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Alckmin dizia que Lula queria voltar à “cena do crime”; nove anos depois, disputa a reeleição ao lado do petista

Alckmin dizia que Lula queria voltar à “cena do crime”; nove anos depois, disputa a reeleição ao lado do petista

Em 2017, Geraldo Alckmin acusou Lula de querer voltar à “cena do crime” e criticou duramente os governos petistas. Nove anos depois, o ex-tucano disputa a reeleição como vice do presidente, após uma mudança de posicionamento político.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que disputa a reeleição ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já foi um dos críticos mais contundentes do petista. Em dezembro de 2017, quando ainda integrava o PSDB, Alckmin afirmou que Lula pretendia retornar à "cena do crime" ao buscar novamente a Presidência da República.

Quase nove anos depois, o cenário político é completamente diferente. O antigo adversário tornou-se aliado, foi eleito vice-presidente em 2022 e voltou a integrar a chapa de Lula para as eleições presidenciais de 2026.

A mudança de posicionamento chama atenção especialmente pelo teor das declarações feitas por Alckmin no passado, quando atribuía aos governos petistas parte da responsabilidade pela crise econômica brasileira.

Em 2017, Alckmin acusou Lula de querer voltar à "cena do crime"

A declaração ocorreu em 9 de dezembro de 2017, durante a convenção nacional do PSDB, em Brasília, quando Geraldo Alckmin assumiu a presidência do partido.

Na época, o então governador de São Paulo se preparava para disputar a Presidência da República em 2018 e adotou um discurso duro contra o PT.

"Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder, ou seja, ele quer voltar à cena do crime", afirmou Alckmin.

O tucano também declarou que Lula deveria ser derrotado nas urnas e responsabilizou os governos petistas pela recessão econômica enfrentada pelo país.

As falas foram registradas em reportagens publicadas naquele mesmo dia, incluindo uma cobertura do Poder360.

"A ilusão petista acabou em pesadelo", declarou o então tucano

Durante o mesmo discurso, Alckmin ampliou suas críticas ao Partido dos Trabalhadores e apresentou o PSDB como uma alternativa para a recuperação econômica brasileira.

"A ilusão petista acabou em pesadelo", afirmou.

O discurso ocorreu em um período de forte rivalidade entre PT e PSDB, partidos que haviam protagonizado sucessivas disputas presidenciais desde a década de 1990.

Alckmin defendia reformas econômicas e criticava o desempenho das administrações petistas, buscando consolidar sua candidatura presidencial para o ano seguinte.

Na eleição de 2018, ele disputou a Presidência pelo PSDB, mas não avançou ao segundo turno.

De adversário político a candidato a vice de Lula

A reaproximação entre Geraldo Alckmin e Lula ganhou força durante as articulações para a eleição presidencial de 2022.

Depois de deixar o PSDB, partido ao qual esteve vinculado durante décadas, Alckmin ingressou no PSB e passou a negociar uma aliança com o PT.

Em maio de 2022, os dois oficializaram a parceria eleitoral, formando uma chapa que reuniu lideranças de diferentes correntes políticas.

A união surpreendeu parte do eleitorado, especialmente por causa do histórico de críticas de Alckmin ao PT e ao próprio Lula.

Durante a campanha, os dois defenderam a formação de uma frente política ampla, apresentada por seus apoiadores como uma alternativa ao então presidente Jair Bolsonaro.

A chapa venceu o segundo turno das eleições de 2022, e Alckmin assumiu a Vice-Presidência da República em janeiro de 2023.

Em 2022, Alckmin afirmou que Lula havia sido injustiçado

A mudança de posicionamento foi abordada diretamente durante uma sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo em 29 de setembro de 2022.

Questionado sobre as antigas acusações contra Lula, Alckmin afirmou que havia revisto sua avaliação após decisões judiciais relacionadas aos processos da Operação Lava Jato.

"Eu acho que o Lula, em 18, foi injustiçado", declarou o então candidato a vice-presidente.

Alckmin argumentou que a anulação das condenações e o reconhecimento da parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em um dos processos demonstravam problemas na condução dos casos envolvendo o petista.

Na entrevista, também afirmou acreditar que a Lava Jato havia sido utilizada para afastar Lula da disputa eleitoral de 2018.

O ex-governador defendeu a importância da imparcialidade judicial e afirmou que eventuais desvios de recursos públicos deveriam ser investigados e punidos.

É importante destacar que a anulação das condenações de Lula pelo Supremo Tribunal Federal ocorreu por questões relacionadas à competência judicial, enquanto a suspeição de Sergio Moro foi reconhecida em processo específico. Essas decisões não equivalem a uma conclusão geral de que todos os fatos investigados jamais ocorreram.

Alckmin passou a integrar o governo federal

Com a vitória da chapa em 2022, Geraldo Alckmin assumiu a Vice-Presidência e também passou a comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Durante o governo, participou de negociações relacionadas à indústria, comércio exterior, investimentos e desenvolvimento econômico.

A parceria com Lula permaneceu apesar das diferenças históricas entre as trajetórias partidárias dos dois políticos.

Enquanto Lula construiu sua carreira no PT, Alckmin foi um dos principais nomes do PSDB, partido que durante décadas representou a principal oposição nacional aos governos petistas.

Lula confirmou Alckmin novamente como vice em 2026

Em 31 de março de 2026, durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula confirmou que Geraldo Alckmin voltaria a disputar a Vice-Presidência da República em sua chapa.

O anúncio encerrou especulações sobre uma possível mudança na composição da candidatura à reeleição.

Na ocasião, Lula informou que Alckmin deixaria o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para participar da campanha eleitoral.

A decisão consolidou a continuidade de uma aliança que, poucos anos antes, parecia improvável diante da rivalidade entre PT e PSDB.

Contraste entre discursos evidencia mudança de posição

A trajetória de Geraldo Alckmin entre 2017 e 2026 evidencia uma transformação significativa em seu posicionamento político.

O mesmo político que acusava Lula de querer retornar à "cena do crime" passou a defender sua candidatura, integrar seu governo e disputar duas eleições presidenciais como vice do petista.

Alckmin atribuiu parte dessa mudança às decisões judiciais envolvendo Lula e à avaliação de que a conjuntura política exigia a construção de uma aliança mais ampla.

O histórico, entretanto, permanece documentado e permite comparar as críticas feitas pelo ex-governador quando estava na oposição com as posições adotadas após a aproximação com o PT.

A expressão "cena do crime" foi utilizada por Alckmin em um discurso político de 2017 e deve ser compreendida como uma acusação feita naquele contexto, não como uma conclusão judicial.

Agora, na reta final das eleições de 2026, Alckmin busca mais um mandato como vice-presidente justamente ao lado do político que, nove anos antes, prometia derrotar nas urnas.

Fontes: Poder360 (09/12/2017); UOL e Folha de S.Paulo (29/09/2022); Agência Brasil (31/03/2026).

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