“Não existe direita sem Bolsonaro”, admite Renan Santos após resultado das urnas
Após terminar em quarto lugar na eleição presidencial e ver o Missão eleger apenas dois de 521 candidatos, Renan Santos reconheceu a força eleitoral do bolsonarismo e afirmou: “Não existe direita sem Bolsonaro”. Apesar disso, ele não declarou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Após tentar se apresentar durante a campanha presidencial como uma alternativa ao bolsonarismo, Renan Santos (Missão) reconheceu a força política do grupo comandado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro depois do resultado do primeiro turno das eleições de 2026.
Em entrevista ao SBT News, Renan fez uma avaliação direta sobre o atual cenário político brasileiro:
“Não existe direita sem Bolsonaro.”
A declaração ocorre depois de Renan terminar a disputa presidencial em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos e 2.675.887 votos.
Renan admite força do bolsonarismo
Durante a campanha, Renan e integrantes do MBL fizeram críticas frequentes tanto ao PT quanto ao bolsonarismo e tentaram apresentar o Missão como uma nova alternativa dentro da direita.
O resultado das urnas, entretanto, levou Renan a reconhecer que o bolsonarismo permanece como uma força central desse campo político.
Além de afirmar que “não existe direita sem Bolsonaro”, Renan disse que o PL está “devastando o Centrão”.
Ele também anunciou uma mudança na postura em relação aos integrantes de seu próprio movimento que decidirem aderir ao bolsonarismo.
“Quem quiser sair para o bolsonarismo sairá, pela primeira vez, sem oposição da nossa parte.”
Missão elegeu apenas dois de 521 candidatos
O reconhecimento ocorre depois de um resultado difícil para o partido criado pelo grupo político ligado ao MBL.
Segundo levantamento publicado após as eleições, o Missão lançou 521 candidatos pelo país, mas conseguiu eleger somente dois.
Kim Kataguiri foi reeleito deputado federal por São Paulo, com 520.071 votos, enquanto Rafa Minato conquistou uma cadeira de deputado estadual paulista, com 185.582 votos.
O próprio Renan reconheceu que o desempenho ficou muito abaixo das expectativas.
“Esse é um resultado muito pior do que o que nós esperávamos.”
Renan não declarou apoio a Flávio
Apesar de reconhecer a força eleitoral do bolsonarismo, Renan Santos não anunciou apoio pessoal a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após o primeiro turno, Renan afirmou que seus eleitores e integrantes do movimento poderiam tomar suas próprias decisões.
Ele também manteve críticas aos dois candidatos que avançaram para a disputa final.
Portanto, reconhecer o peso eleitoral do bolsonarismo não significa que Renan tenha aderido à candidatura de Flávio.
Prioridade agora será reorganizar o Missão
Depois das eleições, Renan afirmou que pretende concentrar esforços na organização interna do Missão e em projetos relacionados ao MBL.
Ele também declarou que, neste momento, não pretende disputar novamente a Presidência na próxima eleição.
O resultado de 2026 coloca o grupo diante de um novo desafio: decidir como construir espaço político próprio enquanto o bolsonarismo mantém forte presença eleitoral entre os eleitores identificados com a direita.
A frase “não existe direita sem Bolsonaro” chama atenção justamente porque parte de um político que tentou construir sua campanha presidencial como uma alternativa ao grupo durante todo o primeiro turno.
Fontes: SBT News; UOL; Agência Brasil; dados da totalização das eleições de 2026.