Perguntado sobre apoio a Flávio, Trump evita resposta e diz acompanhar eleição brasileira “bem de perto”
Questionado na Casa Branca sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro, Donald Trump evitou responder diretamente e afirmou que está analisando a situação brasileira e acompanhando a eleição “bem de perto”. O governo americano afirma que não pretende interferir no pleito brasileiro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar nesta sexta-feira (2) as eleições presidenciais brasileiras, a apenas dois dias do primeiro turno.
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump foi questionado diretamente sobre um eventual apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente americano evitou declarar apoio a qualquer candidato.
“Estou analisando a situação como um todo e vamos acompanhá-la bem de perto.”
A declaração chama atenção porque é a segunda vez em dois dias que Trump comenta publicamente o processo eleitoral brasileiro.
Trump já havia chamado eleição de “muito importante”
Na quinta-feira (1º), ao conversar com jornalistas enquanto deixava a Casa Branca, Trump afirmou que estava acompanhando a disputa brasileira de perto.
Na ocasião, destacou a importância do Brasil e classificou a eleição como “muito importante”.
Um dia depois, diante da pergunta específica sobre Flávio Bolsonaro, Trump preferiu não revelar se possui alguma preferência entre os candidatos.
Não houve declaração de apoio a Flávio
Apesar da repercussão política da fala, existe uma distinção importante.
Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
O jornalista perguntou explicitamente se o presidente americano apoiaria o senador brasileiro, mas Trump respondeu apenas que estava analisando a situação e acompanhando a eleição.
Portanto, interpretar a declaração como um endosso eleitoral iria além do que efetivamente foi dito pelo presidente dos Estados Unidos.
Governo americano nega intenção de interferir
As declarações de Trump também provocaram questionamentos sobre o grau de interesse de Washington no processo eleitoral brasileiro.
Questionada pela CNN Brasil, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, negou que interferir em eleições estrangeiras faça parte da estratégia americana.
Segundo ela, os Estados Unidos reconhecem o Brasil como um país soberano e defendem a realização de eleições livres.
A posição oficial apresentada pelo governo americano, portanto, é diferente de uma eventual manifestação pessoal de preferência eleitoral por parte de Trump — preferência que, até agora, ele não declarou nessa conversa.
Brasil entra na reta final
A manifestação ocorre quando a campanha brasileira chega às últimas horas antes da votação de domingo (4).
O interesse demonstrado por Trump adiciona um elemento internacional à reta final da disputa, especialmente pela proximidade política historicamente existente entre o presidente americano e a família Bolsonaro.
Por enquanto, entretanto, o fato documentado é que Trump afirmou estar acompanhando a eleição brasileira “bem de perto”, mas evitou responder se apoia Flávio Bolsonaro.
Fontes: CNN Brasil; El País.