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Lula rejeita chamar PCC e CV de terroristas, mas admite “terrorismo na comunidade” e promete polícia especial

Lula rejeita chamar PCC e CV de terroristas, mas admite “terrorismo na comunidade” e promete polícia especial

Lula rejeitou classificar PCC e CV como organizações terroristas nos moldes dos EUA, mas afirmou que as facções promovem “terrorismo na comunidade”. Se reeleito, promete Ministério da Segurança Pública e uma força especializada contra o crime organizado.

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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a explicar por que rejeita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas nos moldes adotados pelo governo dos Estados Unidos.

Durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Lula afirmou que discorda do conceito utilizado pelo governo de Donald Trump, mas reconheceu que as facções exercem aquilo que ele próprio chamou de “terrorismo na comunidade”.

“O nosso terrorismo aqui é para a comunidade.”

Segundo Lula, grupos criminosos aterrorizam moradores ao controlar favelas, ruas, escolas, estabelecimentos comerciais e espaços públicos, impedindo que parte da população viva livremente.

Lula diferencia facções do conceito de terrorismo dos EUA

O presidente afirmou que sua divergência está na classificação política e jurídica defendida pelos Estados Unidos.

Ao explicar sua posição, Lula disse que não concorda com a classificação de PCC e CV como terroristas segundo o conceito utilizado por Trump.

Ao mesmo tempo, reconheceu que essas organizações provocam medo e exercem controle violento sobre comunidades brasileiras.

Assim, Lula diferencia duas questões: a classificação formal das facções como organizações terroristas e os métodos de intimidação e violência utilizados por esses grupos dentro do território brasileiro.

Promessa de uma “polícia especial”

Lula também apresentou uma proposta para um eventual novo mandato.

O presidente afirmou que pretende criar uma força especializada para enfrentar organizações criminosas.

“O terrorismo na comunidade nós vamos acabar.”

Segundo Lula, após a aprovação da proposta constitucional relacionada à segurança pública, seu governo pretende criar um Ministério da Segurança Pública e estruturar uma força nacional especializada.

A proposta apresentada na entrevista é de uma instituição com agentes preparados especificamente para atuar em situações envolvendo o crime organizado.

Lula diz querer atingir o “andar de cima” do crime

Outro ponto defendido pelo presidente foi uma mudança no foco das operações.

Lula afirmou que pretende atingir principalmente financiadores e lideranças das organizações criminosas.

Segundo ele, o crime organizado se transformou em uma espécie de “indústria multinacional”, com ramificações em diferentes setores da sociedade.

O presidente defendeu a asfixia financeira das organizações e afirmou que o Estado precisa alcançar aquilo que classificou como o “andar de cima” do crime.

Para Lula, operações concentradas apenas nos integrantes que atuam diretamente nas comunidades não seriam suficientes para desmontar as estruturas financeiras das facções.

Presidente critica modelo de intervenção militar

Lula também criticou experiências anteriores envolvendo o emprego das Forças Armadas no combate à criminalidade urbana.

Segundo ele, criminosos abandonavam temporariamente determinados territórios durante as intervenções e retornavam posteriormente.

O presidente defendeu uma atuação permanente do Estado, combinando forças de segurança com políticas públicas.

Entre as medidas mencionadas estão escolas em tempo integral, formação profissional, lazer e presença contínua dos serviços públicos nas comunidades.

Classificação das facções virou questão internacional

A discussão ganhou dimensão internacional depois que o governo de Donald Trump passou a classificar organizações criminosas latino-americanas como grupos terroristas.

Entre elas estão PCC e Comando Vermelho.

O governo brasileiro rejeitou essa classificação e defende que essas organizações sejam enfrentadas dentro do marco jurídico destinado ao crime organizado.

Isso não significa que o governo brasileiro negue a violência praticada pelas facções.

A própria declaração de Lula no Canal Livre deixa essa diferença explícita: ele rejeita o enquadramento defendido pelos Estados Unidos, mas reconhece que PCC, CV e outras organizações exercem terror sobre moradores das áreas que controlam.

Promessa agora depende de um eventual novo mandato

A proposta de criar um Ministério da Segurança Pública e uma força especializada também passa a integrar as promessas apresentadas por Lula na reta final da campanha presidencial.

O presidente afirma que pretende estruturar o novo modelo caso seja reeleito.

O formato definitivo, as competências da nova força e sua relação com Polícia Federal, Força Nacional e forças estaduais dependeriam das mudanças legislativas e constitucionais necessárias.

A declaração deixa, porém, uma posição mais detalhada do presidente sobre a controvérsia: Lula rejeita classificar PCC e CV como organizações terroristas segundo o modelo adotado pelos Estados Unidos, mas reconhece que as facções promovem aquilo que chamou de “terrorismo na comunidade” e promete uma força especializada para combatê-las.

Fontes: Band/Canal Livre; Estadão; UOL.

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