Vorcaro afirma ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo a filme sobre Lula; PF e PGR não encontraram provas suficientes
Em áudios divulgados pela Veja, Daniel Vorcaro afirma ter destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente. O ex-banqueiro também relata supostas negociações para acessar fundos de pensão. A PGR não avançou com a acusação por falta de provas, e Lula nega envolvimento.
Uma nova revelação sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro de uma grave denúncia envolvendo dinheiro vivo, um documentário e possíveis negócios com fundos de pensão de servidores públicos.
Em reportagem publicada nesta sexta-feira (9), a revista Veja divulgou áudios e documentos nos quais Vorcaro afirma ter destinado cerca de R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar um filme sobre o presidente.
O ex-banqueiro também relata que os pagamentos teriam sido negociados com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, em troca de acesso a negócios milionários.
“O do Lula foi por fora, foi errado”, afirma Vorcaro
Na gravação divulgada pela Veja, Vorcaro fala sobre os pagamentos e compara o suposto financiamento do documentário sobre Lula com os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
“O do Lula foi por fora, foi errado.”
A declaração chama atenção porque o próprio banqueiro descreve o suposto pagamento como uma operação feita fora dos canais oficiais.
Segundo a revista, o dinheiro teria sido encaminhado ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto, amigo e aliado do presidente.
O documentário mencionado é “Lula”, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone.
Negócio poderia movimentar bilhões de reais
A denúncia vai além do financiamento de um filme.
De acordo com o relato de Vorcaro, o ex-tesoureiro João Vaccari Neto teria negociado uma comissão de 10% sobre os valores que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos de pensão ligados a empresas estatais.
Entre as instituições citadas estão fundos relacionados ao Banco do Brasil, à Caixa e à Petrobras.
Se a operação tivesse alcançado os valores mencionados pelo banqueiro, a suposta comissão poderia chegar a R$ 1 bilhão, enquanto o banco movimentaria cerca de R$ 9 bilhões.
Esses números fazem parte da versão apresentada por Vorcaro. Não há comprovação de que os pagamentos tenham ocorrido ou de que o negócio tenha sido concretizado.
Por que a denúncia não avançou na PGR?
Segundo a Veja, as informações foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República como parte de uma tentativa de colaboração de Vorcaro.
A Procuradoria não levou a acusação adiante por considerar que faltavam provas dos supostos pagamentos.
A defesa do ex-banqueiro afirma que ele poderia apresentar mensagens de WhatsApp, registros de pessoas responsáveis pela retirada do dinheiro e informações sobre os caminhos utilizados para entregar os valores.
Mas a Polícia Federal não encontrou, nos dados extraídos do celular de Vorcaro, registros que comprovassem o financiamento do documentário sobre Lula.
Isso significa que a denúncia é grave, mas ainda não está comprovada.
Lula nega envolvimento
O presidente Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Daniel Vorcaro.
O ministro Alexandre Padilha, também citado na reportagem, negou envolvimento com o banqueiro.
O caso ganhou repercussão durante a disputa do segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Aliados do presidente afirmam que a divulgação da acusação pode ter motivação eleitoral. O grupo jurídico Prerrogativas, próximo ao PT, pediu à Polícia Federal que investigue informações sobre uma possível tentativa de produzir um depoimento falso contra Lula.
Essa suspeita de armação também não foi comprovada.
O que precisa ser esclarecido?
O caso deixa perguntas que merecem respostas: houve realmente a entrega de R$ 30 milhões em dinheiro vivo? Quem teria recebido os recursos? Existem comprovantes, mensagens ou testemunhas capazes de confirmar a operação? E qual seria a ligação entre o suposto pagamento e os fundos de pensão?
Também será necessário esclarecer se o relato de Vorcaro é verdadeiro ou se foi apresentado sem provas para tentar obter benefícios em uma negociação com investigadores.
O fato de a PGR não ter aceitado a acusação não confirma sua veracidade nem demonstra que houve proteção aos citados.
Por outro lado, a gravidade dos valores e das pessoas mencionadas exige que qualquer nova prova seja examinada com rigor.
O dinheiro de fundos de pensão envolve recursos destinados à aposentadoria de trabalhadores. Por isso, qualquer suspeita de negociação irregular para obter acesso a esses valores merece fiscalização.
O Brasil precisa saber se os R$ 30 milhões realmente existiram, quem teria recebido esse dinheiro e se houve alguma troca de favores. Até lá, o relato de Vorcaro continua sendo uma acusação sem comprovação suficiente.
Fontes: Revista Veja, CNN Brasil e UOL.