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G. Dias pediu para tirar próprio nome de relatório sobre alertas antes do 8 de Janeiro

G. Dias pediu para tirar próprio nome de relatório sobre alertas antes do 8 de Janeiro

Documentos e mensagens mostram que G. Dias recebeu 11 alertas antes do 8 de Janeiro e pediu que seu nome fosse retirado de uma relação enviada ao Congresso. O general admitiu alteração no documento, mas negou fraude.

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O general Gonçalves Dias, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Lula, voltou ao centro das discussões sobre as falhas de segurança que antecederam os atos de 8 de Janeiro de 2023.

Documentos oficiais, depoimentos e mensagens reveladas durante as investigações mostram que o então ministro recebeu diretamente em seu celular 11 alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre os dias 6 e 8 de janeiro.

Apesar disso, o primeiro relatório encaminhado ao Congresso Nacional não apresentava Gonçalves Dias entre os destinatários desses alertas.

Primeiro documento não mostrava os 11 alertas

A Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) solicitou informações sobre os alertas produzidos pela Abin antes dos ataques às sedes dos Três Poderes.

O primeiro documento encaminhado ao colegiado, em 20 de janeiro de 2023, não identificava Gonçalves Dias como destinatário das mensagens.

Uma versão posterior revelou, entretanto, que o então ministro havia recebido 11 alertas diretamente em seu telefone.

Os registros indicavam riscos crescentes de violência e possíveis invasões de prédios públicos em Brasília.

“Será que meu nome pode ser retirado daquela relação?”

O episódio ganhou ainda mais relevância quando mensagens trocadas entre Gonçalves Dias e o então diretor-adjunto da Abin, Saulo Moura da Cunha, foram reveladas.

Em 17 de janeiro de 2023, G. Dias questionou se seu nome poderia ser retirado da relação que registrava os destinatários dos alertas.

Em outra mensagem posteriormente apresentada pela CPMI, o general foi ainda mais direto ao pedir que seu nome fosse retirado.

As mensagens confirmaram que houve uma discussão específica sobre a presença do nome do então ministro na documentação que seria encaminhada ao Congresso.

G. Dias admitiu mudança no documento

Em depoimento à CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em junho de 2023, Gonçalves Dias reconheceu que o documento sofreu alteração antes de ser encaminhado.

O general, entretanto, negou ter fraudado ou adulterado o relatório.

Segundo sua explicação, a versão que indicava o “ministro do GSI” entre os destinatários não representaria corretamente a forma como as informações foram difundidas, porque ele não integrava os grupos oficiais utilizados pela Abin.

G. Dias afirmou que o documento foi “acertado” porque, segundo sua interpretação, a versão anterior não condizia com a realidade.

Mensagens mostram que ele sabia do risco

Os registros também trouxeram outro elemento importante sobre o conhecimento do então ministro a respeito da situação em Brasília.

Na manhã de 8 de janeiro, Saulo Moura da Cunha informou a Gonçalves Dias que já havia quase 100 ônibus no Plano Piloto.

Minutos depois, o general respondeu: “Vamos ter problemas”.

Documentos apresentados posteriormente no Congresso registraram que os alertas enviados ao então chefe do GSI mencionavam riscos de violência e ataques contra prédios públicos.

Questão central passou a ser por que o nome desapareceu

A controvérsia não está apenas na existência dos alertas. Os documentos demonstram que Gonçalves Dias recebeu informações diretamente, enquanto seu nome não constou da primeira versão encaminhada ao órgão do Congresso responsável justamente pela fiscalização das atividades de inteligência.

A revelação posterior das mensagens tornou ainda mais relevante a questão, porque demonstrou que o próprio general perguntou sobre a possibilidade de retirar seu nome da relação.

Para parlamentares da oposição, o episódio levantou suspeitas de tentativa de omitir informações sobre o conhecimento prévio do governo a respeito dos riscos existentes antes do 8 de Janeiro.

Gonçalves Dias sempre rejeitou essa interpretação e sustentou que a alteração tinha como objetivo corrigir uma informação que considerava tecnicamente incorreta.

Fatos documentados e versões precisam ser separados

Há três pontos que estão documentalmente estabelecidos: Gonçalves Dias recebeu alertas diretamente em seu celular; seu nome não apareceu na primeira versão encaminhada ao Congresso; e mensagens mostram que ele pediu que seu nome fosse retirado da relação.

Também está registrado que o próprio general reconheceu que houve modificação no documento.

O que permanece objeto de interpretação e controvérsia é a finalidade dessa alteração. Enquanto críticos classificaram o episódio como ocultação ou adulteração, Gonçalves Dias afirmou que não houve fraude e que a mudança serviu para corrigir uma informação que, segundo ele, não correspondia à realidade.

Os documentos permanecem relevantes para compreender o grau de conhecimento das autoridades federais sobre os riscos existentes antes das invasões e as providências adotadas naquele período.

Fontes: Senado Federal, Câmara dos Deputados, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do 8 de Janeiro, CNN Brasil e Folha de S.Paulo.

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