Maduro nega acusações de tortura nos EUA e enfrenta risco de décadas de prisão por crimes atribuídos ao seu regime
Maduro e sua esposa negam acusações de tortura contra opositores e cidadãos americanos. Presos nos EUA, os dois podem enfrentar pelo menos 50 anos de prisão se condenados por todos os crimes.
O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes de novas acusações de conspiração para cometer tortura durante audiência realizada nesta quinta-feira (15), em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos.
O casal, que está preso em território americano desde janeiro de 2026, já respondia a acusações relacionadas ao narcotráfico e a crimes envolvendo armas. A nova denúncia amplia o processo criminal e aponta a existência de um suposto sistema de repressão contra opositores políticos durante o governo Maduro.
Maduro rejeita acusações diante de juiz americano
Durante a audiência conduzida pelo juiz federal Alvin Hellerstein, Maduro contestou as novas acusações apresentadas pelo Ministério Público dos Estados Unidos.
"Rejeito este documento na íntegra", declarou o ex-presidente venezuelano, ao afirmar que as acusações eram falsas.
O magistrado interrompeu a manifestação e determinou o registro formal de uma declaração de inocência em nome de Maduro.
Cilia Flores também negou envolvimento nos crimes investigados e afirmou ser completamente inocente.
Promotores apontam tortura de opositores e cidadãos americanos
Segundo a denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 8 de outubro, Maduro e Flores teriam participado de uma conspiração destinada a torturar opositores políticos, militares suspeitos de dissidência e cidadãos americanos detidos na Venezuela.
Os promotores afirmam que o sistema de repressão teria utilizado métodos como espancamentos, choques elétricos, asfixia e violência sexual.
A acusação também descreve um episódio ocorrido em 2014, no qual Maduro teria ordenado o sequestro e a tortura de militares suspeitos de conspirar contra seu governo.
Embora os dois sejam acusados de participar da organização e direção dessas práticas, a denúncia não afirma que tenham executado pessoalmente os atos de tortura.
Casal foi capturado em operação militar dos Estados Unidos
Maduro e Cilia Flores foram capturados em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação militar americana determinada pelo presidente Donald Trump.
Após a operação, os dois foram transferidos para Nova York, onde passaram a responder às acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos.
O casal permanece detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.
Com a saída de Maduro do poder, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a liderança do governo venezuelano.
Condenação pode resultar em pelo menos 50 anos de prisão
Além da acusação de conspiração para cometer tortura, Maduro e Flores respondem a processos envolvendo narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes relacionados a armamentos.
Segundo a Reuters, caso sejam condenados por todas as acusações, cada um poderá enfrentar uma pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão.
O juiz Alvin Hellerstein adiou o início do julgamento para 14 de junho de 2027, permitindo que as partes se preparem para as novas acusações.
Defesa contesta processo e alega imunidade
Os advogados de Maduro e Flores negam as acusações e defendem o encerramento do processo, argumentando que seus clientes possuem imunidade em razão dos cargos que exerceram na Venezuela.
O Departamento de Justiça americano sustenta que existem elementos para responsabilizar criminalmente o casal pelos atos descritos na denúncia.
As acusações ainda serão examinadas pela Justiça. Até uma eventual condenação definitiva, Maduro e Flores devem ser considerados inocentes perante o processo criminal americano.
Fontes: Reuters (15/10/2026), Associated Press (15/10/2026), CNN Brasil (15/10/2026) e Departamento de Justiça dos Estados Unidos (08/10/2026).