Café sobe 61%, gasolina 32% e carne 20%: produtos básicos pesam mais no bolso dos brasileiros entre 2022 e 2026
Confirmei a publicação dos valores em reportagem de 13 de outubro, mas não localizei a planilha original do Instituto Mises com a metodologia completa e as datas exatas das coletas. Os relatórios oficiais do Procon-SP e Dieese confirmam a existência das séries de preços e suas oscilações, mas não bastam, isoladamente, para validar todos os pares de valores da tabela.
O brasileiro que vai ao supermercado, ao posto de combustível ou à farmácia encontra preços significativamente maiores em diversos produtos do cotidiano quando comparados aos de 2022.
Um levantamento divulgado pelo Instituto Mises, com base em dados atribuídos ao Procon de São Paulo e ao Dieese, aponta aumentos de até 61% em seis itens de alimentação, higiene e consumo diário entre 2022 e 2026, período que compreende o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Café lidera aumentos
O maior reajuste entre os produtos selecionados ocorreu no café em pó tradicional, em embalagem de 500 gramas. O preço médio passou de R$ 15,48 para R$ 24,86, uma elevação aproximada de 61%.
O desodorante spray aparece em segundo lugar, com aumento de 53%, passando de R$ 7,32 para R$ 11,21.
O creme dental de 90 gramas subiu de R$ 4,05 para R$ 5,23, alta aproximada de 29%.
Alimentação e combustíveis também ficaram mais caros
Entre os alimentos, o leite longa vida passou de R$ 4,61 para R$ 5,72 por litro, aumento de 24%.
O quilo da carne de primeira, por sua vez, avançou de R$ 42,01 para R$ 50,49, elevação de aproximadamente 20%.
Já a gasolina registrou aumento de 32%, passando de R$ 4,93 para R$ 6,53 por litro na comparação apresentada.
O encarecimento desses itens afeta diretamente o orçamento familiar, sobretudo entre consumidores que destinam parcela significativa de sua renda à alimentação, transporte e produtos de necessidade cotidiana.
O impacto no orçamento das famílias
O aumento dos preços pode reduzir o poder de compra mesmo quando a renda nominal dos trabalhadores cresce.
Para famílias com orçamento apertado, diferenças de poucos reais em cada produto podem representar um gasto adicional relevante ao longo do mês.
O levantamento também reacende o debate sobre o custo de vida durante o governo Lula e sobre os resultados das políticas econômicas adotadas desde 2023.
É possível atribuir todos os aumentos ao governo?
Embora os preços tenham sido comparados durante o período do governo Lula, a evolução de cada produto depende de diferentes fatores.
Condições climáticas, safras agrícolas, custos de produção, câmbio, preços internacionais, tributos e políticas públicas podem influenciar os valores pagos pelo consumidor.
Por isso, o aumento de preços durante determinado governo não comprova, por si só, que todas as elevações tenham sido causadas diretamente por decisões presidenciais.
Também é importante observar que o levantamento considera seis produtos selecionados, e não o conjunto de bens e serviços utilizado no cálculo da inflação oficial.
Dados oficiais mostram oscilações ao longo do período
As pesquisas mensais do Procon-SP, realizadas em parceria com o Dieese, registram tanto aumentos quanto reduções de preços.
Em julho de 2026, por exemplo, o custo médio da cesta básica pesquisada na cidade de São Paulo caiu 0,91% em relação ao mês anterior.
Essa redução mensal não elimina os aumentos acumulados anteriormente em determinados produtos, mas demonstra que os preços não seguem uma trajetória uniforme.
O desafio do poder de compra
Independentemente das causas específicas de cada reajuste, o custo de vida permanece um tema central para os consumidores e para o debate eleitoral.
O levantamento divulgado pelo Instituto Mises oferece um recorte dos aumentos observados em produtos populares, mas a avaliação completa do desempenho econômico exige considerar também inflação geral, salários, emprego e renda.
Para o consumidor, a questão permanece: quanto do salário sobra depois de pagar alimentação, transporte e despesas básicas?
Fontes: Levantamento atribuído ao Instituto Mises, reproduzido pelo Portal Papo Aberto; pesquisas oficiais do Procon-SP em parceria com o Dieese.