“Não quis transar comigo? Destruí sua vida”: áudios de ex-MBL sobre Renan Santos chegam à Polícia Federal
Áudios de Glenda Varotto, ex-MBL, mostram declarações sobre prejudicar Renan Santos e desejar sua morte. Renan levou o material à PF, enquanto Glenda afirma que eram apenas desabafos privados e nega qualquer plano real.
Uma série de áudios atribuídos à influenciadora Glenda Varotto, conhecida nas redes sociais como Espectro Cinza e ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), provocou forte repercussão após revelar declarações direcionadas ao candidato à Presidência Renan Santos (Missão).
As gravações foram reveladas pelo Metrópoles, que afirma ter tido acesso a um conjunto de 378 arquivos, incluindo áudios, fotografias e vídeos produzidos ao longo de meses.
Em algumas das gravações, Glenda fala abertamente sobre a morte de Renan. Em outras, relaciona sua revolta contra o candidato a uma rejeição afetiva e sexual.
“Destruí sua vida”
Uma das declarações que mais repercutiram nas redes sociais envolve justamente essa relação pessoal.
Em áudio publicado pela imprensa, Glenda afirma que Renan não teria correspondido ao interesse dela e relaciona essa rejeição ao desejo de prejudicá-lo.
“Não quis me comer, bem feito. Destruí sua vida.”
Na sequência da gravação, a influenciadora continua afirmando que aquela seria uma consequência para homens que não mantivessem relações sexuais com ela.
Segundo a reportagem que revelou o material, Glenda havia manifestado a um confidente interesse em ter um relacionamento com Renan, mas não teria sido correspondida.
“Eu quero ver o cara morto”
Outros áudios apresentam declarações ainda mais graves.
Em uma das gravações, Glenda afirma:
“Eu quero ver o cara morto.”
Em outra conversa, ela volta a dizer que desejava a morte de Renan.
As gravações também mostram Glenda discutindo formas de provocar desgaste pessoal e político contra o candidato.
Em determinado áudio, ela afirma que aproveitaria oportunidades para causar “irritação, aborrecimento, ódio, vergonha e humilhação” a Renan.
378 arquivos reunidos durante meses
Segundo o Metrópoles, o material foi reunido principalmente entre janeiro e agosto de 2026 por um amigo de Glenda que também havia sido seu professor de inglês.
O homem teria decidido preservar as gravações por ficar preocupado com as referências recorrentes à violência física.
Em uma das conversas publicadas, o interlocutor pergunta se Renan seria a única pessoa que Glenda desejava matar.
Ela responde afirmativamente e acrescenta que, em sua avaliação, ele “merecia” morrer.
A existência dessas falas, entretanto, não demonstra por si só que tenha existido um plano concreto para executar um atentado.
Renan Santos levou caso à Polícia Federal
O episódio ultrapassou a disputa nas redes sociais.
Renan Santos apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal em São Paulo no dia 27 de agosto.
Segundo as reportagens, foram solicitadas providências como perícia sobre os arquivos e depoimentos das pessoas envolvidas.
O procedimento tramita sob sigilo.
Isso significa que caberá às autoridades determinar a autenticidade e o contexto completo do material e verificar se alguma das condutas relatadas possui relevância criminal.
Glenda nega plano para matar Renan
Procurada pelo Metrópoles, Glenda Varotto negou que tivesse intenção real de assassinar Renan Santos.
Ela afirmou que as declarações eram desabafos privados feitos durante um período de forte desgaste emocional provocado pelo rompimento com o MBL.
Segundo Glenda, as declarações sobre matar Renan foram ditas “da boca para fora”.
A influenciadora argumentou ainda que, caso realmente estivesse planejando um atentado, não faria sentido comentar abertamente suas intenções com outras pessoas.
Glenda acusa MBL de tentar destruir sua reputação
A ex-integrante apresenta uma versão diferente para o contexto em que as gravações foram realizadas.
Ela afirma que deixou o MBL em abril de 2026 após uma reunião conturbada e sustenta ter sofrido posteriormente ataques públicos de integrantes e apoiadores do movimento.
Glenda também acusa o grupo de promover uma campanha para destruir sua reputação.
Essas alegações representam a versão apresentada pela influenciadora e não devem ser confundidas com conclusões já estabelecidas pelas autoridades.
De integrante do MBL a adversária do grupo
Glenda aproximou-se do MBL em 2024 e entrou oficialmente para o movimento no início de 2025.
Ela chegou a ser anunciada como pré-candidata a deputada federal e trabalhou na produção de conteúdo ligado ao grupo.
O relacionamento terminou de forma conturbada em abril deste ano.
Depois do rompimento, Glenda passou a fazer críticas públicas ao movimento e a seus integrantes.
Renan Santos, por sua vez, disputa atualmente a Presidência da República pelo partido Missão, legenda criada por integrantes ligados ao MBL.
Desabafo, ameaça ou algo além?
O ponto central agora é determinar juridicamente o significado das gravações.
Uma declaração agressiva ou mesmo a manifestação privada de desejo pela morte de alguém não comprova automaticamente a existência de um plano de homicídio.
Por outro lado, a repetição das declarações e os demais elementos reunidos fizeram com que Renan procurasse formalmente a Polícia Federal.
A investigação deverá analisar contexto, autenticidade, eventual preparação de atos concretos e outras evidências antes que seja possível estabelecer se houve alguma conduta criminosa.
Até lá, existe uma diferença fundamental entre os fatos já conhecidos e aquilo que ainda precisa ser demonstrado: as declarações publicadas existem e Glenda apresentou sua explicação sobre elas; a existência de um plano real para matar Renan Santos ainda depende de apuração.
Fontes: Metrópoles; UOL.