geral, da CPAD, o fortalecimento da Escola Dominical e a formação de líderes brasileiros permitiram que a igreja deixasse de ser um movimento regional para se tornar a maior denominação pentecostal do Brasil.

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Pouco mais de duas décadas após sua fundação em Belém do Pará, a Assembleia de Deus já não era mais uma pequena missão iniciada por dois missionários suecos. O movimento pentecostal havia ultrapassado as fronteiras da Região Norte e começava a ganhar força em diferentes partes do Brasil.

O que antes era uma igreja reunida em residências simples transformava-se, gradativamente, em uma das maiores denominações evangélicas do país.

Esse crescimento, entretanto, não aconteceu por acaso.

Foi resultado da dedicação de milhares de homens e mulheres que assumiram o compromisso de levar o Evangelho às cidades, aos povoados e às regiões mais distantes do território brasileiro.

Uma igreja cada vez mais brasileira

Nos primeiros anos da missão, Gunnar Vingren e Daniel Berg lideravam boa parte do trabalho evangelístico.

Com o passar do tempo, porém, uma nova geração começou a surgir.

Pastores, evangelistas, presbíteros e diáconos brasileiros passaram a assumir a liderança das igrejas que eram fundadas em diversas regiões do país.

Essa mudança foi decisiva.

A Assembleia de Deus deixava de depender exclusivamente dos missionários estrangeiros e passava a construir uma identidade genuinamente brasileira.

Os novos líderes conheciam a cultura, os costumes e a realidade das comunidades onde atuavam, facilitando a expansão da igreja.

O surgimento das primeiras convenções

À medida que o número de igrejas aumentava, surgiu a necessidade de organizar o trabalho.

Pastores que antes atuavam de forma isolada passaram a realizar encontros periódicos para discutir questões doutrinárias, compartilhar experiências missionárias e fortalecer a comunhão entre as igrejas.

Esses encontros deram origem às primeiras convenções de ministros.

Mais do que reuniões administrativas, elas se tornaram momentos importantes para definir rumos da denominação e preservar sua unidade doutrinária.

Esse modelo permanece presente até os dias atuais.

A Convenção Geral

Em 1930 foi realizada, em Natal (RN), a primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

O encontro reuniu pastores de diferentes estados e marcou um passo importante na organização da denominação.

A partir dali, as decisões passaram a ser debatidas coletivamente, fortalecendo a cooperação entre as igrejas espalhadas pelo país.

Anos mais tarde, a instituição ficaria conhecida nacionalmente como Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), tornando-se uma das principais entidades representativas da denominação.

A importância da Escola Dominical

Outro fator decisivo para o crescimento da Assembleia de Deus foi a valorização do ensino bíblico.

As Escolas Dominicais passaram a desempenhar papel fundamental na formação espiritual de crianças, jovens e adultos.

Todos os domingos, milhares de membros reuniam-se para estudar as Escrituras de forma sistemática.

Mais do que preparar novos líderes, a Escola Dominical ajudou a criar uma cultura de leitura da Bíblia e aprofundamento doutrinário que permanece como uma das marcas da igreja.

A criação da CPAD

Com o crescimento da denominação, tornou-se evidente a necessidade de produzir materiais próprios para ensino e evangelização.

Foi nesse contexto que surgiu, em 1940, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD).

Inicialmente voltada para a publicação de revistas da Escola Dominical e literatura cristã, a editora tornou-se uma das maiores publicadoras evangélicas da América Latina.

Ao longo das décadas, milhões de Bíblias, livros, comentários bíblicos e materiais didáticos passaram a circular entre as igrejas assembleianas.

A CPAD teve papel fundamental na preservação da identidade doutrinária da denominação.

O avanço para todas as regiões do país

Durante as décadas seguintes, missionários brasileiros foram enviados para praticamente todos os estados da federação.

A igreja chegou ao Centro-Oeste, consolidou sua presença no Sudeste e alcançou também os estados da Região Sul.

Em cada cidade surgiam novas congregações.

Em muitos municípios, a Assembleia de Deus foi a primeira igreja pentecostal a estabelecer um trabalho permanente.

Esse crescimento aconteceu tanto nas capitais quanto nas pequenas cidades do interior.

Os grandes templos começam a surgir

À medida que o número de membros aumentava, as antigas reuniões em casas deram lugar a templos cada vez maiores.

Muitas construções foram erguidas pelos próprios membros da igreja.

Era comum que irmãos se reunissem aos finais de semana para fabricar tijolos, levantar paredes e concluir as obras de forma voluntária.

Cada templo inaugurado representava mais do que um prédio.

Era o símbolo de uma comunidade que havia crescido e se fortalecido.

O crescimento numérico

Os censos realizados ao longo do século XX passaram a registrar um crescimento constante da Assembleia de Deus.

Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, a igreja experimentou uma expansão significativa.

Novas congregações eram abertas praticamente todos os meses em diferentes regiões do Brasil.

Ao final do século XX, a Assembleia de Deus já era reconhecida como a maior denominação pentecostal do país.

Segundo os dados mais recentes do Censo Demográfico do IBGE, milhões de brasileiros se identificam como membros da Assembleia de Deus, distribuídos por milhares de templos em todo o território nacional.

Muito além dos números

Embora os números impressionem, a história da Assembleia de Deus não pode ser contada apenas por estatísticas.

Seu crescimento também está ligado à formação de milhares de líderes, ao compromisso missionário e à dedicação de incontáveis voluntários que ajudaram a construir igrejas, ensinar crianças, evangelizar comunidades e fortalecer famílias.

Foi essa combinação entre organização, ensino bíblico e evangelização constante que permitiu à denominação alcançar praticamente todas as regiões do Brasil.

Ao final do século XX, a Assembleia de Deus já fazia parte da história religiosa do país.

O pequeno grupo iniciado por Gunnar Vingren e Daniel Berg havia se transformado em um movimento nacional.


Curiosidades históricas

  • A primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus foi realizada em 1930, na cidade de Natal (RN).
  • A Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) foi fundada em 1940.
  • A Escola Dominical tornou-se um dos principais instrumentos de formação bíblica da denominação.
  • Grande parte dos primeiros templos foi construída com trabalho voluntário dos próprios membros.

Leia a próxima parte

Na próxima matéria veremos como a Assembleia de Deus chegou às periferias das grandes cidades, ao sertão, às comunidades indígenas, aos ribeirinhos e aos lugares mais esquecidos do Brasil. Entenderemos por que a igreja conseguiu crescer justamente entre as populações mais simples e como esse trabalho missionário moldou sua identidade.

Próxima matéria: A História das Assembleias de Deus no Brasil — Como a igreja chegou às periferias

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