Câmara de Porto Velho exonera 698 servidores e deixa Zé Paroca diante de crise administrativa
Após a exoneração de 698 servidores comissionados, a Câmara de Porto Velho enfrenta restrições para novas nomeações. Com previsão de apenas 200 cargos em 2027, Zé Paroca terá o desafio de reorganizar o Legislativo e administrar pressões internas.
A Câmara Municipal de Porto Velho passa por uma ampla reorganização administrativa após a exoneração de 698 servidores comissionados, determinada pelo atual presidente da Casa, vereador Gedeão Negreiros (PSDB).
A medida provoca mudanças significativas na estrutura do Legislativo e representa um desafio para Zé Paroca (Avante), eleito para presidir a Câmara durante o biênio 2027–2028.
Novas nomeações podem ficar suspensas até o fim de 2026
Segundo informações divulgadas pelo portal Via Rondônia, a expectativa é de que a Câmara não realize novas nomeações até o encerramento deste ano.
Para 2027, a previsão é de aproximadamente 200 cargos comissionados disponíveis, número que poderá intensificar as disputas internas pela composição das equipes dos vereadores.
As restrições ainda exigirão uma reorganização das atividades administrativas e dos serviços de apoio parlamentar.
Tribunal de Contas já havia apontado problemas
A composição do quadro funcional da Câmara já havia chamado a atenção do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO).
Conforme os dados mencionados na reportagem, em janeiro de 2026 o Legislativo municipal possuía 52 servidores efetivos e 802 ocupantes de cargos comissionados.
O órgão de controle apontou pendências relacionadas à proporcionalidade entre servidores concursados e comissionados, situação que coloca em discussão a organização administrativa da instituição.
Zé Paroca terá desafio político em 2027
Com a redução expressiva das equipes, o futuro presidente da Câmara terá de administrar as demandas dos parlamentares e definir como os cargos disponíveis serão distribuídos.
Servidores de carreira ouvidos pelo Via Rondônia avaliam que o cenário exigirá habilidade de articulação política, especialmente diante das cobranças de vereadores que dependem de assessorias para acompanhar demandas da população.
O desafio também poderá ganhar dimensão eleitoral com a aproximação das eleições municipais de 2028, quando parte dos vereadores deverá buscar a reeleição.
Redução de cargos poderá afetar atendimento à população
A diminuição das equipes poderá repercutir no acompanhamento de solicitações feitas por moradores de bairros e distritos de Porto Velho.
Entretanto, o impacto efetivo sobre os serviços ainda dependerá da forma como a Câmara reorganizará sua estrutura e distribuirá as funções administrativas.
Gedeão Negreiros justifica as exonerações como parte de medidas de contenção de despesas e reorganização administrativa.
O Ministério Público de Rondônia poderá ser provocado a avaliar a legalidade das medidas, mas, conforme a reportagem original, não havia confirmação de manifestação oficial específica do órgão sobre os desligamentos.
Nova gestão terá de equilibrar economia e funcionamento da Câmara
O principal desafio para Zé Paroca será conciliar a redução de cargos com a continuidade dos serviços legislativos e administrativos.
A reorganização também poderá aumentar a cobrança por transparência na distribuição dos cargos e na utilização dos recursos públicos.
Com 698 exonerações e a perspectiva de um quadro comissionado reduzido em 2027, a Câmara de Porto Velho entra em um período de mudanças que deverá exigir decisões administrativas e articulação política de sua próxima presidência.
Fonte: Via Rondônia — reportagem publicada em 13 de outubro de 2026.