Delegados da PF relataram medo de investigar Moraes e entregaram cópia do celular de Vorcaro a Mendonça
Delegados da PF disseram a Mendonça que temiam consequências caso produzissem relatório envolvendo Moraes. No dia seguinte, uma cópia criptografada dos dados de Vorcaro foi enviada ao gabinete do ministro.
Delegados da Polícia Federal responsáveis por investigações relacionadas ao Banco Master relataram ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se sentiam pressionados diante da possibilidade de produzir um relatório envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo apuração publicada pelo colunista Cézar Feitoza, do UOL, investigadores temiam que a elaboração de um documento sobre Moraes pudesse provocar uma reação contra os próprios delegados, inclusive com eventual inclusão deles no inquérito das fake news.
O relato teria sido feito diretamente a Mendonça durante uma conversa realizada em 7 de março de 2026.
Delegado relatou pressão a Mendonça
De acordo com a reportagem, um dos delegados conversou por videochamada com André Mendonça e relatou o ambiente enfrentado pela equipe.
Os investigadores analisavam informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, quando surgiram elementos envolvendo Alexandre de Moraes.
Segundo o UOL, o temor dos policiais era sofrer consequências caso avançassem na produção de relatórios sobre um integrante do Supremo.
A direção da Polícia Federal teria orientado os investigadores a não produzirem relatórios envolvendo ministros do STF sem autorização judicial.
HD criptografado foi parar no gabinete de Mendonça
No dia seguinte à conversa, 8 de março, uma cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro foi encaminhada ao gabinete de André Mendonça.
O material foi colocado em um HD criptografado e lacrado.
Mendonça afirma que nunca abriu nem manuseou o conteúdo. Segundo o ministro, a mídia permaneceu lacrada e serviria como cópia de segurança, ou contraprova, caso houvesse perda ou extravio do material original.
Quem pediu o HD? Versões entram em choque
É justamente nesse ponto que surgiu uma nova controvérsia.
Há versões divergentes sobre quem tomou a iniciativa de enviar os dados para o gabinete do ministro.
Pessoas próximas a Mendonça e investigadores ouvidos pelo UOL sustentam que a entrega ocorreu espontaneamente, dentro do contexto de preocupação relatado pelos delegados.
Já a Polícia Federal informou oficialmente ao STF que a cópia foi encaminhada mediante solicitação do próprio gabinete de André Mendonça, citando documentação administrativa relacionada ao procedimento.
Mendonça nega essa versão e afirma que não solicitou o envio.
Mendonça pede que delegados sejam ouvidos
Diante da divergência, André Mendonça pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que sejam cobrados esclarecimentos dos policiais envolvidos.
O ministro quer que os delegados expliquem as circunstâncias e o contexto em que ocorreu a entrega do HD.
Mendonça também pediu que os investigadores relatem formalmente eventuais constrangimentos sofridos durante as investigações.
Temor dos delegados adiciona novo capítulo à crise
Se confirmado formalmente pelos investigadores, o relato de que policiais federais temiam consequências por produzir um relatório envolvendo um ministro do Supremo adiciona um elemento importante à crise institucional desencadeada pelo caso Banco Master.
É necessário, entretanto, fazer uma distinção: a reportagem registra o temor relatado pelos delegados; isso não significa que esteja comprovado que Alexandre de Moraes tenha ameaçado, pressionado diretamente ou determinado qualquer medida contra esses investigadores.
O que está sendo relatado é a percepção dos próprios policiais sobre o risco que acreditavam enfrentar.
Inquérito das fake news estava no centro da preocupação
Segundo a apuração, o receio estava relacionado principalmente ao inquérito das fake news, conduzido por Moraes.
Os investigadores teriam levado em consideração episódios anteriores envolvendo tentativas de investigação de integrantes do Supremo e as reações institucionais provocadas por esses casos.
Esse ambiente teria contribuído para a cautela da equipe diante dos dados encontrados no aparelho de Vorcaro.
Celular de Vorcaro novamente no centro da disputa
A revelação aparece justamente quando o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro se tornou uma das principais fontes de tensão dentro do STF.
Ministros como Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes cobraram acesso integral ao material extraído pela Polícia Federal.
A PF informou que possui condições técnicas para produzir cópias preservando a integridade dos arquivos e, neste fim de semana, encaminhou dados aos gabinetes que solicitaram acesso.
André Mendonça, por sua vez, sustenta que uma abertura indiscriminada do conteúdo pode comprometer investigações ainda em andamento.
Relato precisa agora ser formalmente esclarecido
A história do HD cria duas questões distintas que precisam ser esclarecidas.
A primeira é saber por que investigadores da Polícia Federal afirmaram sentir pressão ou temor diante da possibilidade de produzir um relatório envolvendo Moraes.
A segunda é estabelecer documentalmente quem determinou ou solicitou o envio da cópia integral dos dados do celular de Vorcaro ao gabinete de Mendonça.
Enquanto a primeira questão surge dos relatos obtidos pelo UOL, a segunda possui versões contraditórias entre Mendonça e a Polícia Federal.
Ao pedir que Fachin determine a oitiva dos envolvidos, Mendonça tenta levar essas versões para os autos e esclarecer oficialmente como o material chegou ao seu gabinete e quais circunstâncias cercaram a investigação.
Fonte principal: UOL — reportagem de Cézar Feitoza, “Delegados relataram a Mendonça pressão contra relatório sobre Moraes”, publicada em 14 de setembro de 2026. Informações complementares: manifestações de André Mendonça e Polícia Federal encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal.