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A História das Assembleias de Deus no Brasil — O nascimento da igreja em Belém do Pará (1911)

A História das Assembleias de Deus no Brasil — O nascimento da igreja em Belém do Pará (1911)

No início de 1911, pouco mais de alguns meses após chegarem ao Brasil, Gunnar Vingren e Daniel Berg ainda não imaginavam que participariam da fundação da maior igreja pentecostal do país.O objetivo dos dois missionários...

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No início de 1911, pouco mais de alguns meses após chegarem ao Brasil, Gunnar Vingren e Daniel Berg ainda não imaginavam que participariam da fundação da maior igreja pentecostal do país.

O objetivo dos dois missionários nunca foi criar uma nova denominação.

Pelo contrário.

Ao chegarem a Belém do Pará, passaram a frequentar a Igreja Batista da cidade, onde encontraram irmãos que os acolheram e abriram espaço para que participassem dos cultos e estudos bíblicos.

Foi ali que começou um dos capítulos mais importantes da história do cristianismo brasileiro.

Uma mensagem que despertou interesse

Durante os estudos bíblicos realizados na igreja, Gunnar Vingren começou a ensinar aquilo que havia aprendido nos Estados Unidos sobre o movimento pentecostal.

Os encontros abordavam temas como:

  • o batismo no Espírito Santo;
  • os dons espirituais;
  • a importância da oração constante;
  • a atuação do Espírito Santo na vida da Igreja.

Esses ensinamentos despertaram curiosidade em parte da congregação.

Alguns membros passaram a participar de reuniões de oração realizadas nas casas dos próprios fiéis.

Outros, porém, viam aquelas doutrinas com desconfiança.

Celina Albuquerque entra para a história

Entre as pessoas que passaram a acompanhar os estudos estava Celina de Albuquerque.

Celina tornou-se uma das personagens mais importantes da história da Assembleia de Deus.

Após um período de intensa oração, ela declarou ter recebido o batismo no Espírito Santo, tornando-se a primeira pessoa ligada ao grupo de missionários a testemunhar essa experiência no Brasil.

O episódio marcou profundamente os participantes das reuniões.

A notícia rapidamente se espalhou entre os membros da Igreja Batista de Belém.

Enquanto alguns entenderam aquilo como um avivamento espiritual, outros passaram a considerar os acontecimentos incompatíveis com a doutrina da igreja.

Crescem as divergências

Com o passar das semanas, o ambiente dentro da Igreja Batista tornou-se cada vez mais dividido.

As diferenças deixaram de ser apenas teológicas.

O assunto passou a ocupar cultos, reuniões administrativas e conversas entre os membros.

Os líderes da igreja entendiam que os ensinos apresentados pelos missionários não faziam parte da tradição batista.

Já Gunnar Vingren e Daniel Berg afirmavam que estavam apenas ensinando aquilo que encontravam nas Escrituras e que haviam experimentado em sua própria caminhada cristã.

O conflito tornou-se inevitável.

O desligamento da Igreja Batista

Em junho de 1911, após meses de debates, Gunnar Vingren, Daniel Berg e um pequeno grupo de irmãos foram desligados da Igreja Batista de Belém.

Longe de representar o fim da missão, aquele momento acabou se transformando em um novo começo.

Sem templo próprio, sem recursos financeiros e com um grupo reduzido de pessoas, eles passaram a realizar cultos em uma residência localizada na cidade.

Ali nascia oficialmente a Missão de Fé Apostólica.

Somente alguns anos depois, a igreja adotaria o nome que se tornaria conhecido em todo o país: Assembleia de Deus.

O primeiro culto

Os primeiros cultos eram extremamente simples.

Não havia grandes púlpitos.

Não existiam equipamentos de som.

Não havia bancos luxuosos nem templos imponentes.

As reuniões aconteciam em casas, com famílias reunidas para cantar hinos, estudar a Bíblia e orar.

Os participantes costumavam passar longos períodos em oração.

Muitos trabalhavam durante o dia e, à noite, caminhavam quilômetros para participar dos cultos.

Era uma igreja pequena.

Mas havia um sentimento comum entre aqueles primeiros irmãos: a convicção de que Deus estava realizando uma nova obra.

Uma igreja voltada para o povo

Desde seus primeiros dias, a Assembleia de Deus aproximou-se das pessoas mais simples.

Operários.

Comerciantes.

Pescadores.

Donas de casa.

Ribeirinhos.

Trabalhadores do porto.

Famílias humildes.

Ao contrário de outras denominações que concentravam sua atuação em centros urbanos mais estruturados, a nova igreja começou alcançando pessoas que muitas vezes viviam à margem da sociedade.

Esse perfil acompanharia a Assembleia de Deus durante todo o século XX.

O nome "Assembleia de Deus"

Durante os primeiros anos, a igreja ainda utilizava o nome Missão de Fé Apostólica.

Foi somente em 1918 que passou a adotar oficialmente o nome Assembleia de Deus, inspirado na denominação Assemblies of God, existente nos Estados Unidos.

A escolha refletia a identificação doutrinária com o movimento pentecostal internacional, embora a igreja brasileira desenvolvesse características próprias ao longo das décadas seguintes.

Um pequeno grupo que não imaginava o futuro

É difícil imaginar que aquele pequeno grupo reunido em uma casa em Belém do Pará daria origem a uma igreja presente em praticamente todos os municípios brasileiros.

Naquele momento, ninguém falava em milhões de membros.

Não existiam convenções nacionais.

Não havia seminários teológicos, editoras, emissoras de rádio ou televisão.

Também não existia representação política organizada.

Existia apenas um pequeno grupo de cristãos reunidos para estudar a Bíblia, orar e anunciar o Evangelho.

Foi desse núcleo que nasceu uma das maiores denominações pentecostais do mundo.

O início de uma grande caminhada

A fundação da Assembleia de Deus marcou o início de um movimento que atravessaria gerações.

Ao longo dos anos, missionários deixariam Belém em direção ao interior da Amazônia, aos seringais, às pequenas vilas e, posteriormente, às grandes cidades brasileiras.

A igreja cresceria de maneira constante, enfrentaria perseguições, superaria dificuldades e se tornaria uma das instituições religiosas mais influentes do país.

Mas tudo começou de forma extremamente simples.

Uma casa.

Algumas famílias.

Dois missionários suecos.

Uma Bíblia aberta.

E muita oração.


Curiosidades históricas

  • A Assembleia de Deus foi oficialmente fundada em 18 de junho de 1911, em Belém do Pará.
  • O primeiro nome da igreja foi Missão de Fé Apostólica.
  • O nome Assembleia de Deus passou a ser adotado oficialmente em 1918.
  • Celina de Albuquerque é reconhecida pela história assembleiana como a primeira pessoa ligada ao movimento a testemunhar o batismo no Espírito Santo no Brasil.
  • A igreja nasceu dentro do contexto da Igreja Batista, antes de se tornar uma denominação independente.

Na próxima parte:

A História das Assembleias de Deus no Brasil — As primeiras perseguições e a expansão pela Amazônia

Nela vamos contar como os primeiros assembleianos enfrentaram rejeição, desafios na evangelização e começaram a levar a mensagem pentecostal pelos rios da Amazônia, dando início ao crescimento que alcançaria todo o Brasil. Acho que essa será uma das partes mais emocionantes da série.

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