Moraes diz que tentativa de golpe “mudou de estratégia” e chama caso Master de “vingança”
Moraes chamou as acusações do caso Master de “vingança” e afirmou que a tentativa de golpe não terminou em 8 de janeiro, mas “mudou seu modus operandi”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o tom às vésperas da sessão que analisará o relatório da Polícia Federal envolvendo seu nome e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em manifestação encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes classificou as acusações contra ele como uma “farsa”, falou em “criminosas mentiras” e afirmou enxergar uma tentativa de vingança com motivação político-eleitoral.
O ministro foi além e relacionou a atual controvérsia às condenações decorrentes da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi.”
Segundo Moraes, o Supremo saberá resistir àquilo que ele considera uma nova ofensiva e sairá fortalecido.
Moraes fala em “vingança”
Na manifestação, Moraes sustenta que existe uma tentativa de vingança por parte de aliados de pessoas condenadas pelo Supremo.
Para o ministro, as acusações relacionadas ao caso Banco Master estariam sendo utilizadas com objetivos políticos e eleitorais.
Essa é, entretanto, a tese apresentada pelo próprio Moraes em sua defesa. A existência de uma operação coordenada de vingança ou de uma nova modalidade de tentativa de golpe não está estabelecida como fato apenas pela declaração do ministro.
Ministro contesta relatório envolvendo Vorcaro
O documento apresentado por Moraes possui 44 páginas e 121 tópicos e contesta a validade da apuração conduzida sob a relatoria de André Mendonça.
Moraes afirma que não existem elementos que demonstrem a prática de crime por sua parte e questiona a forma como informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro foram utilizadas na elaboração do relatório da Polícia Federal.
O ministro também nega os supostos diálogos que lhe foram atribuídos.
Segundo sua manifestação, grande parte das anotações utilizadas no relatório não corresponderia a conversas efetivamente localizadas no WhatsApp de Vorcaro.
“Criminosas mentiras”
Em um dos trechos mais duros da manifestação, Moraes afirma que as informações divulgadas contra ele seriam falsas e teriam finalidade político-eleitoral.
O ministro utiliza expressões como “farsa”, “vingança” e “criminosas mentiras” ao contestar as suspeitas levantadas a partir do material relacionado ao Banco Master.
Moraes também sustenta que a investigação seria juridicamente inválida por ter avançado sem a autorização necessária do plenário do Supremo.
PGR também questiona validade do relatório
A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, também apresentou argumentos favoráveis à nulidade do relatório.
A discussão jurídica envolve, entre outros pontos, a possibilidade de um ministro determinar diligências envolvendo outro integrante do STF sem provocação da Polícia Federal ou do Ministério Público e sem autorização prévia do plenário.
Isso não significa que o plenário já tenha decidido que o material é inválido. A controvérsia será justamente objeto da análise dos ministros.
Moraes transforma defesa em acusação política
A manifestação chama atenção porque Moraes não se limita a apresentar argumentos jurídicos contra o relatório.
O ministro também oferece uma interpretação política para o episódio e relaciona a atual crise às condenações impostas pelo Supremo nos processos envolvendo a tentativa de golpe.
Para Moraes, seus adversários teriam alterado a estratégia depois dos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
Ao afirmar que a tentativa de golpe apenas “mudou seu modus operandi”, Moraes coloca a investigação que hoje atinge seu próprio nome dentro de uma disputa institucional muito mais ampla.
STF decide destino do relatório
A manifestação foi apresentada às vésperas da sessão extraordinária do Supremo marcada para esta terça-feira (15).
O plenário deverá discutir a validade do relatório envolvendo as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes e se existem elementos que justifiquem o prosseguimento de uma investigação formal.
De um lado, Moraes pede a anulação do material e nega qualquer irregularidade. A PGR também sustenta haver vícios jurídicos na apuração.
Do outro, o relatório apresentado ao Supremo levantou questionamentos que André Mendonça entende que devem ser analisados pela Corte.
A decisão do plenário será determinante para estabelecer se as suspeitas envolvendo Moraes serão aprofundadas ou se o material será considerado juridicamente inválido.
Fontes: manifestação de Alexandre de Moraes encaminhada ao STF; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; UOL; SBT News.