Ah... que saudade da Seleção Brasileira de 1994, 1998 e 2002
Uma reflexão nostálgica sobre a Seleção Brasileira de 1994, 1998 e 2002, relembrando os grandes craques, a paixão dos torcedores e questionando se o Brasil voltará a viver uma geração tão marcante.
Lembro-me daquela época em que o Brasil simplesmente parava para assistir aos jogos da Seleção na Copa do Mundo. A expectativa já começava nos amistosos. Quando a Copa chegava, ninguém segurava o brasileiro. Todo mundo vidrado na Rede Globo ou na Bandeirantes, acreditando que o Brasil faria a diferença mais uma vez.
A torcida brasileira era a mais apaixonada do mundo. Você podia sair na rua durante um jogo da Seleção que não encontrava praticamente ninguém. Parecia até cidade fantasma. Todo mundo estava em casa, em um bar ou reunido com a família. O brasileiro acreditava. O brasileiro tinha fé de que o Brasil era o Brasil.
Era impossível não olhar para o Romário. Ele parecia morar dentro da pequena área, só esperando aquele passe perfeito. Era um toque... e gol.
Depois vinha o Ronaldo, ainda conhecido como Ronaldinho. Pegava a bola no meio-campo e saía em uma velocidade absurda. Não importava quantos zagueiros aparecessem pela frente. Driblava um, driblava outro, dava chapeuzinho, arrancava novamente... Quando sobrava apenas ele e o goleiro, parecia que o goleiro já sabia o destino da jogada.
"Vou tentar defender pra quê? O gol já está escrito."
Era praticamente isso.
E quando derrubavam alguém perto da área?
Chamava o Roberto Carlos.
Rapaz... os jogadores da barreira deviam pensar:
"Tomara que essa bola não acerte em mim."
(risos)
A força daquele chute parecia um canhão. Era falta com personalidade, potência e precisão.
Depois o Ronaldinho virou Ronaldo, o Fenômeno. Em seguida surgiu outra lenda: Ronaldinho Gaúcho. A cada geração aparecia um craque diferente, um jogador capaz de decidir uma partida sozinho.
Naquela época não existia parada para hidratação. Eram 45 minutos de jogo intenso, mais os acréscimos. Também não existia esse famoso "toque, toque, toque". Era tocar, driblar, acelerar para o ataque e finalizar. O objetivo era um só: fazer gol.
Hoje fico me perguntando...
Será que um dia voltaremos a ter uma Seleção igual — ou até melhor — do que aquelas?
O que aconteceu?
Foi a vaidade?
Foram os patrocinadores?
Mudou a formação dos jogadores?
Mudou a maneira de jogar?
Ou será que o futebol inteiro mudou?
A verdade é que já não é mais a mesma época, e também não é mais a mesma Seleção.
Tudo mudou.
Hoje vemos um time que troca muitos passes, mas muitas vezes parece ter medo de atacar. O drible, que era uma marca registrada do futebol brasileiro, ficou cada vez mais raro. Aqueles lances espetaculares, que faziam o torcedor levantar do sofá antes mesmo do gol, quase não existem mais.
Talvez eu esteja apenas sentindo saudade de uma geração que marcou a história.
Ou talvez o futebol brasileiro realmente tenha perdido um pouco da sua essência.
Agora fica a pergunta:
Será que nesta Copa veremos novamente o Brasil conquistar o título de melhor do mundo?
Ou continuaremos apenas lembrando, com saudade, da Seleção que um dia encantou o planeta inteiro?
Antonio Neto