“Lula vai destruir Flávio”: Augusto Cury aposta em derrota de Bolsonaro no 2º turno
Augusto Cury disse que Lula “vai destruir” Flávio Bolsonaro caso os dois disputem o segundo turno. Apesar da previsão, Cury criticou ambos e afirmou que não apoiará nenhum dos dois.
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) fez uma previsão contundente sobre um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Durante sabatina da revista Veja nesta terça-feira (22), Cury afirmou que Lula “vai destruir” Flávio caso os dois avancem para a etapa final da eleição presidencial.
“Se o pai perdeu, o filho também vai perder e tudo o que o Lula quer é pegar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ele vai trucidar, ele vai destruir Flávio.”
A declaração representa a avaliação eleitoral de Augusto Cury e não uma previsão de resultado. Pesquisas eleitorais divulgadas nesta reta da campanha apresentam cenários competitivos e sujeitos às respectivas margens de erro.
Cury critica Lula e Flávio
Apesar da declaração sobre uma possível vitória de Lula, Cury também fez críticas ao atual presidente.
O candidato afirmou considerar tanto o modelo político de Lula quanto o de Flávio Bolsonaro “falidos”.
Cury vem tentando apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo.
Questionado sobre quem apoiaria caso não estivesse no segundo turno, disse que sua resposta aos dois grupos seria “não, não e não”.
Em outras entrevistas recentes, Cury já havia afirmado que não apoiaria nem Lula nem Flávio em uma eventual disputa entre os dois.
“Se o pai perdeu, o filho também vai perder”
Ao justificar sua avaliação sobre Flávio, Cury utilizou a derrota de Jair Bolsonaro para Lula na eleição presidencial de 2022.
Para ele, o resultado daquele pleito indicaria dificuldades para o senador numa nova disputa contra o petista.
Essa conclusão, entretanto, é uma avaliação do próprio candidato. O comportamento do eleitorado em 2026 não pode ser determinado apenas pelo resultado de 2022.
Cury quer enfrentar Lula pessoalmente
O presidenciável do Avante afirmou que seu objetivo é justamente impedir que a eleição termine novamente polarizada entre Lula e um integrante da família Bolsonaro.
Cury disse acreditar que conseguirá chegar ao segundo turno e que pretende enfrentar Lula diretamente.
Ao contrário da avaliação que fez sobre Flávio, Cury argumenta que sua própria candidatura teria condições de derrotar o presidente.
Também neste caso, trata-se de uma avaliação eleitoral feita pelo candidato, e não de resultado antecipado das urnas.
Candidato também atacou projeto Dark Horse
Durante a sabatina, Cury voltou suas críticas para o projeto cinematográfico Dark Horse, relacionado à trajetória de Jair Bolsonaro e que passou a integrar investigações sobre sua estrutura de financiamento.
Cury cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre os valores envolvidos no projeto.
As investigações relacionadas ao financiamento do filme continuam em andamento e a existência de aportes financeiros ou participação no projeto, isoladamente, não comprova prática criminosa.
Cooperação com FBI e DEA
Em outro momento da entrevista, Augusto Cury defendeu que o Brasil coopere com órgãos de segurança dos Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de drogas.
O candidato citou especificamente a Drug Enforcement Administration (DEA) e o Federal Bureau of Investigation (FBI).
Ao mesmo tempo, afirmou que essa cooperação não pode representar renúncia à soberania brasileira.
“Jamais abrir mão da nossa soberania.”
A declaração ocorre justamente quando a atuação dos Estados Unidos contra organizações criminosas latino-americanas ganhou destaque após Washington ampliar sua estratégia regional contra grupos envolvidos com narcotráfico e crime organizado transnacional.
Afinal, Cury é de esquerda ou de direita?
O posicionamento político de Augusto Cury também passou a ser questionado com maior frequência depois do crescimento de sua candidatura.
O próprio candidato rejeita uma classificação exclusivamente à esquerda ou à direita.
Em entrevista à Veja no final de agosto, Cury afirmou que pretende combinar princípios que associa aos dois campos políticos.
Ele tem feito críticas tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo e afirma querer governar sem se alinhar integralmente a nenhum dos dois grupos.
Também não há registro público confiável que permita afirmar que Cury tenha apoiado Lula ou Jair Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022.
Portanto, classificá-lo simplesmente como alguém que “sempre foi de esquerda” iria além das evidências públicas disponíveis sobre sua trajetória política.
Declaração esquenta reta final
A fala de Cury adiciona mais um elemento à disputa presidencial ao atingir diretamente Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que o candidato tenta se diferenciar de Lula.
Ao afirmar que Lula “vai destruir” Flávio, Cury apresenta sua própria leitura sobre um eventual segundo turno.
Quem avançará para essa etapa e qual seria o resultado de qualquer confronto, porém, continuará dependendo da decisão dos eleitores nas urnas.
Fontes: Veja; Terra/Estadão Conteúdo; UOL; CNN Brasil.