Globo demite diretor após mensagens com Vorcaro revelarem festas privadas e relação com banqueiro investigado por rede de prostituição
Globo demite Frederic Kachar após divulgação de conversas com Daniel Vorcaro sobre negócios e festas privadas. Banqueiro também é investigado por suspeitas envolvendo uma rede internacional de prostituição.
O Grupo Globo anunciou, nesta quinta-feira (15), a demissão de Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, após a divulgação de mensagens privadas trocadas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os diálogos revelaram uma relação próxima entre o executivo e o banqueiro, envolvendo negociações comerciais, pedidos relacionados à cobertura jornalística e convites para encontros privados.
A demissão ocorreu em meio a novas revelações sobre Vorcaro, apontado em reportagens do UOL como financiador de uma suposta rede internacional de prostituição que recrutava mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas que fugiram da guerra.
Mensagens revelam relação entre diretor da Globo e Vorcaro
Segundo reportagens publicadas pelo UOL, conversas obtidas pela Polícia Federal mostram que Frederic Kachar e Daniel Vorcaro mantinham contato frequente entre outubro de 2023 e julho de 2025.
As mensagens abordavam patrocínios, eventos comerciais, pedidos de divulgação e reportagens relacionadas aos interesses do Banco Master.
Em alguns diálogos, os dois também conversavam sobre festas reservadas e encontros com mulheres estrangeiras, utilizando expressões como "guerra da Ucrânia" e "bomba na Rússia".
O conteúdo divulgado levantou questionamentos sobre os limites da relação entre um executivo de comunicação e um empresário que mantinha contratos publicitários com veículos do grupo.
Vorcaro teria investido ao menos R$ 4,3 milhões em rede de prostituição
Uma investigação jornalística publicada pelo UOL em 13 de outubro revelou mensagens que apontam Daniel Vorcaro como possível financiador de uma estrutura internacional de recrutamento de mulheres para encontros privados.
De acordo com a reportagem, os investimentos teriam alcançado pelo menos R$ 4,3 milhões. A estrutura envolveria intermediários responsáveis por selecionar mulheres, organizar viagens, providenciar hospedagens e preparar encontros com empresários, amigos do banqueiro e autoridades.
Entre as mulheres mencionadas estavam estrangeiras de diferentes nacionalidades, incluindo refugiadas ucranianas em situação de vulnerabilidade devido à guerra.
As mensagens também apontam a possível utilização de uma agência de modelos e eventos para organizar parte das atividades.
Polícia Federal apura possíveis irregularidades
O material divulgado passou a integrar discussões sobre possíveis crimes relacionados à exploração sexual e ao tráfico de pessoas.
A existência de serviços de prostituição, por si só, não caracteriza automaticamente tráfico de pessoas. A configuração de crimes depende da análise das circunstâncias, incluindo eventual exploração, coação, fraude, abuso ou aproveitamento de situações de vulnerabilidade, conforme os requisitos legais aplicáveis.
Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que Frederic Kachar tenha participado do recrutamento das mulheres ou do financiamento da suposta rede.
Grupo Globo considera relação inadequada e anuncia demissão
Após a repercussão das conversas, o Grupo Globo comunicou o desligamento de Frederic Kachar, que trabalhava na empresa havia 29 anos.
Em comunicado, a companhia classificou como inadequada a relação mantida pelo executivo com um anunciante e reafirmou seu compromisso com a ética, a transparência e a independência editorial.
Kachar era responsável por operações que incluíam os jornais O Globo, Extra e Valor Econômico, revistas da Editora Globo e emissoras de rádio, entre elas a CBN.
O Grupo Globo também afirmou que seus veículos mantiveram cobertura crítica e independente sobre o caso Banco Master.
Para ocupar interinamente a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio, foi designado Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding do grupo.
Vorcaro nega exploração de mulheres
Em manifestação divulgada após as reportagens, Daniel Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres.
O ex-banqueiro também contestou a forma como mensagens privadas foram divulgadas, afirmando que conteúdos teriam sido apresentados fora de contexto ou manipulados.
As suspeitas envolvendo a rede de prostituição e os possíveis crimes associados ainda dependem de investigação e eventual responsabilização judicial.
O caso amplia os questionamentos sobre a rede de relacionamentos mantida por Vorcaro com empresários, representantes da imprensa e autoridades públicas durante o período em que controlava o Banco Master.
Fontes: UOL (13 e 15/10/2026), Folha de S.Paulo (15/10/2026), Agência Pública (15/10/2026) e comunicado do Grupo Globo.